sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A primeira obra de André Soares

© JovemCoop
O primeiro desenho conhecido de André Soares, o génio do rococó bracarense, é datado de 1747. Trata-se do frontispício do livro de Estatutos da Irmandade do Bom Jesus e Santana, outrora sediada na ermida que estava colocada ao centro da actual avenida Central. Esta irmandade, após a demolição da capela de Santana em 1769, foi transferida para a igreja de Santa Cruz, tendo-se fundido à irmandade aí sediada.
O desenho, esse, sobreviveu às mudanças e é o mais antigo testemunho de um nome ao qual Braga deve a sua magnificência e grandiosidade. Indubitavelmente um dos seus maiores filhos!

1 comentário:

  1. No dizer de Robert Smith:

    Com os maneirismos do barroco joanino do escultor Marceliano de Araújo acusa semelhanças positivas esta iluminura em grisalha. Encontramo-las nas cascas vegetais combinadas com grinaldas e cestos de flores e frutas, na cabeça do gordo anjinho, no fundo em forma de mosaico à moda francesa, na concha isolada em baixo, e sobretudo na forma da linha curva que passa por cima dela.

    Estes motivos são todos típicos da talha de Marceliano, que também iluminou códices do arquivo de Santa Cruz. Temos, em contrapartida, outros elementos da mesma composição que são próprios de André Soares. São os concheados e as folhas do centro da tarja, as grandes linhas curvas das volutas que a compõem, passando por cima e por baixo do caixilho complexo, o jogo rítmico de certas pequenas volutas gordas como chouriças e sobretudo a força inerente na composição, que oferece marcada analogia com o janelão da fachada da Falperra. A tarja deste frontispício representa portanto uma fase preparatoria da arte de André Soares, ainda dominada pela linguagem estilística do reinado de D. João V, mas cheia já de promessas do carácter magistral dos seus trabalhos da década de 1750.

    ResponderEliminar