sexta-feira, 12 de abril de 2013

A página de glória do Sporting Clube de Braga

Depois da Taça de Portugal, o Braga conquistou a Taça da Federação (1977) e a Intertoto
Foi no dia 22 de Maio de 1966 que o Sporting de Braga conquistou um feito memorável na história do clube e da própria cidade. Não mais o Sporting de Braga conquistou este troféu, apesar de ter almejado três presenças em finais da Taça de Portugal das quais saiu derrotado: 1977 contra o Porto, 1982 contra o Sporting e em 1998 contra o Porto novamente. O argentino Perrichon marcou o golo solitário que valeu uma Taça. O prémio a distribuir pelos jogador foi, imagine-se, de 13.200 escudos! Mas mais impressionante que a vitória na final contra o Vitória de Setúbal foi o percurso durante a prova. O Braga eliminou a Ovarense (5-2), o Atlético (3-2), o Lusitânia (3-0 e 3-2), o Benfica de Eusébio que foi copiosamente goleado em Braga por 4-1 e finalmente, para coroar a caminhada, obrigou o campeão nacional desta época, Sporting, a terceira partida na qual o Sporting bracarense saiu vencedor com um golo do inevitável Perrichon. Na final o clube tinha pela frente o quinto classificado da liga, o Vitória de Setúbal, que era também o detentor do trofeu uma vez que o havia vencido no ano anterior com um resultado de 3-1 contra o Benfica. Temível, por isso, o adversário do Sporting de Braga. Para aumentar os receios os arsenalistas, décimos classificados da 1.ª divisão, haviam sido goleados por 7-0 pelo Vitória de Setúbal num jogo a contar para o campeonato. Apesar de tudo os bracarenses mobilizaram-se e foram, em autêntica romaria, ao estádio do Jamor. A assistência contava 35 mil espectadores estando os sadinos em maioria, facto que se compreende uma vez que Setúbal ficava bem mais perto de Lisboa do que Braga, isto para além de toda a imprensa desportiva considerar o Vitória de Setúbal favorito. O povo de Braga, tipicamente minhoto, não deixou de acreditar que poderiam estar perto de assistir a uma tarde de glória para o seu clube. O treinador do Sporting de Braga, Rui Sim-Sim, apresentou os seguintes jogadores em campo: Armando na baliza; Mário, Juvenal, Coimbra e José Maria na defesa; Canário e Luciano no meio-campo; e Bino, Adão, Perrichon e Estevão no ataque. E foram estes os heróis que entraram na história do clube. Quando já faltavam poucos minutos para o final, estando o jogo empatado sem golos, eis que surge o muito esperado golo da autoria do avançado Perrichon. Os bracarenses presentes no estádio rejubilaram. Na cidade de Braga escutava-se o relato. Imaginem-se os saltos de indescritível euforia que cada bracarense terá dado ao escutar: “é golo do Braga”. O jogo chegava ao fim com a sensação de se ter escrito uma página de ouro na história da cidade. O capitão da equipa arsenalista, Canário, recebeu a Taça de Portugal das mãos do próprio Presidente da República, o Almirante Américo Tomás. Depois foi a festa. Na cidade de Braga preparava-se a recepção à equipa. As pessoas sentiam que o feito conseguido era realmente de enorme dimensão. Além da conquista da Taça de Portugal o Braga ganhava o direito de participar pela primeira vez numa prova europeia, a Taça das Taças. Os jogadores do Braga foram recebidos em ambiente de verdadeira euforia, tendo sido trazidos em carro aberto, desde Ferreiros até à Praça do Município, onde foram recebidos solenemente na Câmara Municipal. O ambiente nas ruas era de alegria incontida. Todos os bracarenses acenavam com bandeiras, aplaudindo e gritando. De seguida os jogadores seguiram para a sede do clube, então sediada ainda no Campo da Vinha. Lá seguiu-se mais uma manifestação de homenagem da parte dos orgulhosos cidadãos. Todos os trofeus conquistados pelo clube foram exibidos nas janelas do edifício. Braga demonstrava todo o seu fervor clubístico. Este dia foi, sem dúvida, um dos dias de maior união do povo bracarense. A Cidade Augusta mostrou ao país o imenso orgulho que todos temos por partilharmos esta que é a cidade de todos nós. Mais tarde a equipa fez uma digressão a África onde teve direito, mais uma vez, a recepções calorosas. O prestigio do clube ia-se espalhando. Todos recordam a magnifica visita a Luanda onde o Sporting de Braga pode reviver um pouco do ambiente vivido em Braga. Fechamos este texto recordando palavras de um jornal desportivo, que relatava o feito obtido pelo clube bracarense: “...o momento grande e máximo quando o povo salta para o campo e é enorme o seu fervor contam a vitória do Sporting de Braga na Taça de Portugal. Que mais admirar? A mancha de público que exibe a sua esperança? O salto vibrante de Armando? A presença honrosa do Chefe de Estado a entregar as medalhas e, depois a Taça ao feliz Canário, capitão dos bracarenses? ”. Esperamos, um dia, voltar a reviver estes momentos. Temos estado perto... até de troféus bem maiores do que a Taça de Portugal. Força Braga!
Amanhã pode ser mais um dia para a história!

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