quinta-feira, 11 de abril de 2013

A terceira cidade portuguesa em 1900...

 
«No fim do século XIX só havia três cidades com mais de 20 mil habitantes: Lisboa, Porto e Braga, e uma grande parte da urbanização que ocorreu no século XX consistiu no crescimento de povoações na área próxima de influência desses centros»
Rui Ramos, "Compêndio da História de Portugal"

5 comentários:

  1. O argumento usado pelo autor para justifcar esta posição é contraditório e baseia-se unicamente no número de habitantes. O mesmo argumento que serviu para descredibilizar Sintra, Setúbal, etc.

    Coimbra foi até à segunda metade do século XX a terceira maior e mais influente cidade do país.

    Enquanto a cidade fervilhava de cultura (cantautores como Zeca Afonso e a sua geração passaram por lá) Braga era uma aldeia grande.

    Enquanto Braga ia à fonte buscar água, Coimbra bebia na fonte da sabedoria com uma universidade que Braga não tinha.

    Coimbra deu ao país muitas mais personlaidades ao país e ao mundo do que Braga, fruto do seu conhecimento.

    Coimbra, em termos turísticos, sempre bateu Braga por larga margem, especialmente pela sua localização central.

    Braga só começou a ser falada com Mesquita Machado, bem ou mal.

    Até lá era uma arcada e uma avenida, nada mais.

    Os censos históricos não mostram a população estudantil flutuante e por mais posts que o blogger faça, há factos que não se desmentem.

    Braga agora é a terceira cidade do país. Agora!

    Recue mais uns séculos e verá que Coimbra foi capital do reino (até fica mal a um historiador não referir isto), e o facto de ter menos habitantes, mesmo nessa altura, não lhe tirou centgralidade e importância. Mesmo assim foi capital.

    Dizer que Coimbra tem menos cultura que Braga é de rir. Coimbra foi a primeira cidade capital da cultura nacional e é reconhecida mundialmente como a cidade do conhecimento. Em termos monumentais é ela por ela, mas tem seguramente museus mais visitados.

    Coimbra foi um marco na luta contra o antigo regime, enquanto Braga fundou o antigo regime.

    Por mais artigos que faça com número de habitantes há coisas que têm de ser explicadas, especialmente por um historiador.

    Pergunte a qualquer pessoa entendida quem é que teve mais influência como cidade até ao século XX. Especialmente no século XX. Espero que publique o meu comentário. João Fernando Lopes

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  2. Caro anónimo,
    Braga já foi considerada diversas vezes a terceira cidade do país, não apenas agora.
    Quanto ao riso cultural, pergunto-lhe se já viveu em Coimbra para saber o que lá se faz. Eu já lá vivi dois anos e sei perfeitamente do que falo, a começar pelas infraestruturas culturais. Bem ou mal, Braga está muito à frente no que concerne a este aspecto. Coimbra está praticamente reduzida à Universidade. Braga também tem Universidade e curiosamente tem sido mais reconhecida que Coimbra nos últimos tempos.
    É verdade que Coimbra foi capital de Portugal algures na primeira dinastia. Mas Braga foi a cidade maior e mais importante do atual território nacional durante quase cinco séculos, desde capital da Galécia até capital dos Suevos. Quando Portugal nasceu, era, segundo José Mattoso, uma das principais cidades em tamanho e número de habitantes, a seguir a Lisboa e Coimbra. Se quisesse ir tão atrás, Braga não ficaria a perder...
    Quando à menorização que faz da cidade no século XX, está longe de ser real e verdadeira. Braga não era apenas a Arcada e a avenida, mas sempre se destacou em termos nacionais.
    Não sei se Braga era símbolo ou não do antigo regime. Felizmente, não era ícone da maçonaria e aolheu com entusiasmo a democracia, a ponto de ter sido decisiva para evitar uma ditadura comunista...

    PS - Preocupe-se mais com a sua cidade, e como evitar a perda de população, na ressaca da Capital da Cultura... Eu sei que vocês não gostam muito de viver ao lado da terceira cidade do país. É a vida! Há que aceitar e conviver com a realidade.

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  3. Como historiador não sabe o contributo de Braga para o antigo regime? Fica-lhe mal. Braga contribuiu para quê? Braga foi uma vergonha no prec. Sedes incendiadas e pessoas violentadas pela elite que mais parecia saída da inquisição.
    Toda a sua resposta vem ao encontro daquilo que eu disse: Braga ultrapassou Coimbra na segunda metade do século XX.

    "Braga também tem Universidade e curiosamente tem sido mais reconhecida que Coimbra nos últimos tempos."

    Nos últimos tempos, palavras suas.

    "Quando Portugal nasceu, era, segundo José Mattoso, uma das principais cidades em tamanho e número de habitantes, a seguir a Lisboa e Coimbra"

    A seguir a...Coimbra...mais uma vez deu-me razão quando eu digo que Coimbra esteve às frente de Braga durante séculos.
    Você nem conhece a importância de Beja no ínício da nacionalidade.

    "Quando à menorização que faz da cidade no século XX, está longe de ser real e verdadeira. Braga não era apenas a Arcada e a avenida, mas sempre se destacou em termos nacionais."

