sexta-feira, 31 de maio de 2013

Que as fontes jorrem água!

Não sei bem se terá sido devido aos alertas lançados aqui e em outros mananciais de cidadania de Braga, mas a verdade é que, depois de secas muito longas, as monumentais fontes do centro histórico de Braga voltaram a brotar água.
Se a nossa zelosa autarquia não tivesse permitido os sucessivos abates das canalizações das Sete Fontes, os monumentos de água que existem na nossa cidade não precisariam de esperar tanto para voltar a ver correr o manancial para que foram feitas.
Braga é das poucas cidades do país que tem no centro das suas principais praças verdadeiras jóias do património monumental vinculado ao abastecimento de água.
Saúdamos naturalmente a atenção da Câmara Municipal de Braga.
Oxalá saibamos valorizar sempre as nossas fontes!

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Ventos de mudança em Braga...

Sondagem autárquicas 2013, Diário do Minho/RUM

Braga, a formosa Capital da mais ridente província

Apresentação do programa das festas de São João em 1937, segundo o Correio do Minho:
Braga, a formosa Capital da mais ridente província do País, veste uma vez mais os seus trajes mais garridos para receber com requinte de afabilidade e cortezia os inumeros visitantes, que, em reboada alegre, à alma anisosa de sensações de prazer, aí veem gozar o esplendor das suas Festas – a s de maior fama e mais deslumbrantes que no país se realizam.
Profundamente respeitadora da Tradição, esta vetusta e linda cidade que no país ocupa lugar de superior destaque, quer pela sua importância industrial, comercial e agrícola, quer ainda pelas suas belezas naturais e pelas suas evidentes manifestações de expansão e de progresso, factores estes que lhe afirmam e garantem o justo lugar de Terceira Cidade do País, conquistado à custa do enorme esforço dos seus filhos, vai festejar com um brilhantismo inexcedível o seu tradicional e alegre S. João.

Aí está o São João 2013!

Foi ontem apresentado o programa das Festas de São João 2013, o evento que continua a ser o maior acontecimento da cidade e município. As grandes novidades do programa são o festival áereo, recordando o que sucedeu há precisamente 100 anos atrás, e uma exposição sobre a história de São João da autoria do amigo Evandro Lopes.
O resto do programa cumpre a tradição - e é bom que ela não se perca - e faz das sanjoaninas bracarenses as mais importantes de Portugal. Falta apenas apostarmos mais na promoção externa para transformar as nossas festas no maior evento turístico da cidade. Infelizmente temos a sombra do Porto, mas é perfeitamente possível superá-la. Para isso, temos que apostar nos traços identitários que nos distingue das demais festas.
Por isso mesmo, permitam-me discordar da aposta, na noite de estreia das festas, de um espectáculo de fados. Já no ano passado tinha sido apontado como um dos eventos mais significativos das festas. Ou efectivamente queremos apostar no que é nosso e na originalidade das tradições locais, ou ocupamos o programa com tradições de outras localidades, que não Braga.
Braga é cavaquinhos, folclore, bombos, cabeçudos, música popular, arcos de romaria, santos no rio, Rei David e pastores, procissão e ervas de cheiro!
E os foguetes? Contamos com eles este ano?
É que festa sem o estourar dos morteiros não é festa...

terça-feira, 28 de maio de 2013

Já vais tarde...

O Sporting de Braga chegou hoje a acordo para a rescisão amigável com o homem que se sentava no banco de suplentes da equipa principal de futebol e que costumava intitular-se treinador. José Peseiro vai embora, depois de uma época que não deixa saudades a nenhum adepto arsenalista que se preze.
Deixa atrás de si um triste pecúlio para quem liderou o melhor plantel da história do clube: 47 jogos,  23 vitórias, 8 empates e 16 derrotas, tendo marcado 83 golos e sofrido 61! 
Ganhou a Taça da Liga, mas falhou em toda a linha na fase de grupos da Liga dos Campeões num grupo em que foi sorteado no pote 2 e era favorito aos oitavos de final. Caiu estrondosamente em Guimarães para a Taça de Portugal e no campeonato ficou em 4.º lugar atrás do Paços de Ferreira. Os jogos eram aflitivos, com muitos nervos, demasiadas falhas e uma equipa quase sempre com o credo na boca, mesmo quando ganhava...
Já vais tarde...

