domingo, 28 de abril de 2013

A principal avenida de Braga

© Arquivo Aliança
Remontando talvez à Idade Média, a principal avenida de Braga obedece ao traçado da antiga estrada para Guimarães que, saindo da antiga Porta do Souto se encaminhava irregularmente para Sul em direcção ao rio Este. Esta artéria já aparece representada no famoso Mapa de Braga de 1594 dividida em três ruas diferentes que se sucediam. As ruas que deram origem à actual avenida eram de traçado irregular, bastante apertadas e de forte inclinação. A primeira era a rua de Ágoas que, partindo do antigo Campo de Santana (avenida Central), terminava junto à antiga igreja de S. Lázaro. A seguinte artéria era a rua de S. Lázaro que se estendia até um pouco mais abaixo. Seguia-se, até ao terreiro de S. João da Ponte, precisamente a rua da Ponte que, tal como o nome indicia, culminava na antiga ponte medieval que fazia o trânsito para Guimarães. A unificação das três ruas apenas se dá no inicio do século XX e em diversas fases, só ficando concluída em definitivo com a demolição da antiga igreja de S. Lázaro em 1976. 
A construção da avenida da Liberdade estava prevista num projecto opulento, que os políticos bracarenses do inicio do século passado queriam concretizar. Esse projecto previa a construção de uma grande avenida que ligasse o Cemitério ao Parque da Ponte. Todavia só foi conseguido iniciar o traçado desta avenida a partir do Campo de Santana em direcção a Sul. 
Durante as primeiras duas décadas do século XX iniciou-se o processo de alargamento partindo da arcada, sendo então construídos diversos edifícios de qualidade acentuada entre os quais se destacam o Teatro- Circo (1915). Mais lentamente decorreu o restante alargamento até ao terreiro de S. João da Ponte. O inicio do projecto esteve, desde logo, rodeado de enorme polémica devido à demolição do Convento dos Remédios, ocorrido em 1911, cuja Cerca ocupava a posição noroeste da nova avenida. Até à proclamação da República, em 1910, à nova artéria, ainda em fase inicial de execução, foi atribuído o nome de avenida do Conselheiro João Franco, o chefe do governo monárquico de então, facto ocorrido em 1903. 
Entretanto o restante alargamento da nova avenida foi sendo feito lentamente, sendo de notar que os edifícios do lado Nascente são de construção mais tardia em relação aos do lado Poente. Foram então sendo construídos diversos blocos habitacionais, já nos anos 30 e 40 do século passado, destacando o interessante conjunto de edifícios construídos sob a égide da Federação das Caixas de Previdência, situado desde a rua 25 de Abril até à avenida Imaculada Conceição, da autoria do arquitecto Teotónio Pereira. No final da década de 50, já a avenida da Liberdade se apresentava constituída até ao Parque da Ponte, sendo acelerado este processo devido, provavelmente, à construção do estádio 1.º de Maio em 1950, como o comprova o facto da ponte construída no século XIX ter sido significativamente alargada neste período sendo, como que, o ponto culminante da construção desta artéria. Todavia o alinhamento dos edifícios ainda não era efectivo. Muitos prédios desalinhavam-se ao longo do percurso, especialmente do lado Nascente. No lado oposto, o único foco de desalinho, era a igreja de S.Lázaro. O processo de acerto e alinhamento, digamos, da avenida da Liberdade só ocorre nos anos 70 e 80 com a construção dos últimos edifícios e com a edificação do Centro Comercial dos Granjinhos e consequente demolição da igreja de S.Lázaro, ocorrida em 1976 como já foi referido. 

Hoje esta avenida é, sem dúvida, a principal avenida da cidade local privilegiado das festas da cidade, que são vividas de forma mágica nesta avenida, completamente decorada e ocupada de inusitada feira popular em direcção ao arraial de S. João da Ponte. Ontem eram os Arcebispos que, em direcção à sua devesa, onde tinham uma residência de verão, atravessavam todo o curso desta avenida, hoje são os bracarenses que a sobem e descem com frequência. Não custa nada imaginar o sorriso dos prelados que, confortavelmente instalados na sua carruagem, seguiam rumo à quietude que alcançavam junto às serenas margens do rio Este. Hoje são os bracarenses que querem sorrir ao deleitarem-se no parque urbano da Ponte onde o sossego é algo de misterioso, tendo em conta os energúmenos que com assiduidade o frequentam.
Destaca-se nesta avenida a notável acção do arquitecto Moura Coutinho, cuja obra marca todo o primeiro quartel do século XX em Braga. Todas as obras destacadas desta época saíram das suas mãos. Basta recordar o Banco de Portugal (1921), a fachada da Igreja do Carmo (1907), o Lar Conde de Agrolongo (1912), mas foi na avenida da Liberdade que o seu génio se elevou. O Theatro Circo (1915) é, indubitavelmente, a sua maior obra. Mas todos os edifícios significativos que encimam esta avenida são da sua autoria. Recordem-se o edifício da farmácia Brito, o desaparecido Hotel Aliança, o edifício do antigo Café Cinelândia. Ainda de destacar na avenida da Liberdade é o edifício do Turismo, também de Moura Coutinho, edificado em 1937; o edifício dos Correios, de elegante e inédito traço, saído das mãos do engenheiro Francisco Henriques, cuja construção decorreu desde 1916 até 1932 e ainda o edifício da Ford saído das mãos do mesmo arquitecto que concebeu o Estádio 1.º de Maio e o antigo Café Avenida- João Simões, que remonta aos anos 40. Destaque-se por último o monumental edifício do Hotel Turismo, que marca toda a avenida, construído nos anos 70.  
 A denominação de avenida da Liberdade adoptada em 1910, não foi sempre permanente, uma vez que desde 1935 e até 1974, a toponímia foi alterada para avenida Marechal Gomes da Costa, regressando ao nome original após o 25 de Abril.

1 comentário:

  1. Lembre-se que ela cruza a Via XVII, passando por cima da necrópole de S. Lázaro. E que a parte sul assume o antigo Itinerário para Mérida, que saía pela porta sudeste, e que seguia pela actual Nacional 309.

    ResponderEliminar