quinta-feira, 25 de abril de 2013

Um 25 de Abril à moda de Braga

Democracia é uma palavra que deriva do grego (demos + cratos), que significa, de forma simplista, o poder do povo. Se fizermos uma leitura global da história dos povos poderemos perceber uma significativa evolução dos conceitos de poder. Primeiro esteve nas mãos da nobreza, uma elite responsável pela construção das nações, que assumiu o protagonismo do poder diante de outras classes, muitas vezes subjugadas aos seus caprichos. Seguidamente surge a burguesia, nomeadamente a partir do ímpeto revolucionário francês e da evoluída sociedade dos Estados Unidos. Após um período de domínio ditatorial, que conduziu a guerras violentas e a nacionalismos exacerbados, surge o ideal democrático nos países ocidentais. Criaram-se partidos políticos de acesso universal, centrados em projectos e ideais muito claros.
Em Portugal a democracia viu a luz há precisamente 39 anos. Desde aí muito se alterou. Os partidos cada vez parecem mais circunscritos a elites familiares e a grupos de interesses. Muitos cidadãos, eivados de vontade de intervir na sociedade, esbarram em círculos fechados e, desiludidos, colocam-se à parte. O abstencionismo cresce, perante os sinais exteriores de riqueza de alguns políticos, que antes da sua intervenção pública eram pouco mais que remediados. Muitos políticos, detentores de cargos públicos, agem perante o erário público, perante o que é propriedade de todos os cidadãos de um país ou autarquia, como se fossem 'donos' dos respectivos pelouros. Muitos não ouvem os apelos dos cidadãos, exultando de arrogância e insensibilidade.
Porém, os cidadãos parecem forçar a uma nova era democrática. Fartos dos vícios dos partidos, começam a gerar movimentos cívicos, que levam a cabo acções de esclarecimento, manifestações e exigem, junto dos poderes públicos, o que entendem ser construtivo. Os partidos, porém, parecem continuar apáticos perante esta mudança efectiva de postura de muitos cidadãos. Quanto maior for a arrogância ou o distanciamento dos partidos políticos dos respectivos cidadãos, maior vigor terá a cidadania. Os partidos têm inevitavelmente que se abrir à sociedade...
Em Braga observamos intervenções em espaços públicos, partindo de projectos elaborados sem escutar os cidadãos que habitualmente deles usufruem, que provocaram inúmeras manifestações cívicas ao longo do último ano. Graças à intervenção dos cidadãos, as Sete Fontes puderam estar a salvo de interesses pouco claros e, até, de uma variante que iria dizimar toda a sua envolvência. Graças à ação de cidadãos e, neste caso de alguns partidos, o negócio dos parcómetros foi um fiasco e as intenções iniciais da autarquia - sob a capa de um edital afinal em vigor - acabaram por desmoronar-se. Foi também devido à intervenção de cidadãos e associações que um equipamento importante para a vitalidade do município não foi parar a Real, mas pode afinal ficar localizado no centro: a Pousada da Juventude...desde que naturalmente livre de outras motivações. Não falemos, então, da renovação do Campo da Vinha em 1995...
Hoje, a Câmara Municipal já não pode fazer o que quer sem que os cidadãos se manifestem. Que atrevidos, estes cidadãos? Já não se pode ser político e fazer o que se bem entende dos espaços que são de todos!
Mais do que uma atitude populista, trata-se de um sinal da vitalidade democrática. Venham mais, venham mais, porque o povo é quem mais ordena dentro de ti, ó cidade.

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