terça-feira, 25 de junho de 2013

Não deixar morrer o São João...

No rescaldo das sanjoaninas bracarenses, não posso deixar de sublinhar uma crónica do jornalista Alexandre Praça a respeito das Festas de São João. Louvo ainda a iniciativa política da Cidadania em Movimento que veio defender a revitalização do São João e denunciar publicamente o desleixo progressivo da organização.
Se é certo que este ano gostei de assistir aos arraiais espontâneos que surgiram por iniciativa de espaços de restauração e associações da nossa cidade - o ambiente nas ruas estava como nunca havia visto - por outro lado, o programa das festas continua a sofrer cortes notórios ao nível da animação de ruas e de certos pormenores que conferem identidade à maior romaria minhota.
Onde estava a tradicional feira popular que preenchia a avenida da Liberdade? Onde estão os foguetes a marcar os principais momentos? Onde estão as bandas a passear-se pelas ruas e os grupos de animação com as rodopiadas mais constantes num passado recente que nos nossos dias? Onde está a promoção nas cidades e vilas do Minho, a confirmar esta centralidade regional de Braga?
Ontem nem os sinos da Sé, que costumavam estar muito activos nos dias 23 e 24 de junho, se ouviram tocar. Recordo-me bem que, até à saída da procissão, o repertório sineiro era preenchido pelo malhão minhoto, o hino da cidade, o hino do São João, a dança do Rei David, entre outros temas que encantavam o ambiente festivo das ruas do centro histórico.
E como falamos de pormenores, não esqueçamos ainda o facto deste ano o quadro do baptismo no Jordão (Este) ter ficado semi-depenado do seu habitual esplendor. Na noite de São João era costume decorar com ervas o local onde se encontram as imagens centrais, de forma a tapar os ferros que lhes servem de suporte. Este ano (à imagem dos anos mais recentes) o brio ficou em casa...
Da mesma forma, a 19 de junho não houve sequer programa previsto; a 23 de junho parece que afinal não houve balão no campo da Vinha, contrariamente ao que estava anunciado.
São pormenores, é verdade, mas é a partir da sua ausência que outros promenores vão sucumbindo e deteriorando o nosso principal património, pelo qual tantos nossos antepassados lutaram por enriquecer.
Continuar a dizer que a Braga Romana já se equipara ao São João, como li numa entrevista concedida ao Correio do Minho pelo principal responsável das festas, é insistir na desvalorização do maior evento da cidade e naquele que mais tradição e identidade transporta consigo.
Quem tiver dúvidas que consulte o programa das festas em 1994 e 1995 e compare com o actual. Será que havia mais dinheiro nesses anos?
Não me parece que esse seja um problema...
A associação de festas de S. João, dado que trata de um legado que pertence a todos os bracarenses, tem obrigação de prestar contas do trabalho que desenvolve, por mais altruísmo e dedicação que esteja na base de grande parte dos seus colaboradores. Só assim poderemos melhorar de ano para ano e não deixar morrer lentamente o nosso principal património comunitário.
Igualmente me parece importante que esta associação seja representativa das associações e forças vivas da cidade. Interpelando o presidente da Associação Comercial, fiquei a saber que esta instituição não tem representante na associação de festas. Da mesma forma me surpreendo por ver tantos militantes de um único partido a constituir a mesma associação...

PS - Uma nota muito positiva para o enriquecimento musical da dança do Rei David. Para além da integração de novos músicos, destacou-se, este ano, a reintegração da flauta entre os instrumentos deste tradicional quadro. A melodia ficou, sem dúvida, a ganhar!

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