terça-feira, 30 de abril de 2013

5 razões para apoiar o Braga na luta pelo 3.º lugar

  1. O Braga terá muito mais hipóteses de passar à fase de grupo da Champions, dado o seu ranking UEFA e o facto de ser cabeça de série no sorteio da pré-eliminatória;
  2. O Paços de Ferreira tem um ranking irrisório na UEFA e será facilmente ultrapassado pelo cabeça de série que lhe calhar no sorteio;
  3. Os 11 milhões de euros que são atribuídos a quem ascende à fase de grupos têm maior probabilidade de ficar em Portugal e auxiliar a economia nacional, caso o Braga fique no 3.º lugar;
  4. O Braga terá mais hipóteses de ombrear com os grandes clubes europeus, até porque o Paços de Ferreira vai sofrer seguramente uma razia na sua estrutura humana;
  5. Na eventualidade do terceiro representante português passar à fase de grupos, o Braga tem mais hipóteses de conquistar pontos e financiamento;

Os arautos da democracia...

Um blogue pessoal é, como o nome indica, pessoal, ou seja, parte de uma visão do mundo própria que naturalmente expressa preferências e assume uma atitude crítica ou laudatória, de acordo com a perspectiva da qual parte. É pena não existirem mais blogues pessoais, mais pessoas capazes de ter a coragem de exporem a sua opinião, ainda que seja diversa e não se assuma unânime. Não é essa a riqueza da vida em comunidade?
Percebo porque tantos não querem arriscar dar esse passo. É muito mais cómodo ler jornais, criticar em surdina e não nos incomodarmos muito com o que se passa à nossa volta. Preferimos o comodismo do sofá e do anonimato, a tornar público aquilo que pensamos. É legítimo e é humano...
Nos quase dois anos de actividade bloguística já recebi diversos feed-backs ao que vou escrevendo. Já aqui falei do Governo, da ação municipal e seus protagonistas, da história e património local, de futebol, da cidadania e da forma de estar de muitos políticos locais.
Como é natural, recebo todos os dias comentários muito diversos que vou publicando, desde que não sejam de conteúdo ofensivo ou provocatório, ou que se desvie do assunto que está a ser comentado. Porém, nada se compara ao teor dos comentários recebidos quando as mensagens dizem respeito a apreciações sobre a ação do Partido Comunista ou de algum outro sector da esquerda radical bracarense...
Não são os simpatizantes destes partidos os que mais gostam de se armar em arautos da democracia e das liberdades individuais? Não são estes aqueles que gostam de usar cravos ao peito e invocar Abril a cada esquina?
Não deixa de ser surpreendente, até porque pouco se fala desses assuntos por aqui e têm sido outros os alvos das principais críticas. Pessoalmente, fruto de convicções pessoais, nunca votei em nenhum partido de extrema esquerda. Depois da experiência deste blogue, seguramente que terei ainda mais convicção em não fazê-lo.
Não quero ser injusto com ninguém, até porque não devemos tomar a parte pelo todo, nem meter toda a gente no mesmo saco. Tenho amigos que simpatizam com o Bloco de Esquerda e conheço muitos comunistas convictos em quem não reconheço este tipo de atitude, todavia não deixa de se tratar de uma amostra significativa.
Ser arauto da democracia não é uma tarefa simples, nem mesmo um acto exterior, significa respeitar com tolerância as diferenças e as opiniões, sem partir para o ataque pessoal e para a crítica falaciosa que rejeita argumentação.
Tenho pena que alguns dos apoiantes da nova lista independente do Bloco de Esquerda tenham decidido fazê-lo a propósito de uma mensagem aqui publicada. Muito do que li em comentários e nas redes sociais nem revela espírito democrático e, muito menos, cidadania...

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Cabeceira da Sé Primaz: o legado dos biscainhos

Gravura de Charles Legrande (1839-47)


