terça-feira, 30 de julho de 2013

Recuperar as viúvas do convento dos Remédios

Os bracarenses deveriam popularizar novamente a receita das viúvas dos Remédios
Comentámos há dias a necessidade de recuperar um doce que era o mais típico da cidade de Braga até há algumas décadas. Descoberta a receita, é essencial popularizar a mesma nas nossas casas, de modo a não deixar morrer este património gastronómico. Aqui fica a provável receita:
 
 
Ingredientes:

  • 15 gemas de ovos
  • 3 claras de ovos
  • 500 grs. de açúcar
  • 1/2 colher de café de canela em pó
  • raspa da casca de 1 laranja
  • 125 grs. de miolo de noz partida em pedacinhos muito miúdos

Confecção:

Leva-se o açúcar ao lume a fazer ponto de espadana (ver pontos de açúcar), quando tiver adquirido o ponto juntam-se-lhe as nozes, deixando ferver só uns 2 minutos.
Retire do lume e deixe arrefecer.
Enquanto arrefece batem-se juntamente as gemas com as claras.
Juntam-se ao açúcar morno, assim como a canela e raspa da laranja.
Tem-se bem untadas com manteiga forminhas de queques.
Deite o preparado e levam-se a cozer ao forno num tabuleiro cerca de + ou - 25 minutos (convém verificar se está cozido).


Socialistas desunidos apresentaram lista

A saída de Mesquita Machado provocou a desunião dos socialistas bracarenses...
Ficamos ontem a saber quem são os nomes propostos por Vítor Sousa para a Câmara e Assembleia Municipal. Ao contrário do que aqui anunciamos há dois meses, registam-se algumas surpresas.
Palmira Maciel passou a perna a Ana Paula Morais e revela-se como o mais popular nome da lista apresentada. A simpática vereadora parece ser a aposta mais acertada entre as hostes femininas socialistas. É um peso a ter em conta! Miguel Corais é outro nome que revela bom senso. O administrador do PEB tem dado nas vistas pela sua competência e brio. Escolha acertada.
Hugo Pires surge sem surpresas no segundo lugar da lista, mas a grande interrogação vem dos independentes propostos. Falhados os desejados Pedro Seromenho e Felisbela Lopes, sobraram os desconhecidos Carlos Dias e Luísa Cruz. Por mais méritos pessoais que possam ter, não se comparam com o mediatismo e reconhecido mérito das apostas independentes da coligação Juntos por Braga, como é o caso de Miguel Bandeira e Sameiro Araújo. Terá sido muito difícil conquistar a sociedade civil?
Quanto à Assembleia Municipal, registe-se a justa integração de Ilda Carneiro, que sai de cena depois de longos anos à frente do exigente pelouro da cultura.
Outro dos handicaps desta lista é a falta de unanimidade interna. Os eleitos de António Braga não validaram os nomes apresentados por Vítor Sousa à Comissão Política, dando mais uma impressão da desunião que grassa nas hostes socialistas bracarenses. Efectivamente torna-se incompreensível que grande parte dos apoiantes de António Braga tenham sido excluídos das listas, nomeadamente nomes destacados como Cláudio Silva ou o próprio António Braga, para além dos militantes que apoiam a candidatura da Cidadania em Movimento como José Manuel Tarroso Gomes ou José Barbosa, históricos socialistas.
Negar esta cisão é tapar o sol com uma peneira e poderá trazer alguns dissabores a Vítor Sousa. Não seria mais acertado integrar os apoiantes de Braga nas listas?
Gostava de ser uma mosca para descobrir em que quadradinho vai colocar António Braga o seu voto. Eu quase que sou capaz de apostar...

segunda-feira, 29 de julho de 2013

A mais antiga cidade portuguesa!


Se a discussão sobre a mais antiga cidade portuguesa continua a ser encarada como discussão infértil, dada a dificuldade em definir parâmetros e metodologias que limitem o contexto de abordagem, não há dúvida que Braga é candidata a esse pódio.
Aqui ficam respigos romantizados da história brácara pela voz do controverso José Hermano Saraiva!

Mais velho que a Sé de Braga!


É certo que a exposição teórica de José Hermano Saraiva é uma posição romântica sobre factos históricos muito difíceis de decifrar sem ser pela veia especulativa e pela colocação de diversas hipóteses. Contudo, tem o mérito de doar conhecimento de uma forma perceptível ao grande público. Quantos historiadores ousam fazê-lo?
"Mais velho que a Sé de Braga" fala-nos do início da Igreja de Braga e das lendas que a envolveram. Não se desvia do que contou D. Rodrigo da Cunha no século XVII.
Vale a pena assitir!

Biba Santa Marta da Falperra!

