sábado, 22 de junho de 2013

Desvalorizar o São João todos os anos

Apesar de continuar a congregar as forças vivas do município e desempenhar um importante papel na dinamização associativa, na última década e meia tem-se assistido a um notório esvaziamento do programa das festas de São João. Para memória futura, recordemos alguns eventos dissipados:


Um outro aspeto fundamental que se esvaneceu na última década e meia foi a animação de ruas, que percorria diariamente as ruas do centro histórico às 09h00 e 15h00. Fazendo, por exemplo, a analogia do programa das festas em 2012 com o programa elaborado para as festividades de 1994 existem diferenças muito significativas. Atualmente subsiste apenas uma sessão de fogo de artifício, lançada do alto do monte Picoto na noite de S. João. Em 1994 foram cinco as sessões pirotécnicas.
Igualmente se perderam iniciativas que fomentavam a participação e integração da comunidade nos próprios festejos, nomeadamente o concurso de cascatas, dinamizado habitualmente por associações juvenis, e o concurso de montras sanjoaninas, que era uma forma de associar os comerciantes ao evento. A grande perda e esvaziamento refere-se, no entanto, à promoção da etnografia e folclore. Se é certo que continua a estar inserida na programação a realização de um festival folclórico, não é menos verdade que o mesmo tem cada vez menos impacto na população.
A aposta económica do evento também é relevante no seu sucesso. O São João de Braga evidencia, neste aspeto, um protagonismo regional superior. Por exemplo, as Festas da Agonia, que se realizam numa cidade e município bastante menos poderoso económica e demograficamente, teve como orçamento, em 2012, um valor a rondar os 440 mil Euros, praticamente o dobro do orçamento do S. João de Braga, que se cifrou em 250 mil Euros. As Feiras Novas em Ponte de Lima e as Festas das Cruzes em Barcelos também apresentaram, em 2012, um orçamento acima das festas de Braga. Observe-se ainda que, em 2012, o município de Vila Verde gastou apenas menos 40 mil euros que Braga com as suas festas municipais. Este facto pode induzir um certo teor de esvaziamento e banalização das Festas de São João que é urgente combater. As principais celebrações comunitárias de uma cidade e município com a dimensão de Braga devem ser capazes de atrair patrocínios e apoios institucionais que superem largamente as possibilidades dos municípios vizinhos.

1 comentário:

  1. Numa pequena adenda permita-me uma correcção. Não me recordo de terem existido festivais de tunas nas festas de S. João. Eu à data integrava uma das tunas existente em Braga e teria certamente memória disso. O que existiu por alguns anos foi uma noite organizada pela ARCUM e actuavam todos os seus grupos e a convidava Azeituna. O espectáculo era no palco que as festas ainda hoje montam na Avenida Central e e era musicalmente rico e diverso (música popular, folclore, fados de Coimbra e tunas). Reduzir essas noites a tunas é apenas um reflexo do que infelizmente acabou por acontecer na actividade dos grupos da Universidade do Minho. Recordo-me que era um espectáculo que acarinhávamos, apesar de cair em período de avaliações, e actuávamos gratuitamente (já não me recordo se havia um jantar na cantina do antigo IEC). Infelizmente nunca existiram condições técnicas condignas pois a aparelhagem sonora que a Comissão de Festas instalava pouco mais era que um rádio de pilhas. O que fazia que das muitas pessoas que se juntava na Avenida Central apenas uma franja nos pudesse ouvir. Nessas noites e nos dias seguintes eram muitas as críticas que nos chegavam pois não nos distinguiam da Comissão de Festas. Essa terá sido uma das razões porque a noite se deixou de realizar. Eventualmente a leitura dos relatórios de actividades da ARCUM ajudariam a esclarecer essa dúvida. Eu, apesar de ter sido um dos elementos de contacto da Comissão de Festas e a ARCUM, já não me recordo com exactidão das razões. Recordo é numa das noites (a ultima?) estivemos todos à espera (muito mais de uma hora)para iniciar o espectáculo (com alguns a querer ir para casa estudar) e não havia ninguém da Comissão de Festas ou do som. Mais tarde soubemos que estava algures a jantar e que o “técnico de som” estaria com eles. Como não tínhamos telemóveis não tínhamos outro remédio de ir do palco ao Posto de Turismo saber se já havia novidades e nessas viagens ouvíamos do povo, que já se juntara e esperava pelo espectáculo, os comentários de: “estes estudantes são sempre os mesmos”. Recordo-me também que as justificações que apresentamos em palco não caíram bem, mas já não me recordo quem teve a iniciativa de não continuar com a noite. Algo que lamento porque permitia que muita gente percebesse o que faziam os grupos musicais da Universidade do Minho e talvez tivesse ajudado a manter uma maior diversidade de géneros musicais dentro da Academia.

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