Nenhum bracarense ou visitante desta augusta urbe consegue ficar indiferente perante a monumentalidade da cabeceira da Sé de Braga. Se é certo que a catedral bracarense possui inúmeros motivos para um panegírico, este será porventura um dos principais.
Proclamada entre as muitas iniciativas levadas a cabo por D. Diogo de Sousa (1505-1532), arcebispo que refundou a cidade de Braga e que deixou a sua marca bem vincada em diversos espaços da catedral, a cabeceira da Sé localiza-se na antiga rua de Trás das Oussias (ou Oucias), cujo significado provém precisamente de “ábside”, que designa as plantas arqueadas que marcava a zona anterior das catedrais românicas. A hoje denominada rua de Nossa Senhora do Leite, de traçado irregular ao sabor medieval, é também lugar provável de um templo romano dedicado à deusa Isis, cuja ancestralidade fez nascer a catedral. Estamos, portanto, num lugar da história!
A ideia de recriar a estrutura da capela-mor terá surgido logo na primeira visita que D. Diogo de Sousa efetuou à sua Sé. Diz-nos o arcebispo e historiador, D. Rodrigo da Cunha, que este achou a capela-mor “piquena” para tão grande corpo e para os tão solenes Pontificais que nela se celebravam. Por isso mesmo, uma das primeiras obras do arcebispo D. Diogo vai ser precisamente a reformulação da capela-mor da Sé, empreitada que vai entregar ao mestre João de Castilho e cuja execução vai caber a artistas provenientes da Biscaia, que o povo vai batizar de biscainhos.
Terminada em 1509, como assinala uma lápide voltada à rua de Nossa Senhora do Leite, a cabeceira da catedral bracarense trouxe consigo uma particular inovação: a primeira cobertura pétrea de nervuras curvas que se fez em Portugal. Para além do que ainda hoje é possível observar no interior da capela-mor, fora elaborada um grande retábulo em pedra de ançã, do qual só resta hoje o frontal de altar, devido à destruição de que foi alvo durante a prelazia de D. Gaspar de Bragança (1758-1789).
Mas voltando ao exterior, cuja temática hoje nos ocupa, destaca-se com particular relevo a decoração rendilhada que coroa a estrutura da capela-mor. No coroamento da platibanda, encobrindo o telhado, observa-se o rendilhado tardo-gótico, quebrado pela existência de gárgulas, que servem para escoar a água dos algerozes. Entre outros artísticos pormenores, decorados ainda ao modo plateresco, destaca-se um monumental janelão emoldurado entre correntes e floreados de pedra, que serve de luminária à capela-mor. Um pouco abaixo está colocada, por entre um interessante nicho, a imagem de Nossa Senhora do Leite, escultura renascença em pedra de ançã, saída do génio do francês Nicolau de Chanterene. Esta imagem mariana, particularmente cara às gentes de Braga, encontra-se ladeada pelos brasões em grande escala do arcebispo D. Diogo de Sousa e do monarca que reinava à época, D. Manuel I.
Para quem pensar que a rua de S. João, que desemboca precisamente na cabeceira catedralícia, já lá estava quando os biscainhos arrancaram esta notável obra do granito, sentir-se-á defraudado ao deparar-se com o facto de a rua ter sido aberta precisamente para dar ênfase à obra concretizada em 1509. A rua foi mandada abrir pelo mesmo arcebispo em 1512, tal como nos informa D. Rodrigo da Cunha, para ligar a catedral à porta de São João, que fazia o trânsito para a estrada de Guimarães. De forma que os viajantes, ao entrarem na urbe arquiepiscopal através desta porta, pudessem vislumbrar a grandiosidade da Sé Primaz, a rua de S. João foi delineada para ficar devidamente enquadrada com a cabeceira da catedral.  
Nesta rua haveriam de fixar-se duas das mais importantes figuras da cidade: o Deão do Cabido, D. João da Guarda, e o Provisor do Arcebispos, D. João de Coimbra. O primeiro habitava na casa que atualmente designamos de Passadiço, e o segundo na manuelina casa dos Coimbras, entretanto colocada no lado oposto à posição originária. A casa da Roda, de traça aparentemente florentina é outro dos testemunhos dessa época. Esta artéria tornou-se tão relevante na vida da cidade que ajudou a conferir nova utilidade à porta de São João, ou porta Orienta, mencionada pelo menos desde 1210 e que terá sido reconstruída por D. Diogo de Sousa. Até à abertura da rua D. Afonso Henriques e do largo de São João do Souto que, no último quartel do século XIX, reduziu a rua de S. João a metade da sua extensão, por aqui passavam todas as procissões e demais celebrações realizadas no perímetro da cidade, tendo existido até um dos passos da Semana Santa na parede traseira da catedral, como a alvura da pedra não deixa enganar.

Uma homenagem de Braga a "nuestros hermanos"

Trata-se de um pormenor existente na cabeceira da Sé de Braga, visível aos olhos mais perspicazes na rua de Nossa Senhora do Leite, mas traseiras da catedral. Os artistas biscainhos contratados pelo Arcebispo D. Diogo de Sousa (1505-32) para refazerem a capela-mor da catedral, deixaram aos vindouros uma obra notável, onde surge destacadamente a imagem de Nossa Senhora do Leite. No coroamento da platibanda, encobrindo o telhado, observa-se o rendilhado tardo-gótico, quebrado pela existência de gárgulas, que servem para escoar a água dos algerozes. Ora, sendo típico deste tipo de esculturas o escoamento da água pela boca, há uma das gárgulas que surpreende por fazer brotar a água, não pela boca, mas pelo ânus.
Trata-se de uma figura infernal, a fazer lembrar um diabrete, que se aponta a Castela (quando digo Castela, refiro-me mesmo a Espanha...). Uma gracinha quinhentista para com nuestros hermanos, que passa incólume à maior parte dos trausentes.

Braga, a cidade da mobilidade

Muitos bracarenses desejam mais condições de mobilidade no centro urbano
No passado sábado realizou-se uma interessante iniciativa já promovida pelo novo GNRation, o Braga Trendy Cicle. Mais de uma centena de bracarenses aceitou o repto de deambular pelas ruas da cidade ao volante das suas bicicletas.
Cada vez há mais bracarenses interessados em movimentar-se através de bicicletas, esbarrando, todavia, na forma como a cidade foi construída, quase exclusivamente para o uso do automóvel. Os erros sucessivos na projecção da cidade em termos urbanos continuam a manifestar os seus efeitos. Será tarde para corrigir algumas asneiras? Talvez não, mas há erros irreparáveis...
Por isso mesmo, saúdo com particular ênfase o grupo de bracarenses que promove o projecto "Braga Ciclável", um verdadeiro (e não mascarado como alguns...) movimento de cidadania que tem feito interessantes propostas pela mobilidade na nossa cidade.
Quem sabe um dia Braga não possa acrescentar aos seus epítetos: a cidade da mobilidade.
Muito trabalho teremos pela frente, mas não somos nós audazes?