A capela de Santa Marta antes da reconstrução em 1919
O antigo retábulo dos Remédios decora o altar-mor da capela
A Falperra vive hoje o dia grande da sua romaria em honra de Santa Marta e Santa Maria Madalena, a segunda maior festa de Braga. A este propósito convém lembrar a imensa devoção existente neste lugar do município de Braga em honra de Santa Marta, cujo dia é assinalado hoje pela Igreja.
Coexistindo duas capelas muito próximas dedicadas a esta devoção - a mais antiga é a das Cortiças no alto do monte de Esporões - o cerne do arraial acontece junto da capela de Santa Marta do Leão, que coroa uma frondosa avenida, onde existe a fonte do Leão.
Esta capela, datada de 1917, foi oferecida a expensas do benemérito bracarense Júlio d'Amorim Lima, que também ofereceu a talha barroca do interior. O conjunto que integra sanefas, altar, tribuna e púlpito era pertença da antiga igreja do convento dos Remédios, demolida em 1911. A imagem da padroeira é da autoria do sublime escultor bracarense João Evangelista Vieira.
Antes da edificação da atual capela existia uma pequena ermida que foi construída nos finais do século XVIII em ligação com a capela das Cortiças, que ficava mais longínqua dos romeiros. Ainda hoje subsiste um caminho entre as duas ermidas, sendo que a capela de "apoio" acabou por retirar o protagonismo à ancestral.
Aqui respira-se Braga, como o atesta a benemérita acção de bracarenses...ainda que algum espertalhão tenha desviado a linha de fronteira entre municípios para lá da edificação.
Vale a pena subir hoje à Falperra!


domingo, 28 de julho de 2013

MAIOR AO DOMINGO: Mário Meireles

Apostar nas Bicicletas porquê?

Antes de falar do tema quero agradecer o convite ao amigo Rui Ferreira. Acompanho o seu trabalho há bastante tempo e dou-lhe desde já os parabéns pelo excelente trabalho que tem desenvolvido neste blog onde partilha a sua opinião e o seu conhecimento sobre a nossa cidade que tanto amamos.
                                                         
HOLANDA
Para falarmos das bicicletas como transporte em Braga é preciso falar um pouco do que foi feito lá por fora.
Nos anos 50 e 60 a Holanda testemunhou um período de crescimento do mercado automóvel. Quando chegou aos anos 70 (há cerca de 40 anos) o ambiente ciclável não era o melhor. O automóvel tinha tomado conta das cidades e começou-se a pensar em alternativas para desentupir o trânsito. Primeiro pensaram que poderiam remover edifícios e fazer alguma coisa nos seus magníficos canais, mas verificado o investimento insano que teria que ser feito preferiram não o fazer. É então que decidem controlar o tráfego automóvel e apostar na bicicleta. Os passos para encorajar o uso da bicicleta foram vários. Criaram um plano para as bicicletas, investiram muito nas infraestruturas e na rede ciclável para que as pessoas pudessem usufruir de boas condições cicláveis em todos os locais e isto demorou muitos anos e ainda pode ser melhorado!

Mas o mais importante neste processo todo foi ouvir as necessidades e os interesses dos ciclistas.

Para conseguirem pôr a circular, no mesmo espaço, carros, autocarros e veículos de duas rodas decidiram criar zonas 30 e limitar o espaço dos carros nas ruas. O que saiu daqui foi uma melhoria no tráfego pois as pessoas foram encorajadas a utilizar mais a bicicleta. Com isto ganharam melhor qualidade do ar e mais importante, a economia local começou a crescer, uma vez que mais pessoas andavam nas ruas.

Para não encontrarem muita resistência na implementação das zonas 30, eles começaram pelos bairros residenciais que se queixavam do barulho dos carros a passar em grande velocidade.

Na Holanda não há apenas ciclovias e ciclofaixas. Há auto-estradas para bicicletas a unir cidades!
Este é o modelo que usaram para ligar Utrecht às cidades vizinhas - as auto-estradas para bicicletas

Nas cidades há parques de estacionamento com dois e três andares, há parques subterrâneos, vigiados, iluminados, seguros e há, claro, muitos muitos muitos parques exteriores - sheffield principalmente. 

No Reino Unido há uma alternativa que poderá servir de modelo a algumas ruas de braga, os bollard park. E claro, há muitas zonas 30 e muitas vias reservadas para os ciclistas. Eles distinguem assim as vias que não são asfaltadas:

do lado esquerdo a via para automóvel e do lado direito a de ciclistas separada com tijolos verticais.

NEW YORK

Mas claro, a Holanda é a mãe das bicicletas. Falemos então de New York (NY) que tem construído linhas para bicicleta protegidas - ciclovias - e que nos últimos meses aumentou a sua rede de ciclovias e vias cicláveis. Tudo o que tenha a ver com bicicletas em NY tem gerado muita controvérsia. Os Americanos têm por costume criar estatísticas e estudar todos os comportamentos e o uso da bicicleta e o seu impacto económico não é exceção. Ora a média de vendas de toda a Manhattan subiu 3%, já a venda em lojas locais, entre a 23rd e a 31st streets - ruas cicláveis e com vias dedicadas para ciclistas-, subiu 49%. O Departamento de Transportes de NY não consegue explicar esta subida em zonas cicláveis, no entanto o Portland Study pode servir para explicar isto. Este estudo diz que um utilizador da bicicleta como meio de transporte consome menos do que um utilizador de automóvel, no entanto consome mais vezes o que leva a, no total, consumir mais. Pode ainda ser consultado o Oregon Study que nos fala um pouco sobre os cicloturistas e o impacto que poderá ter no turismo (No último ano os cicloturistas gastaram, segundo este estudo, qualquer coisa como 301 Milhões de Euros por ano ou 904 000 € por dia).