O nome mais citado para o substituir é Jesualdo Ferreira, mas Paulo Fonseca também estará a ser equacionado.

Memória Maior: o festival sanjoanino da Avenida


Nos tempos em que a avenida Central ainda detinha o Passeio Público, que perdurou entre 1863 e 1914, as festas de São João tinham aqui o palco privilegiado para as elites, as mesmas que enchiam os hotéis de Braga dias antes dos festejos. 
A comissão de festas não se poupava a esforços para realizar o grande festival nocturno, para o qual concorriam as melhores bandas do país e da vizinha Espanha. Os ingressos eram proibitivos para grande parte da população da cidade, por isso era denominada de festa dos ricos.
As iluminações e decorações também eram encomendadas aos melhores nomes do desenho e ascendiam a custos grandiosos. Por causa desta popularidade entre as elites, a rainha Mãe, D.ª Maria Pia chegou a manifestar a intenção de viver tão auspiciosos festejos.
Após o desmantelamento do Jardim Público, o festival da Avenida continuou, mas acabou por transferir a festa dos ricos para o Bom Jesus, onde se realizaram grandes Verbenas com os principais artistas nacionais, entre os quais Amália Rodrigues.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Mais um atentado contra o património bracarense

Correio do Minho, 27/05/2013
Há escassos dias atrás alertavamos aqui para a necessidade de urgentemente levantarmos a voz pela proteção do palacete Domingos Afonso, edifício do início do século XX saído da inspiração de Ernesto Korrodi. Qual não foi o meu espanto quando, ao abrir o jornal Correio do Minho, me deparo com a notícia da ocorrência de um incêndio atribuído a toxicodependentes. Uma grande coincidência, dias depois de aqui termos alertado para a protecção deste imóvel... É curioso que, em Braga, os toxicodependentes têm as costas largas. Foi a Confiança. Foi as Sete Fontes. E agora o palacete Domingos Afonso. Não me surpreenderia que mais incêndios ocorressem nos próximos meses. Entretanto, alguém me informou que o projecto que prevê a destruição deste exemplar único de Korrodi já foi assinado. Portanto, nada mais há a fazer do que denunciar publicamente mais um atentado contra o património, feito com a conivência da autarquia.
A propósito deste tema, transcrevemos um artigo do saudoso José Moreira, publicado num "Entre Aspas" há precisamente uma década (19/05/2003). Apesar da distância temporal, este artigo está pleno de actualidade:
A demolição continua! E esta uma das verificações mais salientes que se pode fazer ao estado da coisa pública em Braga. Demoliram-se casas que davam à nossa terra uma ideia de um determinado modo de conceber o que era a habitação e o sentido de família que lhe está subjacente! Aonde havia uma concepção de espaço e de liberdade, construíram-se mastodônticos imóveis com capacidade para centenas de famílias, verdadeiros formigueiros humanos, que vieram, além do mais, pôr em cheque o estacionamento e a circulação, empurrando para a massificação o que antes eram zonas de tranquila vida urbana e social.
Foram, mais remotamente, a casa de "brasileiro", que se erguia no topo da Rua Bernardo Sequeira (de nada valeu ao prestante cidadão doar os terrenos para permitir uma passagem decente de São Vítor até Santa Tecla...) Depois foi o Palácio Velozo, na Senhora-a-Branca, recentemente a casa da Rua Nova de Santa Cruz que acolhia uma ordem religiosa. Começou agora a demolir-se a casa setecentista da Orge, em Maximinos, objecto de um pedido de classificação da ASPA e do Olho Vivo, e o Castelo de Guadalupe que, se a burocracia não fosse por sua natureza lenta e, portanto, inconsequente, um processo de classificação requerido pela ASPA em 18.11.1999 - passaram já 2 anos e meio! - teria evitado mais este atentado patrimonial.
