quinta-feira, 4 de abril de 2013

Desabamento em Guimarães: e se fosse em Braga?

© Memórias de Braga (Facebook)
O desabamento que aconteceu em Guimarães questiona seriamente a capacidade dos técnicos das autarquias quanto ao licenciamento de obras e a forma como os PDM's são actualizados. Como é possível construir num terreno sujeito a escorrimentos de água e geologicamente inseguro? Felizmente, em Guimarães não se registaram vítimas e a tipologia de construções existentes no local, não permitiu que as habitações desmoronassem.
Este facto faz-me pensar nas frequentes dúvidas colocadas por entendidos quanto à urbanização do vale de Lamaçães, iniciada nos anos 90, após a construção da circular urbana. Como a foto acima expõe, datada de 1992, a área onde hoje assenta uma vasta zona residencial de Braga, era essencialmente constituída por lameiros onde corriam frequentes fios de água, agora soterrados.
Sabe-se que alguns edifícios apresentam fissuras e que outros estão sujeitos a bombeamentos de água nos seus pisos inferiores. A densidade de construção em algumas áreas é tão excessiva que nos faz questionar sobre a qualidade dos solos onde assentam.
Será que, quando se procedeu à actualização do PDM nesta área, se teve em linha de conta o tipo de terrenos onde foi permitida a construção? Será que não houve qualquer cedência a interesses e pressões imobiliárias? Será que as áreas mais frágeis foram destinadas meramente para espaços verdes?
Esperemos que, um dia, não seja a vez de algo do género acontecer em Braga...
Esperemos também que os responsáveis técnicos da Câmara Municipal de Guimarães, que permitiram aquela construção sejam severamente punidos, para que sirva de exemplo para a negligência que abunda em muitas autarquias do país e para que os chefes de urbanismo que apresentam um património incompatível com os seus vencimentos aprendam a respeitar o bem comum.

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