Podia ainda falar de Copenhaga – cidade onde neva 3 meses por anos - que já aposta há muito nas bicicletas, tem a avenida onde circulam mais bicicletas e é a segunda cidade no Copenhagenize Index.


Podia ainda falar do Abu Dhabi - cidade de muito calor -, capital riquíssima dos Emirados Árabes Unidos, onde o gasóleo está a uns cêntimos, um carro de luxo custa 20 000 €, e a aposta na bicicleta como meio de transporte é cada vez mais forte. Eles já perceberam que não podem depender eternamente do petróleo e apostar apenas nesse mercado.

BRAGA

Já introduzi o assunto e falei em grande parte sobre ciclo-economia. Claro que esta não é a única vantagem, mas é a vantagem que faz com que se aposte na bicicleta. Para além da vantagem para a economia citadina, há a vantagem para a economia familiar (uma vez que se gasta menos em gasóleo, menos em revisões - porque o carro demora mais a fazer os km's necessários -, menos em pneus e menos em ginásios), há vantagem para o ambiente, porque a bicicleta não polui, há benefícios para a saúde - aumenta a força e a tonificação dos músculos, faz bem ao coração, mantém a linha, aumenta a longevidade, melhora a saúde mental e o sistema imunitário.

Agora falemos da nossa Braga, onde, como diz o Eng. Baptista da Costa, não neva 3 meses por ano (como em Copenhaga) e não faz tanto calor como no Adu Dhabi.
(De lembrar também que nem Braga nem Portugal possuem poços de onde é extraído petróleo e que neste momento Portugal é dependente de combustíveis fósseis.)

Braga não está, de todo, pronta para o ciclista urbano. Braga tem uma ciclovia que liga o Hotel Lamaçães à Falperra, que não serve as escolas nem a zona histórica.
A ciclovia de Lamaçães é perigosa para qualquer ciclista que lá ande. Primeiro ninguém percebe aquele separador alto amarelo e pontiagudo do lado da ciclovia, mas arranjadinho do lado dos automóveis. Se alguém bate com o patim da bicicleta naquele lancil e cai, vai ficar em mau estado. Depois o desenho da ciclovia na zona de estacionamento automóvel está errado, deveríamos ter:

Via Automóvel - Estacionamento - Separador - Ciclovia – Passeio

e temos:

Via Automóvel - Ciclovia - Estacionamento - Passeio

Já para não falar nas rotundas que já por si só são perigosas, com os carros estacionados na ciclovia nas rotundas ainda mais perigosas ficam!

Depois temos o combate entre ciclovia e passeio. A ciclovia tem um piso melhor do que o passeio, junto às passadeiras tem rampas e, apesar do seu mau estado em algumas zonas, está melhor que o passeio, logo, as pessoas preferem usar a mesma para passear ou correr. E se passam lá de bicicleta podem ter que enfrentar uma manada de peões que pensa que a faixa vermelha é deles e não se desvia.

Em Setembro vamos ter a ciclovia do rio Este, que liga as antigas bombas da Shell, agora Repsol, à ponte pedrinha. Desta falarei apenas quando estiver pronta e a tiver usado, mas poderá ser um eixo importante se bem complementado e receber manutenção.

Para além destas, há um projeto para criar uma ciclovia na 31 de Janeiro, mas no passeio.  Não penso que seja a solução. As ciclovias e as vias cicláveis nunca devem retirar espaço aos peões, mas devem sim ocupar um pouco do espaço do automóvel, isto porque as cidades são dos peões!

A minha proposta para a 31 de Janeiro é esta:

Substituindo a faixa mais à esquerda (que no início da avenida é estacionamento) por duas vias cicláveis, uma ascendente e uma descendente, separadas fisicamente dos automóveis com algum tipo de adorno ou pilarete.
Aqui há uns tempos começamos a trabalhar num mapa que mostrava as verdadeiras necessidades dos ciclistas urbanos. Com as fotos do Victor Domingos (Braga Ciclável) começamos a construir um mapa. Depois recolhemos mais fotos, de mais fotógrafos, pontos de interesse dos ciclistas, descobrimos estacionamentos que já existiam e pedimos a alguns ciclistas urbanos que nos enviassem as suas rotas enquanto utilizadores da bicicleta como meio de transporte. Com a sobreposição de rotas a mesma ia escurecendo. Ou seja, as linhas mais carregadas são as rotas mais utilizadas. As vias a vermelho são as ciclovias existentes. Como podemos observar, as ciclovias não servem os ciclistas que usam a bicicleta como meio de transporte.
Sobre os estacionamentos existentes há que, em primeiro lugar, agradecer ao Victor Domingos (Braga Ciclável), ao Antony Gonçalves e ao Rómulo Duque (Encontros com Pedal), que juntos elaboraram uma proposta que apresentaram à CMB em que um dos pontos era exatamente a falta de estacionamentos com condições de segurança e tipologia adequada em Braga. Com o levantamento feito para o mapa descobrimos que por cá só existiam estacionamentos do tipo Wheel Bender (conhecidos como estraga rodas).