Já neste jornal o presidente do Conselho Directivo da ASPA disse o que são os comportamentos municipais nesta e noutras matérias, com clareza meridiana, para habilitar os cidadãos a saber o que podem esperar desta vereação que, apesar do incrível urbanismo reinante, continua a ser votada por confortável maioria.
Tantas são as ruínas que ensombraram a nossa terra, que o Município bem podia ter a iniciativa de reproduzir e expor em museu adrede preparado, o vastíssimo acervo fotográfico documental que é constituído pelas cegas demolições feitas, num delírio iconoclasta, sepultando nelas imensas e valiosas peças de arte: concepções arquitectónicas, decorações de profundo sentido estético, sejam gessos e pinturas murais. E com isso preparar a documentação pertinente para se poder candidatar a cidade europeia da cultura. Mas, nessas manifestações culturais não está ela interessada, porque isso seria a certidão de óbito da sua política urbanística.
Uma noite, aqui há anos, ia eu ao salão medieval da Universidade do Minho assistir à apresentação de um qualquer livro e eis-me envolvido pela escuridão da sala e, no écran, projectava-se um filme exactamente sobre urbanismo, tendo por mira as aberrações produzidas por iluminados de lá nas cidades de Nova Iorque, São Francisco e outras. Verdadeiros atentados aos espaços, às volumetrias e às cérceas, que criaram artérias onde o Sol, esse chamado astro-rei, não penetrava; toda a amplidão geográfica abruptamente desfigurada por enormes blocos de construção, era o horizonte a que podiam aspirar os seus habitantes. Tudo desumanizado, como se fosse feito não para homens de carne e osso, mas para seres extraterrestres, liofilizados e mumificados.
O filme era um intenso libelo sobre esses erros irreversíveis que haviam cometido em nome do "progresso" e redundaram num indisfarçável retrocesso.
A parte mais importante não consistia, porém, nessa crítica que a imagem exaltava, mas nos esforços feitos pelas autoridades e os arquitectos no sentido de procurar obviar aos abortos praticados por artistas com diploma e autoridades com legitimidade democrática. Eram quase comoventes os denodados esforços feitos para amenizar uma agressão mais clara à paisagem, um esforço de humanizar o que fora criado sem se entender quem é o homem e que necessidades intrínsecas possui.
Desde então compreendi o que são as obras de arte criadas por arquitectos com nome feito no marketing imobiliário! E desconfio, como é de admitir, dessas sumidades bem pagas pelo nosso dinheiro. As autoridades buscam o espectáculo das realizações e são, quando muito, os inocentes úteis desse marketing devorador.
Contada esta visão do que foi o horror de construção progressista, numa sociedade dita livre, e o sublime esforço de a procurar amenizar - esforço inglório, apesar de louvável! - remendando-a com as líricas contribuições de arquitectos amantes da poesia, fica-me a sensação de em Braga se estar a passar o que de estruturalmente se estava a passar na terra do Tio Sam. O que falta aqui é um poeta que distribua humanidade por toda essa desolação construída...
E já que abordamos coisas do urbanismo americano, vamos também socorrer-nos de uma imagem tipicamente ianque para procurar enquadrar o "ódio vesgo" que esta vereação parece ter ao que tem marcas seculares.
