domingo, 31 de março de 2013

Em Braga a Páscoa só acaba segunda-feira!

A Cónega é uma das ruas mais bairristas de Braga
A Páscoa na cidade de Braga não se limita ao Domingo festivo. O "after-day" tem direito a significativos regozijos, que podem entreter o mais prolongado turista. São duas as festividades realizadas ainda dentro da área urbana.
Uma delas é a festa do Senhor das Ânsias na rua da Boavista (Cónega). Iniciam-se oficialmente com a Queima do Judas na noite da vigília pascal, prosseguindo com a visita pascal na segunda-feira.
A outra tradição é a festa do Zirra-Zirra, na freguesia de Lamaçães. Com origem em 1570, para agradecer a freguesia ter conseguido sobreviver à peste que afetou a cidade de Braga, deve o seu nome ao facto de as duas imagens dos santos festejados terem tamanhos díspares: Santo André e São Sebastião.
Porque não incluir as duas ocasiões festivas no programa da Semana Santa? Quem sabe não obrigará alguns turistas a estender a sua estadia na capital do Minho?

sábado, 30 de março de 2013

Lá se vai o salão egípcio...

© Fernando Mendes
© www.publico.pt


O sector comercial tornou-se ao longo dos tempos como o principal motor da economia da cidade de Braga. Devido a isso, as instituições ligadas aos comerciantes adquiriram uma influência muito positiva sobre as forças vivas da cidade, estando quase sempre vinculadas aos grandes acontecimentos do calendário bracarense. É certo que o grémio comercial de Braga não chegava para construir um palácio da Bolsa, como a congénere portuense conseguiu, mas foi autora igualmente de espaços emblemáticos, que hoje se encontram em grande risco.

O Ateneu Comercial, localizado na rua dos Chãos, e o salão egípcio, ligado ao sindicato do Comércio, na rua do Souto, são duas memórias caras a este sector económico brácaro. Se o primeiro já sucumbiu em face de interesses imobiliários, o segundo ainda pode ser salvo. Há alguns dias atrás foi colocado um grande letreiro na sua fachada, voltada à rua do Souto. Pode ser o canto do cisne...

Se a autarquia quisesse, com os mecanismos legais de classificação como património municipal, poderia tentar a conservação deste espaço, obrigando o proprietário a restaurá-lo (ou a perder os direitos de posse) numa futura reabilitação. E que tal apostar na classificação destes espaços, de forma a não os perder para o futuro? Não tanto pelo seu valor artístico, mas pelo seu inquestionável valor simbólico...

No Bom Jesus com Camilo Castelo Branco


 «Prendendo o fio da breve narrativa, as obras continuaram prosperamente desde 1722. Os passeios interpostos às capelas datam desta época. No local onde está S. Longuinhos, oferta de um devoto em 1819, era a torre do antigo templo, inteiramente abatido. Algumas capelas foram feitas à custa dos professores de latim de Braga. Não se julgue da riqueza de um mestre de latim no século passado, nem da sua santimónia por este facto. Ë que os valentes ousaram medir-se arca por arca, sobre a competência do ensino, com a companhia de Jesus. Perderam a demanda, e pagaram as custas, com as quais se construíram principalmente as quinze estátuas dos escadórios. Pobres latinistas! aquelas estátuas deviam simbolizar a vossa angústia petrificadora, quando vos converteram o suor em Esdras, e Josephos, e Salomões! Os jesuítas meteram-vos à força a imortalidade em casa. Manuel Rebelo da Costa, falecido em 1771, foi o braço mais poderoso que tirou da rocha o máximo das grandezas do santuário. Seguiu-se depois a edificação do templo, coadjuvada por Pedro José da Silva, e a plano do arquitecto Carlos Luís Ferreira da Cruz Amarante, falecido no Porto em 1815, e sepultado na igreja da Trindade, cujo risco deste templo oferecera gratuitamente. Até este ano, eu nunca perguntei que mão piedosa levantara a primeira capela do santuário.»

