domingo, 19 de maio de 2013

MAIOR AO DOMINGO: Pedro Morgado

Da irrelevância política de Braga

A ligação ferroviária entre Porto e Vigo conhecerá, a partir de julho, significativas melhorias que tornarão mais rápida e confortável a viagem entre as duas cidades. De acordo com as notícias conhecidas, não existirão quaisquer paragens no percurso que passará a fazer-se em duas horas e vinte minutos, mantendo o custo de 16€ por trajecto. Isto significa que a cidade de Braga, líder da terceira área urbana mais populosa do país, fica completamente arreada da ligação à Galiza, sendo necessário fazer uma viagem até à estação de Campanhã, no Porto, para apanhar o comboio directo a Vigo.
Esta opção dos governos português e espanhol é absolutamente inaceitável para cidade e o distrito de Braga, constituindo-se como uma  flagrante marginalização que se soma à anunciada eliminação da cidade do mapa do comboio de alta velocidade. É preciso recordar que esta medida, associada à centralização da divulgação turística no Porto, será altamente prejudicial para a economia e o turismo da cidade, desviando de Braga (e do distrito) milhares de potenciais turistas que aqui deixariam dinheiro vital para o nosso desenvolvimento e, em algumas situações, para a nossa sobrevivência.
Perante uma desconsideração desta magnitude, é legítimo que nos indignemos, é urgente que reflictamos sobre a irrelevância política do distrito e é necessário que os deputados eleitos pelo círculo de Braga reajam de forma inequívoca propondo soluções que protejam os interesses do distrito. Braga e as suas gentes têm que se mobilizar na defesa dos interesses estratégicos da região, trazendo para o debate das autárquicas as questões da mobilidade mas também as sucessivas descriminações de que o distrito tem sido vítima por parte do poder central. É também fundamental que os diferentes candidatos autárquicos explicitem sem ambiguidades qual a sua posição em relação a esta opção política do governo bem como das medidas que pretendem propor para a sua correcção.
De outro modo, contribuiremos para que a campanha não passe do espectáculo político-partidário costumeiro e seremos cúmplices do abandono e da marginalização do distrito por parte do poder central, continuando a pagar impostos para que Porto e Lisboa asfixiem completamente o país, saqueando-lhes a alma até ao tutano.

1 comentário:

  1. Apetece me perguntar, como é que pode discriminar Braga nesta ligação, quando temos o INL - Instituto de Nanotecnologia, que diga se, é administrado por Portugal e Espanha...Braga tem de "remar" contra esta tendência de choro da discriminação do Porto.

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