sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Moralizar a Universidade do Minho

É frequentes vezes questionado o facto das Associações Académicas serem brindadas com orçamentos milionários, cujo destino costuma ser festas e excessos. Por isso mesmo, a notícia de que, a partir da próxima segunda-feira, 18 de fevereiro, os alunos da Universidade do Minho vão ter refeições e transportes mais baratos, é um excelente exemplo da missão que estas estruturas associativas podem desempenhar.
As medidas foram anunciadas pelo presidente da Associação Académica da Universidade do Minho, que espera que possa ser um contributo para o combate ao abandono escolar e a prova de que, em matéria de ação social, há outro caminho: «basta que haja sensibilidade para olhar para os problemas crescentes dos estudantes e vontade política para os resolver». Uma medida que pode não ser suficiente para atingir os fins que pretende almejar, mas que é exemplar num tempo de particular dificuldade para tantos estudantes.
Além desta medida, o novo presidente da AAUM anunciou que o Enterro da Gata vai ter menos um dia de festa, em nome da moralizadora contenção orçamental.
Parabéns ao novo presidente da Associação Académica, Carlos Videira, por esta iniciativa!
Uma entrada verdadeiramente com o pé direito...

4 comentários:

  1. Um pai de um aluno que também já foi aluno15 de fevereiro de 2013 às 18:27

    Um bom começo para este presidente. Tenho para mim que o maior problema da AAUM é que as últimas direcções esqueceram a sua missão de representar os alunos e tornaram-se gestoras de um enorme orçamento e projetos. Ainda que isto tenha tido a vantagem de ter contas positivas (acho) e terem desenvolvido projetos interessantes (pelo que leio nos jornais), teve a enorme desvantagem de transformar "sindicalistas" em gestores. Algo quase contra natura. Percebi isto quando constatei que os transportes da AAUM para Guimarães eram mais caros que os de um privado. Ou seja, a um sócio da AAUM ficava mais caro viajar nos autocarros da sua associação. A mim tiveram que me repetir várias vezes isto porque não acreditava que fosse possível. No meu tempo de estudante os alunos de Guimarães não teriam permitido isto. Por menos que isso houve tumultos, greves e o diabo a quatro. Na AAUM disseram que os serviços precisam de ser auto-suficientes e eu até concordo com o princípio. Só que se um sindicato não consegue prestar o serviço mais barato o melhor é mesmo deixar de prestar esse serviço. Fazer o contrário é perder argumentos para negociar com a UM as propinas, as cantinas, as residências, etc. Ou seja, ser um bom gestor por vezes pode prejudicar a capacidade de representar os estudantes. Aliás, um amigo meu dizia que a melhor forma de calar um sindicato é deixar que cresça, que desenvolva uma máquina que consuma toda a energia. Uma máquina que estará sempre em vantagem porque é permanente enquanto as direcções estão de passagem. Olhando para vários os lados todos percebemos como esse meu amigo estava certo. Só que o critério não pode ser sempre o económico e parece que este presidente da AAUM percebeu isso. O melhor de tudo é que a UM também parecem pensar o mesmo e isso são muito boas notícias para os estudantes.

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  2. Seria bom que, GENTE deste pensar, entrasse na política!

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  3. As instituições são o espelho das suas lideranças. Nesta caso, o carácter humanista do Carlos Videira influenciou todo este processo levado a cabo pela AAUM. Mesmo assim, apesar de isto registar uma melhoria na actuação da AAUM, penso que a AAUM ainda está longe do que representa uma verdadeira associação académica em tempos conturbados, como os que estamos a atravessar. Os estudantes sempre tiveram uma palavra a dizer em tempos de convulsão, sempre tiveram um papel activo e preponderante nos grandes processos de transformação da sociedade e dos sistemas políticos. Encontramo-nos num desses tempos, em que é necessária uma grande reviravolta, onde se estão a verificar ataques a direitos conquistados que estão a conduzir a um retrocesso social. No entanto, os estudantes, e a juventude em geral, têm estado muito apática e as associações estudantis também se têm entregue a um comodismo tal que são incapazes de criar qualquer incómodo nas estruturas de poder, nas grandes estruturas de decisão, sejam elas políticas ou económicas. Não sou comunista, mas sou de esquerda, e todos os indivíduos que se dizem de esquerda têm sempre uma veia revolucionária, e é por isso que acho que é necessário chamar os estudantes para a luta e esse papel cabe, sobretudo, às associações académicas.

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  4. Segundo o noticiado, esta iniciativa implica uma despesa de dez mil euros. Todavia, ninguém se atreveu a perguntar ao presidente da associação de onde vem esse dinheiro. São receitas próprias? Resulta da cotização dos associados? Ou estamos a falar de subsídios atribuídos à associação?
    Aliás, alguém sabe como andam as contas da AAUM? As acusações de gestão danosa e de corrupção, feitas anos a fio, deram em alguma coisa?

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