segunda-feira, 22 de abril de 2013

Verde: a aspiração maior dos bracarenses

O parque da Ponte, inaugurado oficialmente em 1922, é o único parque da cidade
Na passada quinta-feira, os bracarenses ficaram a saber das pretensões do atual executivo em criar quatro grandes parques verdes na área urbana: Picoto, Sete Fontes, Norte/Estádio e Ferreiros/Lomar. Esta intenção anunciada pelo vereador Hugo Pires, a apenas cinco meses das autárquicas, faz lembrar o anúncio do parque urbano da zona Norte - o novo "Bom Jesus do Monte" - antecedendo as autárquicas de 1997 ou o parque das Sete Fontes, estrategicamente anunciado em 2008.
Se todos sabem que a qualidade de vida na cidade de Braga embate directamente na ausência de espaços verdes, por que só agora, em clima pré-eleitoral se revelam estas intenções?
Nas cidades dos países do centro da Europa é impossível conceber o crescimento urbano sem prever a implantação de grandes áreas de lazer e natureza. Em Braga, cidade que multiplicou a sua área urbana nas últimas quatro décadas, a preocupação foi cimentar e betonizar, permitindo que os promotores imobiliários retirassem o máximo lucro dos terrenos adquiridos. A lógica do interesse público, nesta concepção de cidade, pode ser questionada e posta em causa.
Por isso mesmo, saudando com relativo optimismo esta intenção de construir grandes parques em cada vertente da cidade, é natural que muitos bracarenses estranhem esta conversão do atual executivo, o mesmo que há quase 37 anos gere os destinos da cidade. O parque do Picoto demorou 32 anos a sair do papel e vai ficar prontinho a tempo de se poder dizer que até se construiu um parque na cidade. A renovação das margens do Este, depois de anos de negligência e permissividade, avançou na sequência de legislação comunitária que obriga à renaturalização dos leitos urbanos. O parque da Ponte foi renovado - e muito bem (à excepção da ausência de bancos)! - depois de décadas de abandono.
Com este currículo para apresentar, que credibilidade detêm estas propostas, agora anunciadas?
Será assim tão difícil e dispendioso construir um parque urbano?

Enquanto isso, os bracarenses continuam a ansiar por parques verdes...

2 comentários:

  1. Porque é que o meu amigo não se assume como apoiante do Ricardo Rio de uma vez por todas?

    Não acha que seria uma questão de carácter?

    Receia ter algo a perder?

    Assuma-se.

    João Leite.

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  2. Não obstante a descaracterização urbanística evidente de 30 anos de grandes "amizades" políticas, temos de admitir que, felizmente, muito foi feito nos últimos 5 anos pela regeneração de Braga (com alguns erros como é óbvio). Não salva a lista socialista porque há cicatrizes, como a avenida Júlio Fragata, que ficam, mas cria um bom arranque para a renovação política, e de ideais, de que tanto precisávamos. (Hugo Pires, a meu ver, foi um trunfo fresco enorme nesta espécie de revolução - favoritismos à parte).

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