domingo, 28 de abril de 2013

A principal avenida de Braga

© Arquivo Aliança
Remontando talvez à Idade Média, a principal avenida de Braga obedece ao traçado da antiga estrada para Guimarães que, saindo da antiga Porta do Souto se encaminhava irregularmente para Sul em direcção ao rio Este. Esta artéria já aparece representada no famoso Mapa de Braga de 1594 dividida em três ruas diferentes que se sucediam. As ruas que deram origem à actual avenida eram de traçado irregular, bastante apertadas e de forte inclinação. A primeira era a rua de Ágoas que, partindo do antigo Campo de Santana (avenida Central), terminava junto à antiga igreja de S. Lázaro. A seguinte artéria era a rua de S. Lázaro que se estendia até um pouco mais abaixo. Seguia-se, até ao terreiro de S. João da Ponte, precisamente a rua da Ponte que, tal como o nome indicia, culminava na antiga ponte medieval que fazia o trânsito para Guimarães. A unificação das três ruas apenas se dá no inicio do século XX e em diversas fases, só ficando concluída em definitivo com a demolição da antiga igreja de S. Lázaro em 1976. 
A construção da avenida da Liberdade estava prevista num projecto opulento, que os políticos bracarenses do inicio do século passado queriam concretizar. Esse projecto previa a construção de uma grande avenida que ligasse o Cemitério ao Parque da Ponte. Todavia só foi conseguido iniciar o traçado desta avenida a partir do Campo de Santana em direcção a Sul. 
Durante as primeiras duas décadas do século XX iniciou-se o processo de alargamento partindo da arcada, sendo então construídos diversos edifícios de qualidade acentuada entre os quais se destacam o Teatro- Circo (1915). Mais lentamente decorreu o restante alargamento até ao terreiro de S. João da Ponte. O inicio do projecto esteve, desde logo, rodeado de enorme polémica devido à demolição do Convento dos Remédios, ocorrido em 1911, cuja Cerca ocupava a posição noroeste da nova avenida. Até à proclamação da República, em 1910, à nova artéria, ainda em fase inicial de execução, foi atribuído o nome de avenida do Conselheiro João Franco, o chefe do governo monárquico de então, facto ocorrido em 1903. 
Entretanto o restante alargamento da nova avenida foi sendo feito lentamente, sendo de notar que os edifícios do lado Nascente são de construção mais tardia em relação aos do lado Poente. Foram então sendo construídos diversos blocos habitacionais, já nos anos 30 e 40 do século passado, destacando o interessante conjunto de edifícios construídos sob a égide da Federação das Caixas de Previdência, situado desde a rua 25 de Abril até à avenida Imaculada Conceição, da autoria do arquitecto Teotónio Pereira. No final da década de 50, já a avenida da Liberdade se apresentava constituída até ao Parque da Ponte, sendo acelerado este processo devido, provavelmente, à construção do estádio 1.º de Maio em 1950, como o comprova o facto da ponte construída no século XIX ter sido significativamente alargada neste período sendo, como que, o ponto culminante da construção desta artéria. Todavia o alinhamento dos edifícios ainda não era efectivo. Muitos prédios desalinhavam-se ao longo do percurso, especialmente do lado Nascente. No lado oposto, o único foco de desalinho, era a igreja de S.Lázaro. O processo de acerto e alinhamento, digamos, da avenida da Liberdade só ocorre nos anos 70 e 80 com a construção dos últimos edifícios e com a edificação do Centro Comercial dos Granjinhos e consequente demolição da igreja de S.Lázaro, ocorrida em 1976 como já foi referido. 

Hoje esta avenida é, sem dúvida, a principal avenida da cidade local privilegiado das festas da cidade, que são vividas de forma mágica nesta avenida, completamente decorada e ocupada de inusitada feira popular em direcção ao arraial de S. João da Ponte. Ontem eram os Arcebispos que, em direcção à sua devesa, onde tinham uma residência de verão, atravessavam todo o curso desta avenida, hoje são os bracarenses que a sobem e descem com frequência. Não custa nada imaginar o sorriso dos prelados que, confortavelmente instalados na sua carruagem, seguiam rumo à quietude que alcançavam junto às serenas margens do rio Este. Hoje são os bracarenses que querem sorrir ao deleitarem-se no parque urbano da Ponte onde o sossego é algo de misterioso, tendo em conta os energúmenos que com assiduidade o frequentam.
Destaca-se nesta avenida a notável acção do arquitecto Moura Coutinho, cuja obra marca todo o primeiro quartel do século XX em Braga. Todas as obras destacadas desta época saíram das suas mãos. Basta recordar o Banco de Portugal (1921), a fachada da Igreja do Carmo (1907), o Lar Conde de Agrolongo (1912), mas foi na avenida da Liberdade que o seu génio se elevou. O Theatro Circo (1915) é, indubitavelmente, a sua maior obra. Mas todos os edifícios significativos que encimam esta avenida são da sua autoria. Recordem-se o edifício da farmácia Brito, o desaparecido Hotel Aliança, o edifício do antigo Café Cinelândia. Ainda de destacar na avenida da Liberdade é o edifício do Turismo, também de Moura Coutinho, edificado em 1937; o edifício dos Correios, de elegante e inédito traço, saído das mãos do engenheiro Francisco Henriques, cuja construção decorreu desde 1916 até 1932 e ainda o edifício da Ford saído das mãos do mesmo arquitecto que concebeu o Estádio 1.º de Maio e o antigo Café Avenida- João Simões, que remonta aos anos 40. Destaque-se por último o monumental edifício do Hotel Turismo, que marca toda a avenida, construído nos anos 70.  
 A denominação de avenida da Liberdade adoptada em 1910, não foi sempre permanente, uma vez que desde 1935 e até 1974, a toponímia foi alterada para avenida Marechal Gomes da Costa, regressando ao nome original após o 25 de Abril.

MAIOR AO DOMINGO: Ricardo Rio

Braga maior que Braga
Como foi público e notório, os últimos meses suscitaram uma apaixonada discussão e contestação pública em torno da concretização da Reforma Administrativa do Território preconizada pelo PS desde 2005 e que envolveu a agregação de diversas Freguesias em todo o País, mediante a supressão dos respectivos órgãos autárquicos.
Mas, curiosamente, ao longo dá última década houve também diversas alterações nos enquadramentos legais que regem o relacionamento dos territórios numa base supra-municipal sem que as mesmas tivessem espoletado uma reacção equivalente ou sequer de registo no conjunto da população ou nos agentes politicamente mais activos.
E, verdade seja dita, o impacto de muitas dessas alterações no dia-a-dia das pessoas é em alguns casos muito mais determinante do que as consequências directas que advirão da referida supressão das suas Juntas de Freguesia.
De facto, mesmo sem ter em conta o tão adiado quanto desejado processo de Regionalização – enquanto instrumento último para combater as políticas centralistas dos sucessivos Governos e organismos públicos -, o que dizer das mudanças em torno dos regimes de associações de municípios, das comunidades intermunicipais, das grandes áreas metropolitanas e demais espaços de cooperação municipal?
Em torno dessas transformações residem inúmeras questões que implicam diariamente com o potencial de desenvolvimento dos diversos territórios, seja pelos níveis de planeamento conjunto determinados, pelo acesso a diferentes níveis de financiamento, pela partilha de investimentos, recursos e serviços, pelo diversificado grau de competências assumidas (quer no sentido da base para o topo, quer no sentido inverso) entre tantos e tantos aspectos que condicionam o âmbito e os resultados da gestão pública desses territórios.