Com a proposta, e com a abertura da CMB (a quem dou os parabéns porque tem ouvido e feito intervenções com base na opinião dos ciclistas) já foram instalados estacionamentos do tipo sheffield em sete locais (os azuis) e está prevista a instalação de mais sete localizações nesta fase e do tipo Sheffield. Mas Braga tem ruas muito estreitas para terem um sheffield, e muitas ruas protegidas e nas quais não se podem instalar estas estruturas. Para essas situações a solução é algo deste tipo:

A minha opinião é que os estacionamentos por si só não chegam. Juntamente com os estacionamentos deveriam:
-colocar sinalização a permitir a circulação da bicicleta em toda a área pedonal, mas limitando a velocidade da mesma a, por exemplo, 15 km/h nesta área e, claro, dando prioridade aos peões.
-Criar iniciativas nas escolas básicas e secundárias que promovam o uso da bicicleta e ensinem o uso da mesma.
-Criar sensibilização junto a ciclistas e condutores para a bicicleta (há erros de parte a parte na condução, mas um ciclista e um peão são mais frágeis que um automóvel).
-Criar zonas 30 junto a escolas, áreas residenciais e outras áreas que se justifique.
-Criar ciclovias junto a vias em que a circulação automóvel seja feita a uma velocidade mais elevada (por exemplo: Rodovia, Avenida da Liberdade, 31 de Janeiro,Av. Padre Júlio Fragata).

Quanto à Rede de percursos e Corredores Cicláveis - Rede de uso Quotidiano, presente na Revisão do PDM, quase que me agrada na totalidade. O único senão é terem deixado a área pedonal de fora desta rede. Um ciclista vai sempre optar por passar na Rua do Souto e na Avenida Central na parte pedonal por ser mais seguro, por ser mais directo e porque o piso é melhor. Para além disto tudo porque a bicicleta é um transporte porta a porta, logo todo o conceito de vias e estacionamentos é diferente da dos automóveis.
Com isto, penso que Braga poderia ser um exemplo no que diz respeito à mobilidade ciclável e facilmente se ultrapassaria o medo de andar de bicicleta e a vergonha que alguns cidadãos sentem. Cada vez mais as pessoas começam a retirar a bicicleta da garagem e circular na mesma. Cada vez menos a bicicleta é vista como um transporte de pobre e é vista como um meio de transporte sustentável que pode ser usada por qualquer pessoa.
 Falta saber quantos somos na realidade e, mais importante que isso, quantos podemos vir a ser e quantas bicicletas existem nas casas dos bracarenses. Um estudo que seria certamente muito interessante.
Aproveito ainda para sugerir a quem pretende começar a usar a bicicleta como meio de transporte em Braga uma iniciativa da MUBi: o Bike Buddy e a todos os lojistas, empresas e instituições de Braga a apreciação dos requisitos (através do formulário existente no site) para possuírem o selo da Mubi, que brevemente estará disponível em Braga.

Se ainda não experimentaram usar a bicicleta como meio de locomoção experimentem e boas pedaladas.



MAIOR AO DOMINGO: Mário Meireles

É com muito gosto que a rubrica MAIOR AO DOMINGO passa a contar com o Mário Meireles, um dos grandes responsáveis pelo espaço de partilha e reflexão Fórum Bracarae. O Mário tem 25 anos e está a terminar o curso de Engenharia Informática na Universidade do Minho. Integra a direcção da Associação dos Amigos de S. Domingos e é vogal da direcção da associação Braga +. Reside em Gualtar, mas tem o seu coração na freguesia de S. Victor, de onde a sua família é natural. É, atualmente, um dos maiores fomentadores da cidadania em Braga.
Obrigado por teres aceite este desafio!

sábado, 27 de julho de 2013

Vigo mais perto...do Porto

As ligações à Galiza - terra irmã do Minho que mergulha num mar de tristeza... - são decisivas para o futuro da região em que Braga se insere.
Recentemente, a imprensa de tiragem nacional rejubilou com a propalada ligação ferroviária entre Vigo e o Norte(?) de Portugal, que na realidade é uma linha directa entre o Porto e aquela cidade galega. Durante o percurso não se efectua qualquer paragem nas localidades do distrito de Braga ou Viana do Castelo. O resultado está à vista: na passada semana apenas quatro passageiros transportados num dos percursos...
Ora, se o Porto tem tantos líderes que gostam de desafiar a macrocefalia de Lisboa e fazerem queixinhas aos seus meios de comunicação social de eleição, não deveria ter outro tipo de atitude perante a região que o envolve?
O que vemos do Porto é uma tentativa macrocefálica dos investimentos e iniciativas da auto-proclamada região Norte, numa espécie de centralismo agudo que espelha os piores tiques experimentados por Lisboa.
Perante isto, quantos líderes minhotos ousaram levantar a voz?