Em fria execução, está já a decorrer esquartejamento de uns tantos imóveis, de "brasileiro" ou não, por essa cidade além. Para lá das citadas acima, foram também demolidas tantas outras (lembram-se de uma, ali, adjacente à estação dos caminhos de ferro, a quem numeraram as pedras para dar um sinal visível de que não eram contra o imóvel, mas apenas contra o local onde estava implantado? Alguém viu mais essas pedras servirem para uma reedificação? E espera ver? Mas então para quê a comédia dos números naquelas pedras que não eram angulares!).
Estes são os imóveis já executados friamente por mérito de sentenças abalizadas por maiorias confortáveis. Isto parece-me e um contra-senso, mas assim a chamada vida democrática e quem for contra o sistema fica triturado por ele!
Uma regra do mercado diz-me que, primeiro arranja o dinheiro, e depois arranjarás tudo o mais. Pois é com dinheiro que se compram os melões!
Fácil é entender, a quem seguir as pistas desta regra e suas diversificações, que quem tem dinheiro compra os imóveis e, por extensão, compra depois o que for necessário para a sua rentabilização.
Foi assim com a casa do Afonso na Rua do Carvalhal. Casa construída por um cidadão empreendedor nos primeiros anos do século XX, que foi também um chefe de família com amplo sentido do que valia aquela célula primeira da sociedade civilizada. Homem de origem humilde, nasceu em 22 de Maio de 1864, na freguesia da Venda Nova, concelho de Montalegre, distrito de Vila Real. Depois de ter corrido mundo, conseguindo uma especialização profissional, veio para Braga onde, com apenas 23 anos, fundou na Rua dos Capelistas, uma mercearia fina que muitos de nós, felizmente, conhecemos, depois exportou vinhos verdes para o Brasil, foi empreiteiro de obras públicas e municipais, representou bancos, casas bancárias e companhias de seguros. Com outros, fundou o Teatro Circo de Braga, a fábrica de calçado Atlas, na rua dos Biscainhos, a Empresa Comercial do Minho, foi sócio da firma "Afonso & Almeida", que tomou a seu cargo a direcção da fábrica Confiança, hoje também ameaçada.
Foi este homem, que a Braga tanto deu, que mandou construir em pedra branca, arrancada de uma pedreira que ele próprio seleccionou, na Rua do Carvalhal, a casa que desde então ficou conhecida por casa do Afonso. É este imóvel que, parece, está no corredor da morte, à espera da sua execução próxima. Que projectos há para o belo imóvel, projectado pelo arquitecto Ernesto Korrodi (garante-me quem sabe que foi assim, apesar daquela casa não constar dos imóveis por si projectados em Braga!). Casa de grande porte e dependências múltiplas, bem decoradas com pinturas na sala de jantar, que me asseguram de boa qualidade, pois nunca as vi pessoalmente. Com um grande logradoiro público que, ao abrir-se a via que leva do Largo de S. Francisco para o Campo da Vinha, o tomou apetecível aos investidores de agora.
Este projecto, como todos, só é do conhecimento de meia dúzia de pessoas, na Câmara e fora dela. Esta é uma prática condenável, porque exprime uma democracia de funil, que nos repugna. Quando das decisões que envolvam imóveis de considerável interesse público, devia ser obrigatório haver um debate generalizado, que contivesse a opinião expressa de associações e cidadãos, para que fossem tão amplos quanto possível os fundamentos de uma decisão que a todos interessa e não só aos envolvidos na solução achada, por serem suspeitos de falta de isenção. Esta seria uma forma de evitar política do facto consumado, tão em vigor entre nós e com tão indesejáveis consequências para a cidade de Braga e o seu equilibra do património construído.