Se olharmos, de forma particular, para os resultados e benefícios da participação de Braga nesses diferentes níveis de cooperação, verificamos seguramente que nos fica um amargo sabor ao tanto que ficou por cumprir.
E se, nalguns casos quase de forma coerciva, acabaram por se conseguir alguns mas diminutos resultados no domínio cultural, da protecção civil, das políticas energéticas, das comunicações, da valorização ambiental, da promoção turística ou do estudo de soluções de mobilidade, é quase interminável o rol de áreas e iniciativas em que essa mesma cooperação podia e devia ser aprofundada.
Pelo contrário, registámos o cinzentismo da Associação e CIM Cávado, o descalabro do Quadrilátero Urbano, o nado-morto que foi a Grande Área Metropolitana do Minho ou o fogacho que foi a Plataforma Minho (em que os principais motores acabaram por ser as Instituições de Ensino Superior e as Associações Empresariais).
E, no que concerne à responsabilidade directa e exclusiva da Câmara Municipal de Braga, o que dizer do seu distanciamento do Eixo Atlântico ou da demissão de intervenção pública sobre os vários assuntos que relevam para a Região Norte ou para a Euro-Região?
E quantos dos ensinamentos das sucessivas participações do nosso edil no Comité das Regiões foram replicados no dia-a-dia da gestão municipal das últimas décadas?
E, com uma política quase ostensiva de esconder braga “debaixo do tapete” podemos depois questionar o recorrente desprezo a que são votados alguns dos momentos maiores da nossa afirmação e identidade comunitária?

Indiscutivelmente, um dos desígnios que Braga deve prosseguir no horizonte próximo é precisamente esse de assumir as suas responsabilidades para lá das suas próprias fronteiras.
De saber protagonizar projectos mobilizadores dos territórios envolventes que sejam capazes de captar o interesse e o investimento das diferentes contrapartes externas, públicas e privadas.
De querer partilhar recursos e serviços para que daí resulte um benefício directo para o conjunto das populações nas mais diversas áreas de actuação da esfera (supra)municipal.
De se comprometer com um verdadeiro planeamento integrado que confira racionalidade à organização do território e aos investimentos a realizar.
De saber projectar a imagem, as marcas e os projectos desta região e deste concelho, colocando-os nos referenciais de boas práticas internacionais, pela inovação, pela criatividade, pela sustentabilidade, pela capacidade de agregar as comunidades e as instituições e pelos ganhos económicos gerados.
De corporizar uma voz vigilante, reivindicativa e activa na defesa dos interesses das populações, contra se necessário as posições de qualquer Governo ou entidade, independentemente dos alinhamentos políticos e partidários de circunstância. 

Em suma, mais do que assumir qualquer meta quantitativa que possa orgulhar aos espaços ainda em desenvolvimento da União Europeia, Braga tem que conseguir ser maior que Braga.
Porque ao ser verdadeiramente maior que Braga será melhor para todos os Bracarenses e inegavelmente melhor para os nossos vizinhos e para Portugal.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

A irracionalidade dos projectos "A Regenerar Braga"...

http://afinalosglutoesexistem.blogspot.pt/
Ontem, em conversa com um amigo, discutia a falta de racionalidade presente em muitos dos projectos "A Regenerar Braga". O primeiro deles, a renovação do topo Norte da avenida da Liberdade, é o mais paradigmático. Apesar de se tornar esteticamente apelativo, devido ao ritmo das linhas e ao colorido das flores, apresenta um sem número de pecados que fazem ver a ausência de uma reflexão profunda acerca do usufruto do local pelos cidadãos (não é para estes que deve ser feito o espaço público?).
A ausência de sombras, num granito que retém o calor durante o verão, bem como os desconfortáveis bancos de pedra ali colocados são o pecado mais evidente. A falta de espaço de circulação para um cortejo ou outro género de iniciativas são outro dos factores de irracionalidade. Alguém se lembrou que o cortejo das Rusgas no São João é obrigado a percorrer o espaço entre as árvores e as montras das lojas, porque não há um corredor disponível para o fazer? Alguém se lembrou que isto prejudica o brilho das tradições citadinas e o usufruto que se quer de um espaço urbano?
O outro grande e grave problema é o custo da manutenção dos jardins floridos. Nesse sentido, recordo o interessante comentário do Luís Tarroso Gomes a esse respeito. Que empresa andará a lucrar com esta brincadeira que custa aos cofres da autarquia cerca de 140 mil euros/ano?
Se houvesse racionalidade, jamais se promoveria uma renovação com custos de manutenção deste género.

O maior espaço verde de Braga

Pode até parecer brincadeira, mas o maior e mais amplo espaço verde de Braga é este que estamos a ver na imagem acima exposta, e localiza-se no campus de Gualtar da Universidade do Minho.
Separando as mais recentes escolas da UM e os complexos pedagógicos tradicionais, existe um grande relvado, ainda desaproveitado em termos de fruição, mas que se constitui como uma mais valia inequívoca para a saúde mental dos milhares de estudantes e funcionários que fazem da academia bracarense a sua casa.
Um bom exemplo de aproveitamento dos terrenos a bem do interesse público, exemplo esse que bem poderia ser aproveitado pelas entidades oficiais de cada vez que sujeitam a aprovação uma nova urbanização na cidade...