In: "No Bom Jesus do Monte", Camilo Castelo Branco

sexta-feira, 29 de março de 2013

Ângulo Maior: Sexta-Feira Santa em Santa Cruz

© Rui Ferreira 2012

Ângulo Maior: Sexta-Feira Santa nos Terceiros

© Rui Ferreira 2012

Ângulo Maior: Sexta-Feira Santa no Salvador

© Rui Ferreira 2012

Ângulo Maior: Sexta-Feira Santa no Pópulo

© Rui Ferreira 2012

A Capela dos Coimbras

Por estes dias, Quinta e Sexta-Feira Santa, os bracarenses têm a oportunidade única de entrarem na capela dos Coimbras, belíssimo exemplar tardo-gótico de Braga. Construída no primeiro quartel do século XVI, numa altura em que a cidade era governada pelo grande Arcebispo D. Diogo de Sousa, é obra dos artistas biscainhos, os mesmos responsáveis pela cabeceira e capela-mor da Catedral.
A abóbada de nervuras, e o conjunto esculpido do sepultamento de Jesus, são impressionantes.
A capela é dedicada a Nossa Senhora da Conceição, razão pela qual também é aberta ao público no dia 8 de dezembro.

Esta noite, durante a procissão, vai estar aberta. Para quem ainda não a conseguiu admirar...

(Ler também em www.ocio.oof.pt)

quinta-feira, 28 de março de 2013

Farricocos para todos os gostos

O farricoco era, no passado, uma forma dos fiéis cristãos bracarenses se penitenciarem dos seus pecados, propondo-se caminhar descalços e incógnitos nas procissões que percorriam a cidade. O confessor dava a penitência durante a confissão e os fiéis cumpriam à risca tal preceito. Ajudavam a iluminar as ruas durante os préstitos e a chamar os fiéis às celebrações com o auxílio das matracas, dado que os tilintar dos sinos era proibido durante este tempo especial. O som estridente das matracas, com o seu ruge-ruge era também sinal de penitência...
Entretanto, os farricocos foram-se aproveitando do seu anonimato para denunciar publicamente os pecados daqueles que não faziam penitência. O ambiente era, por isso, temeroso, e algumas pessoas recusavam vir às janelas, não fosse cair-lhes em cima alguma acusação.
Hoje, as procissões já quase não servem para penitências, mas o farricoco mantém-se como figurante primordial.
Dada a sua originalidade, é um símbolo da cidade e o artesanato cada vez mais explora esta figura e ainda bem! E que tal criar um concurso de farricocos para dinamizar o artesanato e a criatividade? E que tal criar o doce do farricoco?

PS - É uma pena que ainda não tenhamos descoberto a forma de promover as figuras típicas do São João de Braga. Gostava, um dia, de ver o Rei David em barro ou um dos pastorinhos do carro dos pastores, ou ainda o S. João menino, cuja iconografia é originária dos festejos bracarenses.

