segunda-feira, 27 de maio de 2013

Celebrar Portugal no dia em que faz 885 anos!



Documento está guardado no Arquivo Distrital de Braga


Foi há precisamente 885 anos, ou seja, a 27 de maio de 1128, que foi subscrita na cidade de Braga a certidão de nascimento de Portugal. Nesse dia, de grata memória, o Arcebispo de Braga D. Paio Mendes e D. Afonso Henriques, príncipe em pleno duelo com sua mãe pelo governo do condado portucalense, assinaram um documento que firmou uma aliança decisiva para fazer nascer Portugal.

Neste manuscrito, guardado a sete chaves no Arquivo Distrital de Braga, podemos observar as assinaturas legíveis de D. Afonso Henriques e do Arcebispo de Braga D. Paio Mendes. Para além de renovar o apoio declarado às pretensões do Infante, o Arcebispo Primaz vê fortalecidos os seus poderes sobre o Couto de Braga e, em troca, confere apoio militar na guerra contra D.ª Teresa. Este suporte militar permitiu a D. Afonso Henriques vencer a batalha mais importante da sua vida: S. Mamede, que se deu a 24 de Junho do mesmo ano, perto de Guimarães. Foi deste conluio que nasceu Portugal.

D. Afonso Henriques compromete-se, caso consiga tomar posse do condado, a ampliação dos limites do couto de Braga e a atribuição ao Arcebispo de Braga das funções de capelão-mor e chanceler-mor da cúria régia. A catedral bracarense ficou com direito de cunhar moeda para auxiliar às despesas da sua reconstrução, já que havia sido muito danificada pelos maiorinos de Dona Teresa, nas suas disputas contra a desobediência de D. Paio Mendes. O documento diz expressamente: «Assim como meu avô, el-rei D. Afonso, auxiliou a construir a igreja de Santiago, do mesmo modo dou eu e concedo a Santa Maria de Braga o direito de cunhar moeda para construir a sua igreja».

É impossível, ainda, isolar a assinatura deste documento do duelo religioso e político entre Braga e Toledo e Braga e Compostela. D. Afonso Henriques compreendeu bem a importância que Braga e o seu arcebispo tinham para o auxiliar a obter o governo e a garantir a independência de Portugal. Por isso mesmo, aquele que viria a ser o primeiro Rei de Portugal comprometeu-se a apoiar a causa da Igreja de Braga contra a Sé de Compostela, que pretendia retirar o poder e influência do Arcebispo de Braga sobre as dioceses galegas, e também da causa de Braga contra Toledo, dado que ambas revindicavam o estatuto do Primado sobre a Igreja peninsular. Foram estas causas eclesiásticas, de grande relevância naquele tempo, que fortaleceram os ímpetos independentistas de D. Afonso Henriques e dos fidalgos de Entre-Douro-e-Minho.

Os Arcebispos de Braga foram sempre os primeiros apoiantes do surgimento da nova nação. Para além de D. Paio Mendes, que governou a cidade e arquidiocese de Braga entre 1118 e 1137, D. João Peculiar vai tornar-se, na opinião creditada de José Mattoso, como a segunda figura da nossa independência nacional. Este prelado foi o autor moral do reconhecimento papal do novo Reino, que só haveria de chegar em maio de 1179, através da bula “Manifestis Probatum”.

Ora, se a história popular criou o mito de Guimarães como berço da nacionalidade, há que acrescentar que foi em Braga que tudo se definiu. Se há legitimidade para Guimarães ufanar-se de ser o berço da nação, então Braga terá também disponibilidade nesse ensejo. Aqui nasceu Portugal poderá ser aplicado a Braga, com toda a propriedade. Não se trata de nenhum laivo de fervor bairrista, apenas de retificar a verdade histórica, tantas vezes ocultada por romantismos e lendas.

Se o slogan escolhido pelo Estado Novo para rebatizar a cidade de Guimarães - Aqui nasceu Portugal! - é apropriado, dado ter sido Guimarães o palco da batalha decisiva nas aspirações nacionais, é certo também que teve um impacto errático nas populações, dado ter-se criado a ideia que se refere ao nascimento de D. Afonso Henriques.

Quantos bracarenses sabem da existência deste documento ou da importância que teve para o nascimento de Portugal? Muito poucos seguramente. Há um bairrismo sadio que é importante aprendermos com os nossos vizinhos vimaranenses, tão ciosos que são da sua história e orgulho local. A verdade é que ambas as cidades podem reivindicar esse título com total propriedade, mas apenas uma o utiliza.

O dia 27 de Maio de 1128 responde a quem fala de duas cidades inimigas. Nada disso! Braga e Guimarães, de mãos dadas, fundaram um país. Em Braga concretizou-se o plano e em Guimarães verteu-se o sangue... Por isso, podemos dizer com toda a propriedade: aqui, efetivamente, nasceu Portugal!

1 comentário:

  1. Pois é, a batalha foi junto a Guimarães, mas os homens que a travaram foram aqueles que o Afonso Henriques veio pedir a Braga, ao Arcebispo D. Paio Mendes! - como muito bem explica o blog e o documento guardado no Arquivo. Recorde-se que Braga era uma cidade muito maior, sendo uma das mais antigas da Península Ibérica e rivalizava pelo poder na Igreja com Santiago de Compostela e Toledo - Braga foi, e continua hoje a ser, reconhecida pelo Papado como "A PRIMAZ DE TODAS AS HESPANHAS!"(E recorde-se que Braga é mais de 1000 anos mais velha que Guimarães, que naquela época era apenas um castelo e meia-dúzia de casas mais abaixo). MAIS DO QUE O CASTELO DE GUIMARÃES, O BERÇO DE PORTUGAL É A SÉ DE BRAGA! E digo-o: infelizmente! Atento o despezo a que hoje Braga é votada em termos nacionais e internacionais :(
    Se não o tivesse sido, séríamos hoje uma bem mais feliz Galécia/Galiza! :D

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