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Um 25 de Abril à moda de Braga

Democracia é uma palavra que deriva do grego (demos + cratos), que significa, de forma simplista, o poder do povo. Se fizermos uma leitura global da história dos povos poderemos perceber uma significativa evolução dos conceitos de poder. Primeiro esteve nas mãos da nobreza, uma elite responsável pela construção das nações, que assumiu o protagonismo do poder diante de outras classes, muitas vezes subjugadas aos seus caprichos. Seguidamente surge a burguesia, nomeadamente a partir do ímpeto revolucionário francês e da evoluída sociedade dos Estados Unidos. Após um período de domínio ditatorial, que conduziu a guerras violentas e a nacionalismos exacerbados, surge o ideal democrático nos países ocidentais. Criaram-se partidos políticos de acesso universal, centrados em projectos e ideais muito claros.
Em Portugal a democracia viu a luz há precisamente 39 anos. Desde aí muito se alterou. Os partidos cada vez parecem mais circunscritos a elites familiares e a grupos de interesses. Muitos cidadãos, eivados de vontade de intervir na sociedade, esbarram em círculos fechados e, desiludidos, colocam-se à parte. O abstencionismo cresce, perante os sinais exteriores de riqueza de alguns políticos, que antes da sua intervenção pública eram pouco mais que remediados. Muitos políticos, detentores de cargos públicos, agem perante o erário público, perante o que é propriedade de todos os cidadãos de um país ou autarquia, como se fossem 'donos' dos respectivos pelouros. Muitos não ouvem os apelos dos cidadãos, exultando de arrogância e insensibilidade.
Porém, os cidadãos parecem forçar a uma nova era democrática. Fartos dos vícios dos partidos, começam a gerar movimentos cívicos, que levam a cabo acções de esclarecimento, manifestações e exigem, junto dos poderes públicos, o que entendem ser construtivo. Os partidos, porém, parecem continuar apáticos perante esta mudança efectiva de postura de muitos cidadãos. Quanto maior for a arrogância ou o distanciamento dos partidos políticos dos respectivos cidadãos, maior vigor terá a cidadania. Os partidos têm inevitavelmente que se abrir à sociedade...
Em Braga observamos intervenções em espaços públicos, partindo de projectos elaborados sem escutar os cidadãos que habitualmente deles usufruem, que provocaram inúmeras manifestações cívicas ao longo do último ano. Graças à intervenção dos cidadãos, as Sete Fontes puderam estar a salvo de interesses pouco claros e, até, de uma variante que iria dizimar toda a sua envolvência. Graças à ação de cidadãos e, neste caso de alguns partidos, o negócio dos parcómetros foi um fiasco e as intenções iniciais da autarquia - sob a capa de um edital afinal em vigor - acabaram por desmoronar-se. Foi também devido à intervenção de cidadãos e associações que um equipamento importante para a vitalidade do município não foi parar a Real, mas pode afinal ficar localizado no centro: a Pousada da Juventude...desde que naturalmente livre de outras motivações. Não falemos, então, da renovação do Campo da Vinha em 1995...
Hoje, a Câmara Municipal já não pode fazer o que quer sem que os cidadãos se manifestem. Que atrevidos, estes cidadãos? Já não se pode ser político e fazer o que se bem entende dos espaços que são de todos!
Mais do que uma atitude populista, trata-se de um sinal da vitalidade democrática. Venham mais, venham mais, porque o povo é quem mais ordena dentro de ti, ó cidade.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Cidadania Activa ou preconceito anti-direita?

A corrida à Câmara Municipal de Braga vai aquecer sobremaneira com a nova lista
Ficamos ontem a saber que, na próxima sexta-feira 26 de abril, um conjunto de cidadãos bracarenses vão apresentar um projecto de cidadania activa, que poderá constituir-se como uma lista à autarquia, provavelmente com a desistência do Bloco de Esquerda a seu favor. Os nomes subscritos, muitos deles perfeitamente alinhados com o Bloco de Esquerda, fazem desconfiar à partida da intenção cívica desta lista. Pretendem candidatar-se à Câmara ou simplesmente sufragar a candidatura do Bloco de Esquerda, numa espécie de união de descontentes dos partidos de esquerda?
O mais incrível deste auto-denominado projecto de cidadania activa é dizer-se que não se revêm nas candidaturas apresentadas, quando nem sequer esperaram pela revelação das listas a sufragar e dos projectos e ideias veiculados pelas candidaturas partidárias.
Será que o preconceito contra os partidos que representam o espectro do centro-direita português é assim tão significativo que impeça de ver que o resultado desta "revolta" é a continuação da actual situação que o município atravessa? Não perceberão que a única alternativa viável ao actual poder é a coligação Juntos por Braga e fazem birra por não conseguirem ser eles a governar a cidade?
Esta lista de cidadãos, onde estão muitos dos históricos adversários das políticas mesquitistas, pode apenas contribuir para o prolongar do pesadelo que os próprios denunciaram. Uma coisa é discordar do perfil dos candidatos e das suas opções pessoais e forma de liderança, outra coisa é não enxergar o óbvio e lutar contra o fantasma de uma bipolarização evidente em que de um lado está uma candidatura que nunca teve o benefício da dúvida dos bracarenses - para permitir juízos posteriores - e do outro está uma candidatura que representa 37 anos de liderança, com tudo o que de bom e horrível trouxe ao nosso município. A respeito das alternativas ao actual poder cabe-me citar uma interessante reflexão do meu amigo Pedro Morgado, escrita em vésperas das últimas autárquicas.
Contributos para o debate, sim, são bem vindos. Críticas pouco construtivas e birras pessoais, penso que em nada ajudam a nossa cidade e o seu crescimento como comunidade. 2013 é uma oportunidade única de mudança para o nosso município. É lastimável que tanta gente, a quem Braga muito deve, não o entenda! Se por causa desta presumível lista independente do Bloco de Esquerda o Partido Socialista continuar no executivo, então qualquer um dos nomes que a sufragou perderá qualquer credibilidade para criticar o futuro executivo. No fundo, pode ser esta lista o grande impedimento para a mudança.
Esperemos que não...

terça-feira, 23 de abril de 2013

A sombra que o PS Braga persegue...