A procissão dos fogaréus


© Rui Ferreira 2012
Uma das procissões que compõe o programa das Solenidades da Semana Santa de Braga é a procissão do Ecce Homo, popularmente conhecida como a procissão do Senhor da Cana Verde ou dos Fogaréus. Saindo às ruas na noite de Quinta-feira Santa, recorda o julgamento de Cristo quando Pilatos, dirigindo-se à multidão, proclamou: “Eis o Homem”, que em latim se pronuncia ECCE HOMO, daí o nome dado à imagem que é transportada solenemente neste cortejo. Esta procissão tem uma origem bem recuada, será provavelmente a mais antiga das procissões que, por esta época, se realizam na cidade de Braga. Estará certamente associada à fundação das Misericórdias em Portugal, o que aconteceu a partir dos finais do século XV, sob a égide da Rainha Dona Leonor. Assim, a origem desta demonstração religiosa recuará provavelmente ao século XVI, pois a Misericórdia de Braga foi fundada por volta do ano de 1513. Certo é que no século XVII já a Misericórdia de Braga organizava esta procissão como no-lo comprovam crónicas que remontam a 1628
Hoje a procissão é da responsabilidade da Irmandade da Misericórdia, ligada à Santa Casa da Misericórdia de Braga que tem a seu cargo, entre outras valias, a igreja renascentista da Misericórdia e a Igreja de S. Marcos ou do Hospital. A temática desta procissão está especialmente ligada à instituição responsável, sendo que muitos dos painéis que se observam neste peculiar desfile mostram as obras de misericórdia; a visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel; e Nossa Senhora da Misericórdia que, debaixo do seu manto, abriga pessoas de todas as classes sociais: ricos, pobres, mendigos, religiosos. Ora, estes quadros estão claramente relacionados com a igreja da Misericórdia, edificada em 1562 junto da Sé Primacial, em estilo renascentista que venera, com especial fervor, a imagem de Nossa Senhora da Misericórdia, tanto no belo painel que protege a tribuna como na bela escultura barroca que adorna um dos altares da igreja. A visitação da Virgem ou as Abraçadas, como lhes chama o povo, está também destacada na igreja onde se pode admirar um notável conjunto escultórico em barro sob a porta lateral do templo,  e também, no interior da igreja, a encimar o magnifico retábulo-mor barroco que o inspirado Marceliano de Araújo executou em meados do século XVIII. Além destes painéis artisticamente pintados, podemos admirar na procissão a imagem setecentista do Senhor Ecce Homo ou Senhor da Cana Verde, também originária desta igreja, que nos mostra o Cristo sofredor, sentado sobre uma pedra, com o manto de purpura cobrindo a mesma, que nos incute um dramatismo bem presente no rosto da imagem e nas suas costas desnudas impregnadas de chagas provocadas pelo vigor do chicote. Nas mãos deste Cristo está, serenamente colocada, a Cana Verde simbolizando o ceptro real típico dos poderosos. O povo piedoso ajoelha-se à passagem do pesadíssimo andor que carrega a devotada imagem, sobre os ombros dos oito irmãos da Misericórdia que, estoicamente, a transportam. A abrir o cortejo, para além dos habituais cavaleiros da guarda, vêm as figuras vestidas de negro, os farricocos, que transportam lanternas de fogo (fogaréus) e as tradicionais matracas ou ruge-ruge que provocam nas ruas um ruído ensurdecedor, muito apreciado pela gente que assiste. Devido ao facto de estas figuras que, antigamente quando ainda não havia iluminação pública nas ruas e a escuridão dominava, transportavam estas lanternas que alumiavam o cortejo, a procissão é também conhecida como a procissão dos fogaréus. No restante do cortejo representam-se cenas da paixão de Cristo onde as crianças, ricamente vestidas de coloridos veludos, dão corpo às personagem que há dois mil anos atrás protagonizaram a história bíblica. A acompanhar a procissão, para além da presença melodiosa de duas bandas filarmónicas, desfilam as digníssimas autoridades religiosas. Saindo da igreja da Misericórdia, a procissão segue rumo pelas habituais ruas do centro histórico recolhendo no mesmo lugar. O povo amontoa-se nas ruas para ver este histórico cortejo que todos os anos cumpre a tradição, insistentemente mantida, pelo povo da tão augusta como fidelíssima cidade de Braga.
Oa farricocos são figuras misteriosas e arrepiantes, que percorrem as ruas da cidade descalços e de rosto tapado. Representam os penitentes do passado que, em favor da remissão dos seus graves pecados, eram aconselhados pelo confessor a participarem neste préstito de penitência, ora auxiliando na iluminação da procissão, ora apelando a cidade à participação com as matracas. São bastante antigas estas manifestações e estão associadas à temática do pecado, do arrependimento, e da penitência. Devido ao facto de, neste período em que se celebra o mistério da morte de Cristo, a Igreja pedir aos fiéis arrependimento e conversão dos pecados cometidos, os farricocos vestiam também a 'pele' de denunciadores e acusadores públicos das pessoas que assistiam à procissão. Ora, todo aquele que tivesse praticado algum acto condenável, era denunciado publicamente, em praça pública, e não sabia quem o acusava uma vez que os farricocos se escondem debaixo do anonimato que as vestes lhe conferem. Portanto, o medo imperava à passagem destas figuras. Ninguém melhor que Antero de Figueiredo, na bela obra O Último olhar de Jesus, para ilustrar este costume: “Na memória de todos estava viva a «Procissão dos Fogaréus», nocturna e triste como um enterro, precedida de temeroso bando de arruaceiros vingativos que, embuçados em capas e chales-mantas, e ocultos no negrume da noite, jogavam às faces, lívidas de medo, das pessoas que das janelas assistiam, delações infames, insinuações caluniosas, cobardes e impunes, que anavalhavam as almas pávidas.”. Acto realmente pouco condizente com a religiosidade da procissão, felizmente desaparecido, perante a uma proibição arcebispal na primeira metade do século XIX.
Curiosos estes costumes da Cidade Augusta. Hoje, os farricocos continuam a percorrer as ruas da cidade, aterrorizando pelo aspecto tenebroso que as vestes lhe impõem, porém não funcionando mais como justiceiros da má hora.  