Brincar com o dinheiro dos bracarenses

©João Costa
Poucos bracarenses terão ficado indiferentes perante a renovação do piso do largo dos Penedos, menos de seis meses depois da colocação de um renovado pavimento.
Os erros de palmatória presentes nos projectos "A Regenerar Braga" são a montra maior da acção do actual executivo municipal. As pedras estão partidas, o asfalto remenda as falhas do pavimento, os bancos estão voltados para o estacionamento em vez de estarem voltados para o jardim, os candeeiros da Senhora-a-Branca continuam a aguardar o conserto, os canteiros do campo das Hortas por terminar...etc...
A isto se chama esbanjar dinheiro com pouco critério e sem zelar pela qualidade e durabilidade dos mesmos projectos. Salva-se o largo Carlos Amarante, no meio de tantos devaneios onde a participação dos cidadãos esteve ausente.
Quem coordenou esta pasta? Vítor Sousa!

Até quando bracarenses?

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Santiago em Braga: o túmulo do Infante D. Afonso

O túmulo foi recentemente alvo de reabilitação, estudo e tratamento
O túmulo do Infante D. Afonso, nada mais nada menos que o filho primogénito do Rei D. João I, está numa capela sob a torre sul da Sé de Braga. O túmulo, num inédito gótico, veio da Flandres por encomenda da família real. O conjunto tumular, jacente, arca e baldaquino, é constituído por elementos em cobre, revestidos por uma camada de ouro ou de prata, fixos a uma estrutura de madeira. As técnicas de decoração – douragem a fogo e prateação por amálgama – foram utilizadas como revestimentos do substrato de cobre, tendo uma dupla função, decorativa e protectora.
Este túmulo é uma das marcas de Santiago em Braga porque foi ao caminhar para Compostela, juntamente com a sua mãe, que o filho mais velho de D. João I e D.ª Filipa de Lencastre faleceu. Com apenas 10 anos, no ano de 1400, aquele que era predestinado a ser Rei de Portugal, perdeu a sua vida e aqui foi sepultado.

Santiago em Braga: a fonte da Cónega

Hoje é dia de festa numa das zonas mais genuínas de Braga: a Cónega
A fonte de S. Tiago é um testemunho do legado do arcebispo D. Diogo de Sousa
Hoje é um dia de festa para as gentes da rua da Boavista, um dos lugares mais autênticos e genuínos de Braga. A fonte quinhentista, mandada fazer por D. Diogo de Sousa em 1531, onde se observa as suas armas de fé e um nicho com a imagem de Santiago, é um dos mais importantes legados deste prelado e continua com uma devoção viva, graças aos moradores da Cónega. Por aqui passava o caminho para Compostela, claro está, daí o orago escolhido para a fonte. Imagino a importância desta água para os caminhantes que por aqui passavam...
Esta noite, pelas 21h00, há eucaristia a céu aberto, junto á fonte!

Aqui está um bom exemplo de uma fonte histórica ainda funcional e valorizada por intermédio dos bracarenses. Dá pena ver o estado em que se encontra a fonte dos Granjinhos (no largo Paulo Orósio), desprezada pelos poderes públicos, desprovida de água e tanque e exposta a todo o tipo de agressões...

Santiago em Braga: igreja da Cividade

A igreja da Cividade (ainda citada como "aedes" - capela) no mapa de Braga em 1594
No mapa de André Soares (1755) o templo ainda é representado com a porta voltada a Oeste
A fachada da igreja, remodelada no final do século XVIII, voltada à rua D. Gonçalo Pereira
A Capela das Chagas é um dos resquícios do anterior templo, com um interessante painel do século XVII
Parede traseira do templo, com vestígios da antiga fachada visíveis 
A igreja de Santiago da Cividade é um dos mais antigos testemunhos da presença da devoção a este apóstolo de Jesus Cristo na cidade de Braga. A sua fundação deverá remontar ao século XII, sendo a sua orientação completamente a oposta à que hoje apresenta (estava voltada para a rua de Santiago e não para a rua D. Gonçalo Pereira). Ao que se sabe, um dos caminhos para Compostela passava por aqui, atravessando a urbe bracarense em direcção à antiga via romana XIX, que seguia para Astorga por Ponte de Lima e Tui. Esta estrada passava pela rua da Boavista (Cónega) onde veio a surgir uma fonte também com a invocação de Santiago.
Sobre a igreja aparentemente pouco se costuma dizer. Remodelada na última década do século XVIII, adquirindo retábulos neoclássicos sem grande valia artística, detém uma fabulosa capela lateral, com retábulo em talha dourada do período nacional e um painel a óleo de boa qualidade que repete um modelo flamengo apenas existente na igreja da Misericórdia do Porto (uma pia onde vai caindo o Sangue do corpo de Cristo). Esta capela, denominada de Santas Chagas, foi instituída em 1600 por D. Pedro da Grã, fidalgo da casa de D. João III. Vale a pena cá entrar apenas para admirar a capela e a sua tela.

Santiago em Braga: torre e porta medievais

A torre de Santiago foi reformulada depois de 1755, sob projecto de André Soares

A torre de Santiago, hoje ladeada pela porta homónima, recua ao início da urbe medieval, reformulada após 1070, quando Braga foi restaurada. Até à reformulação da torre, em que lhe foi acrescentada o campanário e oratório de Nossa Senhora, em acção de graças por Braga ter sido poupada ao terramoto de 1755, a passagem pelas muralhas fazia-se por dentro da torre (em L) tal como acontece em muitas das entradas da vila de Óbidos, por exemplo. O projecto da "nova" torre é da responsabilidade de André Soares e acrescentou-lhe monumentalidade. Entretanto, a porta, que era uma das oito passagens do circuito defensivo medieval, passou para a lateral da torre.
Por aqui entravam os peregrinos que caminhavam para Compostela, daí o nome que adquiriu, também associado ao templo em honra de Santiago existente no largo interior.