Hoje poucos terão ficado indiferentes ao suplemente especialmente dedicado à Câmara Municipal de Braga publicado na edição do Correio do Minho. Este suplemento, que mais parecia uma acção de propaganda, deixou a nú, uma vez mais, a colagem de Vítor Sousa a Mesquita Machado.
Independentemente do suplemento ter sido ou não financiado pela autarquia - o que não acrescenta muito à atual situação do Correio do Minho, que recorrentemente tem publicidade de página inteira das empresas municipais - o dado maior a ter em conta é o facto do candidato socialista insistir na necessidade de colar a sua imagem à de Mesquita Machado. Muitos socialistas bracarenses desejariam o inverso, na senda de uma renovação dos quadros e das ideias.
Portanto, mais um dado para os bracarenses terem em conta na altura de depositarem o seu voto.

Braga e o Dia Mundial do Livro

Por todo o mundo hoje se celebra o Dia Mundial do Livro. Este dia, originário na Catalunha, estendeu-se  atodo o mundo por deliberação da UNESCO em 1995. Foi instituído a 23 de abril como o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor, em virtude de a 23 de abril se assinalar o falecimento de outros escritores, como Josep Pla, escritor catalão, e William Shakespeare, dramaturgo inglês.
Trata-se de um dia oportuno para meditar na relação de Braga com os livros...
Se é certo que a autarquia apoia a edição de livros, que a Fundação Bracara Augusta vai publicando volumes, e que até existe uma Associação de Autores de Braga e uma editorial católica de grande dimensão, chegará este cenário para compor a teia cultural da terceira cidade do país? Não justificaria Braga mais edições centradas na sua identidade? Por vezes vejo interessantes volumes sobre o Porto e a sua história e pergunto-me: não poderia Braga ter editoras que a promovessem desta forma? Não tenho qualquer dúvida que quantos mais livros fossem publicados sobre Braga, as suas tradições, a sua história ou sobre o seu vasto património - sem ser obviamente de teor académico, mas voltados para o grande público - mais livros iriam esgotar rapidamente nas nossas livrarias.
Afinal, os livros não são apenas companhia, bilhete para uma viagem a outras realidades e outros tempos ou fenómeno de sabedoria, os livros são e vão continuar a ser os principais promotores da cultura e da história local.
Não mereceria Braga ter mais editoras e livros sobre a sua identidade?

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Memória Maior: o tempo na praça Municipal

No século XVI (1594)
No século XVIII (1757)
No século XIX (1863)
No início do século XX
Entre 1915 e 1955

Verde: a aspiração maior dos bracarenses

O parque da Ponte, inaugurado oficialmente em 1922, é o único parque da cidade
Na passada quinta-feira, os bracarenses ficaram a saber das pretensões do atual executivo em criar quatro grandes parques verdes na área urbana: Picoto, Sete Fontes, Norte/Estádio e Ferreiros/Lomar. Esta intenção anunciada pelo vereador Hugo Pires, a apenas cinco meses das autárquicas, faz lembrar o anúncio do parque urbano da zona Norte - o novo "Bom Jesus do Monte" - antecedendo as autárquicas de 1997 ou o parque das Sete Fontes, estrategicamente anunciado em 2008.
Se todos sabem que a qualidade de vida na cidade de Braga embate directamente na ausência de espaços verdes, por que só agora, em clima pré-eleitoral se revelam estas intenções?
Nas cidades dos países do centro da Europa é impossível conceber o crescimento urbano sem prever a implantação de grandes áreas de lazer e natureza. Em Braga, cidade que multiplicou a sua área urbana nas últimas quatro décadas, a preocupação foi cimentar e betonizar, permitindo que os promotores imobiliários retirassem o máximo lucro dos terrenos adquiridos. A lógica do interesse público, nesta concepção de cidade, pode ser questionada e posta em causa.
Por isso mesmo, saudando com relativo optimismo esta intenção de construir grandes parques em cada vertente da cidade, é natural que muitos bracarenses estranhem esta conversão do atual executivo, o mesmo que há quase 37 anos gere os destinos da cidade. O parque do Picoto demorou 32 anos a sair do papel e vai ficar prontinho a tempo de se poder dizer que até se construiu um parque na cidade. A renovação das margens do Este, depois de anos de negligência e permissividade, avançou na sequência de legislação comunitária que obriga à renaturalização dos leitos urbanos. O parque da Ponte foi renovado - e muito bem (à excepção da ausência de bancos)! - depois de décadas de abandono.
Com este currículo para apresentar, que credibilidade detêm estas propostas, agora anunciadas?
Será assim tão difícil e dispendioso construir um parque urbano?

Enquanto isso, os bracarenses continuam a ansiar por parques verdes...

sábado, 20 de abril de 2013

Quanto custa fazer um parque nas Sete Fontes?

Algumas dezenas de bracarenses visitaram hoje de manhã o complexo eco-monumental das Sete Fontes. Perante a beleza do conjunto, que reúne mananciais de água, zona florestal e património construído, muitos dos que o avistaram pela primeira vez pediram um parque naquele local.
Não é um devaneio. É uma vontade forte dos cidadãos e uma efectiva possibilidade, assim haja vontade política.
Já não nos contentamos com promessas vãs. É preciso seriedade!
As Sete Fontes têm tudo: água, vegetação, sossego, paisagens, utilidade, história...
Afinal, quanto custa fazer um parque nas Sete Fontes?
40% dos 8 milhões esbanjados nas piscinas olímpicas.
80% do valor dispendido na aquisição da fábrica Confiança.
8% dos 43,5 milhões investidos em relvados sintéticos no município de Braga...