    Eu não faço menorização nenhuma no século XX. pelo contrário! É nessa altura que eu digo que Braga se desenvolveu. Mal ou bem mas foi nessa altura. Mas o Rui sabe ler e interpretar ou não?
    E foi com Mesquita Machado, mal ou bem, que Braga se desenvolveu. Você por questões políticas quer falar do melhor de Braga mas esquecendo o período em que a cidade mais cresceu, na segunda metade do século XX. Isto qualquer historiador sabe. Vai ao ridículo de falar no tempo suevo e esquece as décadas de 70, 80 e 90 do século XX. Isto não é próprio de um historiador isento.

    Sobre a cultura, Braga é teatro circo e até famalicão é melhor.

    Mas até isto você tem dito no seu blog. Não percebo porque é que agora vem dizer que Braga tem uma oferta cultural forte quando tudo o que você tem dito é contrário a esta afirmação. Afinal de contas, o engenheiro mesquita desenvolveu a cidade em termos culturais. Isto é o que decorre das suas palavras.

    Preocupe-se mais com a sua cidade? Mais uma coisa em que Coimbra é mais cosmopolita. Braga é provinciana, gente fechada em si mesma, que odeia o que vem de fora. E esse comentário é o exemplo. Coimbra tem gente de todo o país e de todo o mundo por isso a sua elite pensante é mais rica. Como historiador que é, devia saber o contributo dado em Coimbra por autores, poetas, filósofos, juristas, médicos, cantores, etc. Dê exemplos de Braga, contemporâneos. Dê lá. E vem com o clube de futebol da terra. A académica de coimbra é uma escola de desporto. em títulos desportivos mete o vosso clube num bolso. até nisso braga depende do mesquita machado, porque sem ele o Braga era um clube de bairro como o vitória de guimarães. Que variedade desportiva tem o SCB comparado com a académica de Coimbra? Até quando se fala em taça de portugal o braga vendeu a sua, em tempos. A académica enfrentou um regime no jamor. História, amigo, história!

    Braga ulrapassou coimbra, sim, mas na segunda metade do século XX! iSTO SÃO factos históricos. Mas como o Rui não quer admitir que foi com Mesquita Machado que Braga deu o salto, nem vale a pena conversar. E não sou anónimo mas João Fernando Lopes. Espero que publique porque isto de ficar por cima com censuras é coisa feia. Tenho idade para ser seu pai.

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  4. Já tinha idade para aprender a lidar com quem pensa diferente de si e a não recorrer ao ataque pessoal para defender as suas ideias.
    Se incorro na mesma falácia, espero que a idade me auxilie a ser melhor.
    Faça bom proveito com a sua Coimbra, frente a esta Braga que, para si, tem tantos defeitos.
    Quanto à cultura, a única coisa que afirmei foi que Braga é efectivamente melhor que Coimbra neste momento. Não disse que o que se faz é suficiente. Continuo a achar que temos um excelente exemplo de dinamização cultural mesmo ao nosso lado: Guimarães, com o qual temos muito a aprender.
    Saudações bracarenses

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  5. Senhor Anónimo, os bracarenses são provincianos, gente fechada em si mesma? Não sabe o que diz, com certeza. O meu melhor amigo é ucraniano e diz maravilhas de nós. As escolas secundárias estão repletas de alunos eslavos, chineses e brasileiros, que, como sabes, pertencem a culturas extra-europeias (não falando da UM, que a cada ano acolhe mais e mais italianos, holandeses e espanhóis!). Até agora não foram alvos do "nosso ódio pelo que é de fora". Penso que seja o contrário.
    A oferta cultural é um ponto que não posso defender, pois sendo um dos aspetos que mais dou valor, é normal que seja mais exigente. E francamente, o estado da cultura não me satisfaz por estes lados. Mas se considerarmos cultura a grande movimentação do Centro Histórico, com violinistas, russos a tocarem balalaika e estrangeiros a andarem nas bicicletas do "Go By Bike" e no comboio turístico, aí tenho de aprovar!

    Braga é uma cidade com talento e potencial, mas não irá crescer muito mais - aliás, neste país e nos países desenvolvidos, é difícil que aconteça. De qualquer forma, se for requalificada e bem mantida (como Guimarães) é, sem dúvida, uma cidade que dá gosto viver. O mesmo se passa com Coimbra, cidade jovial e formosa, que é impossível criticar. E criticar Braga ou Coimbra é o que acontece quando se quer superiorizar uma da outra. Se criticarmos estas duas cidades quase metropolitanas, então que critiquem as cidades transmontanas, alentejanas ou das Beiras. De certeza que são inferiores. O que eu digo é que quando uma cidade atinge um certo patamar, é mais suscetível a críticas (como em tudo).

    Por isso, senhor Anónimo, não guarde ressentimentos para com Braga, nem adote um bairrismo exagerado ao defender Coimbra. Cada cidade tem os seus encantos e os seus recantos; para a conhecer, é preciso vestir uma pele diferente. Eu sou natural de Braga, e não me revejo nas críticas que lhe faz no meu natural modo de vida. Caso contrário, estaria a ajudá-lo na depreciação da Capital Minhota ou Bracara Augusta, como se quiser.

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