Santiago de Compostela, a grande rival

O dia de Santiago assinala-se anualmente a 25 de julho

Em dia de Santiago, recordemos a maior rival histórica da cidade de Braga. Santiago de Compostela é um dos principais santuários cristãos e o terceiro maior destino de peregrinações, depois de Roma e Jerusalém.  Graças ao “camiño” cresceram cidades e vilas por toda a Espanha, devido ao impacto económico e à deslocação de pessoas que provocava.
Nascida de uma devoção fortalecida no século IX, supostamente sobre o túmulo do galego e herege Prisciliano (bispo de Ávila que propagou uma heresia no século IV, tendo sido martirizado), cresceu sobre a lenda de que o apóstolo Iago (Santo + Iago = Santiago) teria vindo para a Galiza depois de ter sido martirizado no ano 45 em Jerusalém. Fundida à diocese de Iria, conseguiu isentar-se de Braga, aquando da restauração dos direitos metropolitas bracarenses, no século XI. Aliás, durantes as lutas pela independência portuguesa, o ardiloso arcebispo de Compostela, Diego Gelmirez, apoiou a causa de D.ª Teresa, tendo em vista os ganhos que a sua Sé poderia ter com essa luta.
Porém, o episódio mais grave foi o célebre roubo das relíquias. Foi no ano de 1102, época em que as relações com Santiago de Compostela estavam muito tensas, que o Arcebispo galego se apresentou em Braga numa aparente missão de paz. A boa índole de São Geraldo não permitiu decifrar as intensões perversas da comitiva galega, que tinha como intenção derrubar as pretensões de Braga como centro de peregrinações. Assim, durante a noite o Arcebispo Diego Gelmírez e o seu séquito tomaram de assalto os templos mais concorridos e levaram consigo as relíquias mais veneradas de Braga: São Vítor, Santa Susana, São Cucufate, São Silvestre e São Frutuoso. Esta «acção má e indigna», como o próprio São Geraldo catalogou, ficou para a história como o “Pio Latrocínio” e permitiu a Santiago de Compostela ganhar ascendente sobre Braga no capítulo religioso peninsular. Entretanto, e depois de muitos séculos de disputas pela supremacia eclesiástica da Galiza, outrora pertença de Braga, as relações entre "Sés" acalmaram e até as relíquias foram devolvidas (parcialmente) quando a catedral bracarense comemorou solenemente os seus 900 anos.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Concentrar ainda mais a UM em Gualtar?

Universidade do Minho vai concentrar-se ainda mais em Gualtar...
Uma das prerrogativas do acordo aprovado pela Câmara Municipal de Braga na passada quinta-feira, a propósito da polémica Quinta dos Peões, é a deslocalização da sede da Associação Académica da Universidade do Minho para o já referido e aqui comentado terreno privado.
Numa altura em que parece ter voltado à ordem do dia a necessidade de religar a cidade à universidade do Minho, parece não fazer muito sentido que se ache benéfico deslocalizar um dos poucos equipamentos académicos existentes para lá da fronteira da avenida Júlio Fragata. O mais natural seria deslocalizar cursos e equipamentos trazendo-os para o centro histórico de forma a criar mais elos de ligação. Concentrar tudo em Gualtar para que uma empresa de construção civil possa deter mais uns empreendimentos financiados no seu quintal não me parece nada acertado.
A pressa de aprovar este projecto, mesmo antes das eleições, deveria ter merecido uma maior discussão pública e uma mais demorada reflexão da parte da Universidade do Minho, e também da oposição camarária, que acabou por aprovar o plano a reboque da decisão da academia minhota.
Esperemos que se possa evitar este disparate...

Continua o ataque ao rio Este


Denunciamos, há algumas semanas, o arremesso de dezenas de sacos de lixo doméstico para o rio Este na zona da Soutinha/Tribunal. Graças ao nosso apelo, a AGERE acabou por ir retirar os sacos, mas continuou uma ausente fiscalização.
Ao longo dos últimos dias, novamente no mesmo local, o leito do rio foi ficando preenchido de sacos de lixo. Se a falta de civismo de alguns bracarenses é gritante, não entendo como continua a não existir uma fiscalização frequente que, pelo menos, penalize aqueles que desprezam o bem comum.
O rio Este pertence a todos nós e nenhum bracarense pode achar-se no direito de transformar um património comum no seu caixote de lixo...

terça-feira, 23 de julho de 2013

O Passeio Público da "segunda Paris"



Se era moda, já antiga, se Paris e Lisboa já gozavam de tal empreendimento, Braga, já tarde, também haveria de construir o seu jardim público. No espaço urbano mais importante da cidade, o campo de Santana, haveria de nascer em 1863 o jardim público bracarense, que perdurou até outras modas entrarem em vigor. Em 1914 foi este espaço urbano transformado numa longa avenida com faixas de rodagem intervaladas por faixas ajardinadas, à imagem do que sucedera duas décadas antes na avenida da Liberdade lisboeta. Nascia assim a hoje denominada avenida Central.

