quarta-feira, 26 de junho de 2013

Boicote jornalístico às sanjoaninas bracarenses

Para os bracarenses mais atentos - no qual não incluo o presidente da Associação de Festas de S. João, que hoje confessou ao Diário do Minho que estava muito contente com a mediatização das festas... - não escapou o facto de, uma vez mais, as Festas de São João de Braga terem sido verdadeiramente boicotadas pelos órgãos de comunicação social de referência nacional.
A única excepção vai para o Porto Canal que, apesar de estar sediado naquela cidade, dedicou toda a sua emissão da noite de 23 de junho aos festejos sanjoaninos bracarenses. Um voto de extremo louvor por isso!
Quanto à RTP, pese todas as queixas de tantos bracarenses, continuou a assobiar para o ar e a gozar literalmente com o principal evento da terceira cidade do país. Nem uma reportagem de escassos segundos... Uma vergonha que merece uma reacção enérgica dos bracarenses. Isto é uma grande falta de respeito, principalmente quando se trata da televisão pública, que tem deveres de isenção a demarcar a sua missão informativa. E que tal um boicote à RTP aqui em Braga?
A SIC, essa televisão que desafiou o poder vigente e montou em tempos um estúdio em Braga, preferiu falar do São João na Figueira da Foz e até em Viseu! Mais uma prova da discriminação da redação desta televisão no Porto, como se já não bastasse o triste caso do túnel do estádio Axa, que muito ajudou o Benfica a ser campeão em 2009/2010.
No que às televisões diz respeito desengane-se quem pensa que a TVI fica ausente deste boicote. O programa "Somos Portugal", transmitido na tarde de 23 de junho em Braga, foi uma boa montra para os festejos, mas uma vez mais nem sequer pôs os pés no parque da Ponte, o cerne do arraial. Ao longo de três dias, o telejornal da TVI, o mais visto de Portugal, andou a fazer directos a partir de um bairro no Porto, onde estavam algumas centenas de pessoas. Enquanto isso, em Braga, já no sábado à noite, o recinto de S. João da Ponte encontrava-se repleto de pessoas. Achei piada à referência ao facto da cascata das Fontainhas ter cerca de 70 anos. Em Braga, os quadros bíblicos no rio Este existem desde 1881. Quem se preocupa com isso?
Quanto ao JN, jornal que tem tentado cativar o público bracarense, havia dedicado algumas páginas às festas bracarenses em 2012. Este ano só deu Porto e deu-se a caricata situação de fazerem a reportagem do festival aéreo e em nenhum momento referirem que era uma iniciativa das Festas de São João...
Nem o Público ou a revista Visão, que por vezes lá iam comentando o que se passava em Braga, quebraram com este boicote generalizado.
Ora, isto é o reflexo da excessiva dependência regional de Braga em face das redações dos órgãos de comunicação sediadas na cidade do Porto. Boicotam o maior evento de Braga, porque este tem bem maior tradição e história, não se reduz apenas a uma noite de festa e porque colocam os interesses pessoais acima do seu dever de isenção e equidade informativa.
Perante isto, o responsável máximo das festas e aspirante à presidência da Câmara, diz-se muito satisfeito...
Até quando bracarenses?

4 comentários:

  1. Há uma reflexão a fazer por esta e outras ocorrências do género: apesar da olímpica indiferença televisiva e do olímpico entusiasmo com a mediatização por parte do presidente da CFSJ, o S. João de Braga encheu de gente e de actividades, demonstrou conteúdos de vivência e de animação. Portanto: temos festa rija, mas a comunicação social não a quer mostrar, logo: não devemos fazer da comunicação social o espavento das festas; não devemos endeusar a comunicação social, não devemos trabalhar para a comunicação social; ou: devemos mostrar uma olímpica indiferença à comunicação social televisiva. Não estará aqui um caso de análise, como muitos da cultura portuguesa, que não precisa da comunicação social televisiva para nada em si?

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  2. Saber que do Porto vinham milhares de visitantes ao São João de Braga, em pleno século XX, e que os responsáveis portuenses garantiram que optavam pelo São João, mas não fariam concorrência ao de Braga...
    Saber que o São João de Braga há 500 anos é organizado municipalmente e que tem uma dimensão supramunicipal desde há vários séculos.
    Saber que o São João de Braga além da festa da multidão, a dos martelinhos, das diversões e dos fogos de artifício, chama também a si os grupos folclóricos, as bandas filarmónicas, os cortejos, procissões e rusgas que dão identidade e promovem toda a cultura de uma região.
    Saber disso tudo e ter que constatar que nos telejornais o São João mais consistente deste país, é simplesmente omitido, enquanto procuram reinventar a história e dar dimensão imemorial a uma festa que surgiu como tal, na primeira metade do século XX...

    Temos mesmo que seguir em frente e valorizar cada vez mais a componente religiosa, popular e histórica do nosso São João de Braga.

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  3. São João a Património Imaterial da Humanidade, JÁ!!!

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  4. Se não fosse a referência completamente descabida e sem qualquer ponta de verdade relativamente ao suposto "caso do túnel do estádio AXA" concordaria a 100% com o texto.

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