quarta-feira, 27 de março de 2013

Como uma burrinha une uma comunidade

Quando, em 1998, a Junta de Freguesia de S. Victor e a paróquia homónima se juntaram para fazer renascer a denominada procissão da Burrinha, jamais imaginariam a repercursão que tal acto teria nos bracarenses e no próprio programa da Semana Santa de Braga.
Esta procissão inventada pelo S. N. I. (Secretariado Nacional da Informação) no tempo do Estado Novo para entreter os turistas no sábado santo, apenas sobreviveu cerca de seis anos, entre 1968 e 1973. Depois apagou-se e podemos dizer que a nova versão apenas conserva a burrinha como elemento original. Tudo o resto mudou.
O cortejo bíblico "Vós sereis o meu povo" reconstitui a história do povo judeu, a mesma história que se encaminhou simbolicamente para a vinda de Jesus Cristo. A primeira Páscoa, vivida por Moisés, tornou-se nova Páscoa com a morte de Cristo e a sua ressurreição. E esse objectivo do cortejo é perfeitamente claro durante o percurso. Mesmo para quem não é crente, este cortejo apresenta-se como uma interessante descoberta histórica sobre um dos povos fundadores da actual Europa.
Se é verdade que as solenidades bracarenses já se afirmam há décadas como o principal cartaz turístico de Braga, apresentando já aliciantes suficientes para garantir o sucesso do evento, com o ressurgimento da procissão da Burrinha ficou mais rica e acrescentou uma iniciativa que prima pela originalidade. Se as outras procissões se repetem um pouco por todo o país, esta não. E aí reside a diferença.
Acima de tudo, a procissão da Burrinha une a comunidade de S. Victor em torno de um acontecimento mobilizador. São mais de 800 pessoas a colaborar para, a cada ano, melhorar o figurino e enriquecer os quadros expostos. Isto sim é construir comunidade, ainda por cima num tempo marcado fortemente pelo individualismo.
Parabéns S. Victor!
Eis a prova como uma burrinha pode unir uma comunidade...

Um acampamento para turista ver...

A avenida Central bracarense está transformada, por estes dias, num verdadeiro acampamento multicolor. Barracas para todos os gostos servem de poiso a uma feira de artesanato e produtos regionais. Numa altura em que a cidade vive a sua época alta no que ao turismo diz respeito, não haveria forma mais estética de acolher os visitantes?
É que se, efectivamente, a promoção dos produtos regionais é salutar e desejável, o bom gosto na escolha dos "stands" não será menos importante para a imagem da cidade...

terça-feira, 26 de março de 2013

Tesouro escondido de Braga visitável por 2 dias

Nos próximos dois dias (27 e 28 de março) os bracarenses vão poder descobrir um dos tesouros da sua arquitectura religiosa: a igreja do antigo convento da Conceição. Este templo, localizado ao fundo da rua dos Pelames, é pertença do Instituto Monsenhor Airosa e está em excelente estado de conservação. O Lausperene Quaresmal é ocasião propícia para visitar esta igreja, já que durante os restantes dias do ano não está aberta ao culto.
Este templo, raro exemplar do período joanino do barroco na cidade de Braga, tem uma fachada lateral onde apenas se destaca a zona frontal do pórtico. Data de 1625, tendo   a igreja sido construída em 1728. A rica decoração em talha dourada do período nacional é da autoria de João de Araújo (retábulo-mor) e de Pedro Salvador (laterais). O plano do templo saiu das mãos de Manuel Fernandes da Silva.