Local de convívio social e de deleite, o Jardim Público nunca deixou de ser elitista, também ele absorvendo os tiques parisienses. Aqui se realizou ao longo de mais de cinco décadas um festival privado frequentado pelas elites que, isoladas do povo, viviam a sua festa de S. João, principal evento do calendário anual da Braga oitocentista. Porém, aqui dominava o mundo da aparência e do faz de conta que irritava a pena de Camilo. A hipocrisia dominante nas classes superiores da sociedade foram um dos alvos preferenciais do descritor da alma minhota, particularmente numa província submersa em capital brasileiro, onde o novo riquismo e os títulos nobiliárquicos alcançados à custa de portentosas obras sociais aumentava significativamente o génio maldizente camiliano. Trata-se, aliás, de um novo Gil Vicente, tal é a denúncia impressa nas suas múltiplas ironias, muitas delas subjugadas ao ridículo dos seus personagens, como outrora tão eficazmente realizava o pai do teatro português.

Na sua descrição do Jardim Público, uma vez mais, Camilo não deixa de lado os espasmos literários de Vaz de Freitas, autor do Guia do Viajante em Braga, cujos exageros discricionários não deixaram o escritor indiferente.

Por fora das estalagens ainda há proeminentíssimas feições de Paris em Braga. O Jardim , por exemplo. V. Ex. a já esteve no jardim? Impressionaram-no com certeza uns rumores, «ora sufocados, ora estrepitosos» que ali se escutam nos domingos de tarde? Também a mim. Não pôde soletrar em sons articulados aquele confuso borborinho? Nem eu. Quem explica o fenómeno, trivial nos Champs-Elysées e no parc de Monceau , é o já citado sr. Vaz de Freitas na sua Guia do viajante em Braga, por seis vin­téns, pág. 41. A coisa é isto: O chilrear das crianças, o devanear das poetisas, o quei­xume sonolento dos poetas, a conversação pesada e metálica dos proprietários, todos estes murmúrios vagos ou alegres, sufocados ou estrepitosos (hic) infundem uma vida nova e excepcional ao passeio, que o tornam atraente ou deleitoso. Théophile Gautier, o Benvenuto Cellini da prosa francesa, não rendilharia com tão subtis filigranas de frase a explicação dos ruídos babilónicos do Luxemburg . Donde se colhe que Braga tem poetisas que exibem delirantemente os seus devaneios no jardim, ao mesmo tempo que os poetas se queixam sonolentos. Paris, tal qual. Note V. Ex. a o contraste no sexo destas pessoas que bebem na Castália: elas devaneiam , apostrofando a gritos o arrebol da tarde e a brisa que cicia e se perfuma nas cilindras; eles, cabeceando marasmados pelo ópio do narguilé , queixam-se sonolentos, porque não os deixam dormir as poetisas. São homens gastos, estafados, roués. Saíram do café Faria intoxicados do absinto de Espronceda, de Nerval, de Larra e de Musset. Entraram no jardim com o cérebro anestesiado, querem dormir; e elas, à imitação do femeaço da Trácia, projectam escalavrar aqueles Orfeus dormi­nhocos, Márcias que elas, filhas de Apolo, querem esfolar. Segun­da Paris. 

Camilo Castelo Branco, "O Comendador"

A decapitada (e barroca) fonte do Pelicano

© Rui Ferreira 2013
A fonte do Pelicano, plantada ao centro da Praça Municipal, é atribuída ao escultor e entalhador bracarense Marceliano de Araújo. Feita ao gosto do barroco joanino, é constituída por cinco fontes, uma das quais - ao centro - eleva o brasão do arcebispo D. José de Bragança (1741-56) e a ave que dá o nome à mesma. Ao redor as restantes quatro goteiras apresentam outros tantos "putti" montados cada qual em seu pelicano.
Esta fonte que pertenceu ao palácio dos arcebispos, já esteve no parque da Ponte e tornou ao antigo paço, tendo sido colocada em 1966 ao centro da praça mais barroca de Braga.
Infelizmente, os conjuntos que lateralizam o fontanário central encontram-se bastante mutilados. A uns faltam pés, a outros mãos e braços. Há poucas semanas um dos "putti" perdeu literalmente a cabeça e aguarda a atenção das autoridades municipais.
Esperemos que sejam breves!