Depois perguntamos: como é possível a terceira cidade do país, com 130 mil habitantes na área urbana, só deter um parque urbano de 5 hectares e inaugurado em 1922?

sexta-feira, 19 de abril de 2013

O novo espaço verde de Braga...

Daqui a uns meses já serão arbustos!!!
É sabido o quanto os bracarenses anseiam por parques verdes, numa cidade demasiado marcada por cimento e alcatrão. Apesar das muitas promessas, elas esfumaram-se sempre em outras prioridades...
No espaço de um século apenas um parque e foi construído quando a cidade ainda detinha cerca de 20 mil habitantes!
Ora, talvez preocupada com este facto, a edilidade deu-se ao devaneio de deixar crescer um jardim suspenso no edifício da Câmara Municipal. Terá a autarquia intenção de rivalizar com os famosos jardins suspensos da Babilónia?

Debate Sete Fontes: duas ausências notórias...

Dada a relevância do debate, Hugo Pires não teria merecido maior solidariedade dos seus pares?
  1. Ao contrário dos dois debates realizados acerca da antiga Saboaria e Perfumaria Confiança, nos quais participou o candidato do PS à autarquia, Vítor Sousa, desta vez os socialistas bracarenses levaram uma reduzida representação. Hugo Pires foi acompanhado apenas pela vereadora Ilda Carneiro e por mais três fiéis colaboradores... Um sinal de fragmentação?
  2. Nenhum jornalista do Correio do Minho se fez representar ontem à noite, ao contrário dos dois ultimos debates, nos quais foi interveniente, entre outros, Vítor Sousa e Ricardo Rio. A RUM e o Diário do Minho, como sempre, não faltaram!

Debate Sete Fontes: a força da cidadania

Apesar de classificadas, as Sete Fontes continuam a estar expostas a agressões
A Braga + e a JovemCoop realizaram, ontem à noite, mais um debate público, desta feita sobre o futuro do complexo eco-monumental das Sete Fontes.
A grande novidade da noite foi o anúncio, pelo vereador Hugo Pires, de que a variante que iria ser construída de acesso à EN 103 já não vai atravessar os terrenos onde assenta este monumento nacional.
Entre outros aspectos abordados, as associações cívicas presentes, nomeadamente a ASPA e os Peticionários pelas Sete Fontes, manifestaram a preocupação para com a construção nos terrenos adjacentes e a demora na salvaguarda do monumento.
Inédita, foi a assunção do erro da autarquia em 2001, quando os terrenos passaram de agrícolas a urbanizáveis. Hugo Pires admitiu que, se fosse hoje as coisas teriam sido diferentes.
O problema é sabermos porque é que efectivamente se libertaram aqueles terrenos para construção...

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Dia Internacional dos Monumentos e Sítios: Torre de Menagem do castelo

MONUMENTO NACIONAL DESDE 1910
É quase só o que resta do antigo castelo da cidade. Localizada no ponto mais alto do burgo medieval, possui um brasão de D. Fernando sobre a porta. O castelo é já referido em documentos dos inícios do século XIV, embora a atual construção tenha sido ordenada após as invasões de 1369. Terá tido seis torres das quais ainda subsistem vestígios. Foi demolido em 1906.

Dia Internacional dos Monumentos e Sítios: Arco da Porta Nova

MONUMENTO NACIONAL DESDE 1910
A Porta Nova foi aberta por D. Diogo de Sousa em 1512 constituiundo-se como uma obra estratégica. A rua do Souto, que rasgava sensivelmente a meio a cidade murada, foi prolongada a ocidente, com a abertura da rua Nova (atual D. Diogo de Sousa), que terminava numa praça onde foi construído um mercado (do peixe), uma fonte e foi aberta uma porta, de forma a ligar este eixo ao exterior das muralhas. Por esta porta ter sido a última a ser aberta, chamou-se de “Porta Nova”. Entretanto, tanto a “pracinha” interior como a porta, foram reformuladas em 1772.

Dia Internacional dos Monumentos e Sítios: Sé

MONUMENTO NACIONAL DESDE 1910
Construída sobre uma antiga basílica paleocristã, a Sé Primaz era o edifício fundamental da cidade medieval. No seu entorno funcionava toda a vida da cidade, ocupando desde o século XIV uma posição central na configuração da Braga medieval. Sagrada solenemente no ano de 1089, foi sofrendo as alterações típicas de cada época, que a enriqueceram e deixaram marcas. O que resta de medieval são os modilhões do lado sul, a porta do sol, as duas arquivoltas da porta principal, o absidíolo de Santo Amaro, para além de toda a estrutura das naves interiores. A capela dos Reis e da Glória mantêm também a primitiva configuração gótica. Um dos seus maiores tesouros é o órgão de tubos, datado de 1737 e entalhado por Marceliano de Araújo. A sacristia, saída das mãos do arquitecto real João Antunes, nos finais do século XVII, também mereceria uma visita demorada.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Falar de Braga...sempre!

Falar de Braga é um dos motivos deste blogue e, de certa forma, promover as nossas heranças comuns. Ontem, no seu habitual espaço de opinião no Correio do Minho, o Ricardo Silva sublinhou a missão do Braga Maior, pelo que muito agradecemos e nos motiva a continuar a promover Braga e as suas causas.
Obrigado JovemCoop! Obrigado Ricardo! É desta permuta de conhecimento que podemos dar contributos para a Braga do futuro que tantos bracarenses desejam.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Praça Municipal: o antigo campo dos Touros