Celebrar Portugal no dia em que faz 885 anos!



Documento está guardado no Arquivo Distrital de Braga


Foi há precisamente 885 anos, ou seja, a 27 de maio de 1128, que foi subscrita na cidade de Braga a certidão de nascimento de Portugal. Nesse dia, de grata memória, o Arcebispo de Braga D. Paio Mendes e D. Afonso Henriques, príncipe em pleno duelo com sua mãe pelo governo do condado portucalense, assinaram um documento que firmou uma aliança decisiva para fazer nascer Portugal.

Neste manuscrito, guardado a sete chaves no Arquivo Distrital de Braga, podemos observar as assinaturas legíveis de D. Afonso Henriques e do Arcebispo de Braga D. Paio Mendes. Para além de renovar o apoio declarado às pretensões do Infante, o Arcebispo Primaz vê fortalecidos os seus poderes sobre o Couto de Braga e, em troca, confere apoio militar na guerra contra D.ª Teresa. Este suporte militar permitiu a D. Afonso Henriques vencer a batalha mais importante da sua vida: S. Mamede, que se deu a 24 de Junho do mesmo ano, perto de Guimarães. Foi deste conluio que nasceu Portugal.

D. Afonso Henriques compromete-se, caso consiga tomar posse do condado, a ampliação dos limites do couto de Braga e a atribuição ao Arcebispo de Braga das funções de capelão-mor e chanceler-mor da cúria régia. A catedral bracarense ficou com direito de cunhar moeda para auxiliar às despesas da sua reconstrução, já que havia sido muito danificada pelos maiorinos de Dona Teresa, nas suas disputas contra a desobediência de D. Paio Mendes. O documento diz expressamente: «Assim como meu avô, el-rei D. Afonso, auxiliou a construir a igreja de Santiago, do mesmo modo dou eu e concedo a Santa Maria de Braga o direito de cunhar moeda para construir a sua igreja».

É impossível, ainda, isolar a assinatura deste documento do duelo religioso e político entre Braga e Toledo e Braga e Compostela. D. Afonso Henriques compreendeu bem a importância que Braga e o seu arcebispo tinham para o auxiliar a obter o governo e a garantir a independência de Portugal. Por isso mesmo, aquele que viria a ser o primeiro Rei de Portugal comprometeu-se a apoiar a causa da Igreja de Braga contra a Sé de Compostela, que pretendia retirar o poder e influência do Arcebispo de Braga sobre as dioceses galegas, e também da causa de Braga contra Toledo, dado que ambas revindicavam o estatuto do Primado sobre a Igreja peninsular. Foram estas causas eclesiásticas, de grande relevância naquele tempo, que fortaleceram os ímpetos independentistas de D. Afonso Henriques e dos fidalgos de Entre-Douro-e-Minho.

Os Arcebispos de Braga foram sempre os primeiros apoiantes do surgimento da nova nação. Para além de D. Paio Mendes, que governou a cidade e arquidiocese de Braga entre 1118 e 1137, D. João Peculiar vai tornar-se, na opinião creditada de José Mattoso, como a segunda figura da nossa independência nacional. Este prelado foi o autor moral do reconhecimento papal do novo Reino, que só haveria de chegar em maio de 1179, através da bula “Manifestis Probatum”.

Ora, se a história popular criou o mito de Guimarães como berço da nacionalidade, há que acrescentar que foi em Braga que tudo se definiu. Se há legitimidade para Guimarães ufanar-se de ser o berço da nação, então Braga terá também disponibilidade nesse ensejo. Aqui nasceu Portugal poderá ser aplicado a Braga, com toda a propriedade. Não se trata de nenhum laivo de fervor bairrista, apenas de retificar a verdade histórica, tantas vezes ocultada por romantismos e lendas.

Se o slogan escolhido pelo Estado Novo para rebatizar a cidade de Guimarães - Aqui nasceu Portugal! - é apropriado, dado ter sido Guimarães o palco da batalha decisiva nas aspirações nacionais, é certo também que teve um impacto errático nas populações, dado ter-se criado a ideia que se refere ao nascimento de D. Afonso Henriques.

Quantos bracarenses sabem da existência deste documento ou da importância que teve para o nascimento de Portugal? Muito poucos seguramente. Há um bairrismo sadio que é importante aprendermos com os nossos vizinhos vimaranenses, tão ciosos que são da sua história e orgulho local. A verdade é que ambas as cidades podem reivindicar esse título com total propriedade, mas apenas uma o utiliza.

O dia 27 de Maio de 1128 responde a quem fala de duas cidades inimigas. Nada disso! Braga e Guimarães, de mãos dadas, fundaram um país. Em Braga concretizou-se o plano e em Guimarães verteu-se o sangue... Por isso, podemos dizer com toda a propriedade: aqui, efetivamente, nasceu Portugal!

O maior movimento juvenil português é bracarense!

