quarta-feira, 3 de abril de 2013

A qualidade dos projectos "A Regenerar Braga"

© Fórum Bracarae
No passado domingo de Páscoa o largo da Senhora-a-Branca acordou com uma parte dos seus novos candeeiros decapitados. Dias antes um autocarro ficou preso num buraco provocado pela fractura das novas lajes do largo dos Penedos... Os projectos "A Regenerar Braga" aprovados em 2008 e com financiamento europeu estão longe de gerar consenso, apesar de poderem ser efectivamente uma mais valia para a cidade. Tratar-se-á de uma oportunidade perdida com custos acrescidos para o futuro?
Se alguns dos projectos estão efectivamente bem conseguidos - como os novos relvados da avenida Central em detrimento dos desusados arbustos, a transferência da fonte das traseiras da Senhora-a-Branca para o seu lugar original ou a manutenção dos candeeiros e o aspecto geral no novo largo Carlos Amarante - já alguns dos projectos e, mesmo, algumas das opções arquitectónicas são muito questionáveis.
Um dos grandes problemas dos projectos "A Regenerar Braga" foi a habitual falta de discussão pública e envolvimento da população nos mesmos projectos. As queixas são inúmeras, a maior parte com razão. Um arquitecto fechado num gabinete não pode prever todo o tipo de situações que envolvem o quotidiano de quem utiliza os espaços, os principais fluxos de movimentação ou a necessidade de fruição que é suposta num espaço público.
Erros crassos como os famosos e discretos mecos colocados no largo Carlos Amarante, a separar o pespaço de circulação dos automóveis e dos peões (estranhamente colocados ao mesmo nivel!); como a curva apertada do largo da Senhora-a-Branca que obriga os pesados a galgarem o passeio; como os bancos da avenida Central voltados para o estacionamento, em vez de estarem voltados para um jardim; como as lajes de granito frágil e claro, que efectivamente não servem para servir de piso para automóveis; como o estranho arranjo do topo oriental da praça do Município; ou como os pétreos e desconfortáveis bancos sem encosto colocados em muitas das artérias renovadas, são a prova de uma falta de sensibilidade, que poderia ser colmatada se o processo tivesse sido dialogado q.b. e com uma equipa de trabalho que fosse suficientemente completa para prever os probelmas entretanto detectados.
Os sinais da falta de qualidade dos projectos são demasiado evidentes, ainda antes de muitos estarem concluídos e inaugurados! Perante isto, apenas uma atitude de humildade da autarquia, reformulando muitos dos espaços, pode garantir o sucesso desta tão propalada regeneração urbana...

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