A praça Municipal, mais conhecida como praça do Município, é um dos mais nobres espaços urbanos de Braga. Deve o seu nome ao facto de aqui se localizar, sensivelmente desde 1754, o edifício do Senado Municipal, outrora sediado defronte da Sé, num edifício tardo gótico, demolido em 1769.
Esta praça, que nasce nos antigos terrenos do paço dos Arcebispos, foi mandada abrir pelo arcebispo D. Frei Agostinho de Jesus, no final do século XVI. Aliás, no famoso mapa de Braga referente ao ano de 1594, a praça Municipal já aparece definida com a atual área. Na mesma cartografia está gravada a inscrição latina “Campus Archiepiscopi ubi ludi equestres exercentur”, que quer dizer “Campo do Arcebispo, onde se realizam jogos equestres”. Este dado indicia, não apenas a sua primeira denominação – Campo dos Arcebispos – como também a sua funcionalidade: a realização de jogos equestres. Teria, portanto, nos seus limites, cavalariças, conforme nos confirma o cronista bracarense Inácio José Peixoto século e meio depois, e também um forno destinado ao fabrico do “pão dos pobres” e para os “oficiais da fornaria”.
A partir do momento em que passa a ser utilizado como espaço público, esta praça permitia o acesso direto ao Campo da Vinha, a partir do postigo de Santo António, que se situava a limitar a rua homónima hoje existente. Esta passagem das muralhas fernandinas, demolida na primeira metade do século XIX, foi construída presumivelmente para permitir uma ligação direta entre o antigo Seminário de S. Pedro, localizado no Campo da Vinha, e o interior da cidade.
Vai ser, todavia, com a chegada de D. José de Bragança, arcebispo entre 1741 e 1756, que este espaço vai ganhar importância, tornando-se, por esse tempo, na mais importante praça da cidade, por nele serem instalados os dois edifícios referência do poder: o Palácio do Arcebispo (1751) e a Câmara Municipal (1753-55). Estes dois exemplares barrocos saíram do génio de André Soares, o arquiteto do Minho que vai marcar, para sempre, a fisionomia desta praça. Era uma praça barroca por excelência!
Ao contrário do que se costuma dizer, não foi este prelado quem trouxe de Lisboa a tradição das touradas. Inácio José Peixoto, seu contemporâneo, desfaz este mito.  A designação desta praça como Campo dos Touros é anterior à chegada deste prelado. As corridas de touros já se efetuavam em Braga, pelo menos desde o século XVI, sendo um evento obrigatório na maioria dos festejos estatutários da cidade. Isso mesmo confirmam as atas do Senado, referentes ao último quartel do século XVI. Por tradição sabemos que era nesta praça que se realizam as mesmas corridas, e daí o nome popularmente corrente de “campo de touros” ou “campo dos touros”, como vem referido no Mapa de Braga Primaz, do ano de 1755.
Neste mapa, importante documento para percebermos a fisionomia deste espaço urbano, podemos percecionar com nitidez os edifícios que compunham o seu lado norte, apresentando-se com uma interessante configuração completada com galerias nos pisos térreos. Estes espaços, curiosamente, foram mandados fechar pela autarquia no século XIX. Segundo nos informa Inácio José Peixoto, durante a prelazia de D. José de Bragança estes edifícios foram construídos para acolher familiares do arcebispo, que terão permanecido na cidade após a sua morte. Mais tarde, D. Frei Caetano Brandão vai ocupar uma das habitações para instalar aquela que foi a primeira versão do colégio dos órfãos de S. Caetano, hoje em Maximinos. Infelizmente das construções do lado sul da praça pouco se sabe, apesar de ainda hoje apresentar algumas marcas setecentistas.
Nos anos seguintes um outro dado vai marcar decisivamente o futuro deste espaço urbano. Segundo se supõe, por intermédio do arcebispo D. Gaspar de Bragança (1758-1789), que mandou demolir os alpendres onde se efetuava o comércio na cidade, decidiu reunir na praça Municipal os vários mercados existentes pela cidade. À exceção do peixe, que vai ficar instalado junto à fonte da Cárcova (largo de S. Francisco), os restantes géneros vão passar progressivamente a ser comercializados nesta praça, que se transforma num grande mercado ao ar livre, confirmando a sua importância no quotidiano dos bracarenses. Nesta sequência, em 1878 vai ser-lhe acrescentada uma cerca e um pavilhão, e, a partir de 1915, vai entrar em funcionamento um mercado coberto, que perdura até 1955.
Em 1866 um terrível incêndio vai consumir a quase totalidade do antigo palácio mandado edificar por D. José de Bragança, onde estava instalado, à época, o Governo Civil. Desde aí a ala norte e central deste edifício barroco vão apresentar-se arruinados, até que o Estado Novo vai empreender a reconstrução total do antigo paço arquiepiscopal. A praça era ainda marcada por um espaço de culto, dedicado a Santo António e que era muito frequentado. A capela de Santo António da Praça, que se localizava no topo oriental desta praça, vai ser desmantelada em 1949, para permitir a abertura da atual rua Eça de Queirós. Esta devoção foi entretanto transferida para uma capela lateral da igreja do Pópulo.
A praça teve, ao centro, durante mais de dois séculos, uma fonte barroca, que hoje está colocada na praça do Comércio, no interior do atual mercado municipal.

Em 1915, sendo presidente da câmara Lopes Gonçalves, após a demolição do antigo pavilhão, foi construído um grande mercado coberto em ferro, da autoria de João Moura Coutinho, o “arquiteto” que projetou o Theatro-Circo, o Banco de Portugal, o Turismo ou a fachada da igreja do Carmo. Apesar de ser um exemplar arquitetónico muito interessante, o mercado não se enquadrava na praça, dado que reduziu um espaço urbano de particular beleza, a quatro ruas, definidas pelos limites do mercado. Este facto, talvez, tenha precipitado a sua demolição e posterior transferência para um novo edifício na praça do Comércio, inaugurado em 1955. Após esta data, foi devolvida a dignidade à praça Municipal. O espaço ajardinado atual data dessa data, sendo que a atual configuração deriva da colocação da fonte do Pelicano em 1967, chafariz joanino que pertenceu ao antigo paço arquiepiscopal e que chegou a estar no parque da Ponte, colocado ao centro em substituição do mastro onde era colocada a bandeira da cidade.