ABRA, um orgulho para os bracarenses

A ABRA realiza periodicamente campanhas para adopção de cães e gatos
A Associação Bracarense dos Amigos dos Animais (ABRA) é uma associação sem fins lucrativos formada em Braga, em Março de 2005, que tem como missão os animais da nossa cidade que conheceram o lado errado da vida, nomeadamente os cães e os gatos.
Quem já teve o privilégio de ter um companheiro de quatro patas, sabe o quanto estes animais sentem o que se passa à sua volta e o quanto podem ficar indefesos perante um mundo demasiado urbanizado. A ABRA tem, por isso, como objectivo primordial minimizar o sofrimento dos animais que se encontram no canil municipal de Braga e tentar arranjar padrinhos para os cães e gatos maltratados e abandonados que lhes chegam às mãos.
Esta associação age em colaboração com o canil e gatil da Agere e tenta evitar o abate dos animais, conquistando famílias de acolhimento para os mesmos.
Todos temos o dever de ajudar esta associação, quer tornando-nos associados ou fazendo donativos, quer promovendo e divulgando as suas causas, consultando os pedidos expostos na página on-line.
A ABRA é mais um motivo de orgulho por sermos bracarenses, município onde tantos jovens voluntários se unem por causas e para tornar mais justo o mundo em que vivemos.
Parabéns ABRA por ajudarem Braga a ser uma cidade melhor!

segunda-feira, 25 de março de 2013

Erguer a voz pelo património...

Este atentado ao património está a ser discutido no Fórum Bracarae
O projecto já é conhecido há algum tempo e parece estar mesmo para a avançar. O palacete Domingos Afonso, localizado na rua do Carvalhal, e da autoria de Ernesto Korrodi tem o seu futuro em risco. Não sabemos se o projecto já foi aprovado em sede do município, mas esperamos que haja uma discussão séria em torno da solução proposta pelos promotores imobiliários.
Esperemos que o vice-presidente da Câmara e candidato do PS às autárquicas se insurja contra esta solução, agora que parece haver uma manifestação de interesse para com o património.
Deixar morrer o palacete Domingos Afonso, permitindo que este projecto se concretize, é atentar efectivamente contra um exemplar patrimonial de grande valia.
Quem tem a coragem de erguer a voz contra este empreendimento?

Ecce Homo: obra prima da escultura bracarense

Esta escultura, que se venera na quarta capela da Via Sacra do Bom Jesus do Monte, é uma obra, do início do século XX, saída das mãos do grande escultor bracarense, João Evangelista Vieira
Cristo apresenta-se sozinho, sentado sobre uma laje e com os olhos vendados. O seu rosto, a inclinação do tronco, as mãos ou os pés, quase que nos permitem imaginar o cenário que o envolveria. Só uma obra de arte tem esta capacidade de nos fazer transpor para o sentir do personagem retratado. O Cristo humilhado, sozinho e colocado perante o sofrimento e a morte ostenta o símbolo da miséria humana, do pecado e do mal. Representa a humanidade caída, que em Si mesmo encontra a esperança de se reerguer. Aqui, João Evangelista Vieira excedeu a um nível só permitido aos grandes artífices.

Semana Santa de Braga em todo o mundo

Se é certo que a belíssima escultura de João Evangelista Vieira, que ontem saiu às ruas de Braga, se destaca entre as imagens de Cristo que protagonizam as solenidades da Semana Santa, não deixa de ser surpreendente vê-la como ícone de uma das principais Semanas Santas brasileiras.
A cidade de S. João del Rei, local que acolheu no passado muitos milhares de bracarenses e minhotos emigrados nas terras de Vera Cruz, utilizou a imagem que serviu de cartaz à Semana Santa bracarense em 2008. Um dado muito interessante, que a juntar à tese de doutoramento recentemente elaborada sobre a intimidade entre as duas solenidades, atesta que o Brasil pode ser para Braga uma fonte de intercâmbios culturais e, por conseguinte, de turistas e de riqueza.

domingo, 24 de março de 2013

A procissão dos Passos: tradição da "Enfiada"


A porta de São João, local da Enfiada, foi demolida em 1867

Uma das tradições associadas a esta procissão era a célebre “Enfiada”, realizada na passagem sob os arcos da Porta de São João, passagem da antiga muralha fernandina que foi demolida em 1867, localizada sensivelmente junto à casa dos Coimbras. Os gigantescos estandartes que ainda hoje acompanham a procissão, de forma a ultrapassarem a “baixa” estatura do arco, precisavam de quase tocar o solo, perante um esforço físico descomunal da parte de quem os carregava. Admirando esta cena, o povo aglomerava-se nestas passagens, onde aplaudia a heroicidade do porta-estandarte. Após a demolição da porta, em memória desta tradição, os estandartes eram rebaixados, simulando o antigo costume.