Completam-se hoje 90 anos sobre a fundação daquele que veio a tornar-se no maior movimento juvenil português, o Corpo Nacional de Escutas. Curiosamente é católico e curiosamente também é bracarense. Surgiu graças à tenacidade do Arcebispo que enfrentou o preconceito anti-clerical da 1.ª República, D. Manuel Vieira de Matos, mais propriamente na freguesia da Sé, cujo agrupamento de escuteiros é o n.º1.
Actualmente são mais de 70 mil escuteiros espalhados por todo o país, educados para o serviço comunitário, respeito pelo outro e amor à natureza.
Por tudo o que têm feito por tantas gerações de portugueses, parabéns CNE!

Minho Maior: Guimarães em festa

Parabéns sinceros ao Vitória de Guimarães por trazerem mais um caneco para o Minho! Até porque a igualdade em número de Taças de Portugal com o Braga, acredito, será temporária. 
Quanto ao clube que se arrogou de ter ganho tudo antecipadamente, espero que tenham aprendido que a grandeza de um clube não se mede pelo número de vitórias, mas começa na humildade e no respeito pelos adversários. 
Biba o Minho!

domingo, 26 de maio de 2013

MAIOR AO DOMINGO: João Tinoco


Os Judeus do Bom Jesus
Por nascimento sinto o Bom-Jesus do Monte como parte de mim. É o local da minha vida o sítio onde estou bem e ao qual está ligado o meu sentido de pertença. Pertenço ao Bom-Jesus e ele faz parte de mim.
Por esse motivo sou um leitor compulsivo de tudo aquilo que muitos escreveram e escrevem sobre esta magnífica estância, que me chega às mãos ou que eu procuro que chegue.
Ora nessas saborosas leituras, mais que um autor faz menção a uma frase de Ramalho Ortigão, no seu Guia de Portugal, em que diz descrevendo as figuras das capelas: “Os grupos policómicos em barro, representando sucessivos passos da paixão no interior das capelas são indubitavelmente abomináveis.”
Esta frase intrigou-me, porque lidando eu desde muito novo com o figurado das capelas, criando com ele uma relação afetiva de amor e ódio conforme o papel que a imagem representa naquela magnífica via crúcis, que com os “judeus” chegou até a ser violenta ao ponto de com uma pedrada tirar um olho ao centurião que com uma corda puxa a cruz da capela do caminho do calvário, nunca achei as imagens assim tão feias que pudessem ter aquele epíteto de abomináveis.
Tirei-me aos meus cuidados e mais uma vez subi os escadórios com olhos de vêr. Vi e revi novamente as imagens uma a uma, desde a Última Ceia à Ascensão. Senti as mesmas emoções perdidas da meninice. O Centurião lá continua com o seu olhar altivo e sarcástico, já com olho novo. O Parolinha-o rapaz dos pregos- que tanto me irritou em menino por me compararem a ele, lá continua com o seu sorriso maldoso a entregar o prego para a Crucifixão, e mesmo não tendo formação artística que me permita aferir da qualidade dos figurantes e tendo a noção que algumas delas saíram das mãos de artistas populares, não vislumbrei o horrendo que Ortigão lhes atribui.
Pensei  que: ou o autor das Farpas compelido por algum anticlericalismo próprio da sua época, não quis dar relevância à via sacra do Bom-Jesus ou então as imagens por ele observadas não eram as que eu agora via.
Na arrumação que por vezes é necessário fazer às papeladas para manter alguma ordem, encontrei umas fotocópias de um texto da autoria de Luís Costa intitulado: “Documentos e Memórias para a História do Barroco Bracarense” que numa nota de rodapé trazia a resposta ao meu dilema.
Afinal os “Judeus” das capelas que hoje podemos observar não são mesmo, em grande parte, os que Ramalho Ortigão viu na visita que fez ao Bom-Jesus. Em meados do séc. XIX  as capelas foram remodeladas e algumas imagens retiradas e vendidas para o Calvário do Couto de Cambeses, no concelho de Barcelos.
Fui lá vê-las e devo confessar que aquele insulto popular de que: “És feio como os Judeus do Couto” faz todo o sentido. Afinal Ramalho Ortigão tinha razão.
São realmente indubitavelmente abomináveis.