quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Respigos de um bairrismo inútil

Uma das notícias mais surpreendentes da semana é a intenção vimaranense de abandonar o projecto do Quadrilátero Urbano, constituído pelos quatro maiores municípios do distrito de Braga, na sequência de uma reportagem do JN... Uma decisão pouco compreensível, numa área que se poderia fortalecer como o terceiro maior pólo de atractividade a nível nacional, onde vivem e trabalham cerca de 600 mil pessoas.
Guimarães é o município com maior taxa de desemprego entre os tendencialmente urbanos do distrito de Braga. Deste grupo, Guimarães é também o município que mais perdeu população na última década. O dinamismo económico vimaranense também se viu mergulhado na maior crise de sempre, com o sector dos têxteis a dominar as quebras. Nesta sequência, o maior símbolo do município e orgulho das suas gentes, o Vitória Sport Clube, viu-se obrigado a ser mais modesto nas suas ambições, contrariando um historial de engrandecimento alimentado nas décadas de 80 e 90. Apesar disso, Guimarães - a fervilhar em bairrismos inúteis - prefere fechar as portas à cooperação e a complicar os projectos partilhados com os municípios vizinhos.

Quando lhes passar o deslumbramento com a Capital Europeia da Cultura, que lhes elevou o ego para uma fasquia mais alta que a que já costuma estar, talvez se lembrem que a cooperação regional é uma excelente mola de desenvolvimento e crescimento.
Se Guimarães efectivamente confirmar a sua saída do Quadrilátero Urbano, é o Minho quem perde, é Braga, é Barcelos, é Famalicão...
E se é para manter o nome, não se perca tempo. Esposende, o único município voltado para o mar e aquele que detém a taxa de desemprego mais baixa do distrito, é um excelente candidato a ocupar a cadeira vimaranense.

6 comentários:

  1. Ainda que desconheça as causas da intenção de abandonar o quadrilátero não deixo de concordar sobre os efeitos da decisão. Não concordo é de forma nenhuma com a sua visão de Guimarães. Na minha opinião a cidade é mesmo um caso de estudo de afirmação internacional. Uma cidade que ultrapassou a imagem de cidade industrial para se afirmar cada vez mais como pólo cultural muito interessante.
    Quanto à substituição por Esposende, para além de não perceber que Esposende tem previligeado a ligação a Viana do Castelo, aconselho a rever os conceitos de geometria.
    A verdade é que sem Guimarães é o conceito de quadrilátero urbano que perde sentido.

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    1. Também estará errada a taxa de desemprego ou a referência à perda evidente de população? Será assim tão significativa essa afirmação internacional? Veremos como será 2013 em termos turísticos.
      Quanto ao quadrilátero, que eu saiba só precisa de ter 4 lados, independentemente de serem perpendiculares ou não...o essencial é terem 360º na soma dos seus ângulos. É matemática...

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  2. Vejamos:

    Guimaraes perdeu população num contexto complexo como o da criação do concelho de Vizela, com toda a mobilidade que essa mudança implica antes e de depois de concretizada.
    A maior (e indiscutível, no meu entender subjetivo, claro...) afirmação internacional de Guimarães face a Braga vem de dois fatores essenciais: vender a ideia de "berço da nacionalidade" e ter dado ao mundo o seu rico património histórico e monumental, com a elevaçao do centro histórico a património cultural da humanidade.

    Mas, Rui, desde há muito que Guimarães atrai mais turistas internacionais do que Braga. E em maior escala. Todos os dias, seja inverno ou verão, se ouve falar uma lingua estrangeira no centro histórico de Guimarães. No centro histórico de Braga, cada vez é maior o silêncio...

    E, sim, Guimarães soube tirar bom partido da Capital Europeia da Cultura. Para lá de todos os excessos que terão sido cometidos - no Toural esbanjou-se uma fortuna para o espaço ficar menos atrativo - a cidade ganhou uma outra projeção mundial.

    Foi reconhecida pelo Times como um dos 10 melhores destinos mundiais para onde viajar em 2012. Acho que isso tem um impacto presente e futuro enorme. Braga previu dois milhões (sim, 2.000.0000 de pessoas!!!!) como visitantes da Capital Europeia da Juventude. Mas não me parece que o Times saiba sequer onde fica Braga....

    Mas há um pormenor e o problema é que o diabo está sempre nos pormenores: quem é António Magalhães para decidir que o concelho sai do Quadrilátero Urbano, a meia duzia de meses de ter que deixar a presidência da Câmara?...

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  3. Meu caro conforme perceberá, o quadrilátero, ou mesmo a minha referência à geometria não pode ter uma interpretação literal, mas se desenhar no mapa a sua proposta e pedir a uma criança que identifique a figura geométrica a resposta que mais vezes vai obter será um triângulo. Dirá que estou a esquecer um vértice, eu dir-lhe-ei que você apenas está a chamar a atenção para quem não está presente.
    Ainda que não tenha a certeza, julgo que o termo "quadrilátero urbano" terá nascido na AIMInho com o objectivo de unir os 4 concelhos economicamente mais significativos do distrito de Braga. Esta será a génese da ideia que só recentemente terá vencido as resistências que são conhecidas. Como é evidente sem Guimarães a estratégia fica coxa e até de sentido duvidoso. Mais vale manter o quadrilátero sem a CMGuimarães, mas aberto ao território de Guimarães. Desconheça se em termos formais isto será possível. Ou seja, se as candidaturas a fundos europeus obrigarão à participação da CMGuimarães.
    Não sendo possível, então a solução não é “inventar” o vértice perdido, mas passar de uma estratégia de desenvolvimento assente nos quatro motores económicos do distrito para uma estratégia de cooperação mais abrangente. Uma estratégia com Vila Verde, Esposende, Amares, Póvoa de Lanhoso, Terras de Bouro, Vizela, Fafe, Celorico e Cabeceiras e isolar Guimarães. Reconheço que há uma enorme dispersão geográfica, mas a sua solução não traria mais do que praia.
    PS: à hora do almoço percebi que a zanga terá sido por causa de uma notícia do JN e não queria acreditar. Pobre de nós por termos políticos destes. Que raio de pecados estaremos a expiar!

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  4. Acho uma boa decisão de Guimaraes. Aceitaram aderir ao inicio e agora saem. Porque se avaliar-mos os resultados do quadrilatero vemos Zero.

    Se não serve para nada mais vale não existir.

    A pressão poltica que devia existir para haver mais investimento na região (especialmente a nivel ferroviario) nunca existiu.

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  5. Responder à provocação implícita no teu post é demonstrar que somos aquilo que dizes que somos. Por outro lado, calar também significa dar razão.
    Assim, passando ao post, penso que tirar conclusões a partir de uma opinião do responsável máximo camarário dirigido a um jornal e sem entender as razões que levam a essa opinião é inconsequente e inoportuna.

    Sobre o quadrilátero, inicialmente, parecia prometedor a junção de quatro cidades do Minho com o objectivo de terminar alguma subjugação a interesses centralistas vindos do Porto e Lisboa. Uma espécie de "união faz a força".

    Contudo,sem qualquer tipo de resultado visível, a não ser o cartão cultural, faz com que esta união não seja mais um "job for the boys".

    Além disso, chegando as autárquicas, cria-se um ambiente quase explosivo de aproveitamento político e partidário de todos os vértices políticos e geográficos.

    De forma imparcial e finalizando, digo que todos tem culpa pelo falhanço que foi na construção deste quadrilátero e mais vale terminar com este tipo de iniciativas que só tem como objectivo, a meu ver, o esbanjamento irresponsável do dinheiro dos contribuintes.

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