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Falperra: o monumento de Braga

A igreja da Falperra impressiona pela originalidade
No dia em que a Igreja recorda Maria Madalena, é oportuno salientar um dos principais monumentos barrocos de Braga. A Capela de Santa Maria Madalena da Falperra, saída das mãos do grande André Soares na década de 50 do século XVIII, é um dos monumentos barrocos mais relevantes do concelho de Braga.
Apesar das polémicas sobre se a linha de fronteira entre Braga e Guimarães passa atrás da sacristia ou em frente da fachada, a verdade é que foi erigida voltada à cidade dos arcebispos e a expensas dos fiéis bracarenses. Mais bracarense é difícil, mesmo que nos anos 60 alguém se tenha lembrado de desenhar a linha da carta militar um pouco mais à frente do que duas décadas antes...
A fachada marca pela originalidade dos traços, as duas 'falsas' torres, o janelão central e o seu enquadramento no retábulo de pedra desenhado pelo arquitecto do Minho. A planta é inusitada e não se sabe muito bem a quem atribuir a sua autoria.
O traçado rococó continua no interior, onde se podem admirar três retábulos, também de André Soares, que completam com sublimidade o percurso iniciado no exterior. Saliente-se a imagem de Cristo na cruz, que preenche o retábulo-mor, encomenda do início do século XX, ao grandioso escultor bracarense João Evangelista Vieira, e que inspirou o escritor lisboeta Antero de Figueiredo numa das suas grandes obras "O último olhar de Jesus".  Para crentes ou não-crentes, vale a pena admirar!

domingo, 21 de julho de 2013

MAIOR AO DOMINGO: Carlos Santos

Agradeço ao amigo Rui Ferreira, por mais uma vez, me dar a honra de participar no Maior ao Domingo. Aproveito a oportunidade para deixar uma reflexão minha sobre o património de Braga.

Braga no mundo capitalista em que se encontra, num País envelhecido e sem capacidade de ser competitivo nos mais diversos níveis, deve ver no turismo uma forma de inverter a atual crise instalada. 

Em Braga, isso só será possível alterando a mentalidade vigente nos políticos e na própria sociedade local, que na verdade vêem na preservação do edificado histórico, dos vestígios arqueológicos, e na promoção da cultura apenas o dispêndio de fundos públicos. 
Como atesta a destruição patrimonial durante o século XX e XXI, o desaproveitamento do património e o turismo residual da cidade.


Dar a conhecer a todos os bracarenses a cultura, história e património da nossa cidade e procurar trazê-los à discussão das decisões municipais, e a necessidade de proteção do nosso legado histórico, será o primeiro passo a dar e uma forma de desenvolver e capitalizar o enorme potencial turístico da cidade.

Quando se fala de Braga é preciso ter ciente que em menos de 1km² se concentram os vestígios de Castros, Balneários Castrejos, Bracara Augusta capital da Galécia, a mais importante cidade Romana em Portugal e uma das mais importantes em todo o império, que foi também a Capital do Reino Suevo e Visigodo; concentra-se também o centro histórico da cidade mais antiga de Portugal, onde se destaca a Sé de Braga, anterior ao nascimento de Portugal e onde se criou Portugal, e ainda toda a monumentalidade dos edifícios construídos desde a renascença até ao neoclassicismo, motivo pelo qual Braga é conhecida como a cidade do Barroco.

Tendo consciência disto, quase todos entenderão que existe um imenso potencial turístico em Braga, que passará pela exploração de cada um destes períodos, atribuindo-lhe ícones e imagens de marca capazes de atrair turistas de todo o mundo.


De Bracara Augusta urge estudar e musealizar o Teatro Romano e a ínsula das Carvalheiras, a que se somam as inúmeras infraestruturas já identificadas mas não visitáveis. A médio prazo os imponentes edifícios já localizados, como o Anfiteatro Romano, o Fórum Romano ou o perímetro da muralha Romana, seriam importantes mais valias a adicionar à marca de Braga Romana, os quais importa proteger no PDM agora em revisão.


Teatro Romano de Bracara Augusta
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Do período Suevo e Visigodo a musealização do Parque Arqueológico de Santa Marta das Cortiças, a divulgação do Núcleo Museológico de São Martinho de Dume e de São Frutuoso seriam os eixos fundamentais aos quais se adicionariam os diversos vestígios da antiguidade tardia já identificados em diversos locais de Bracara Augusta.

Da cidade medieval estão por explorar chavões como, atribuir à Sé de Braga a criação de Portugal, pois foi graças à ação dos Arcebispos de Braga que instigaram à criação de um Reino Independente, apoiando os Condes economicamente e militarmente contra Castela e de seguida participando ativamente na Reconquista e no reconhecimento Papal do novo Reino que levou também à independência económica em relação a Leão e Castela. Está ainda por valorizar e explorar os diversos troços da muralha e Torres ainda existentes, como a Torre de Menagem que atualmente não representa qualquer mais valia para o município.

Do período Barroco estão por classificar diversos monumentos de interesse público e alguns em monumentos nacionais, como é o caso do Santuário do Bom Jesus onde a “cópia” no Brasil está classificada como Património Mundial da UNESCO desde a década de 80. Além disso está por explorar o fato de Braga ter sido a capital eclesiástica do império Português até 1716 altura em que Lisboa recebe a dignidade Patriarcal, o Mosteiro de Tibães que foi a casa mãe da ordem beneditina em Portugal e no Brasil, e está também por explorar a influência e semelhança do Barroco Bracarense com o das cidades históricas Brasileiras.



O Teatro Romano como símbolo da Braga Romana e da antiguidade tardia, a Sé de Braga como símbolo medieval e da criação de Portugal, o Paço Arquiepiscopal, as Igrejas e o Mosteiro de Tibães como símbolo da capital eclesiástica do império português, o Barroco Bracarense como referência deste período em todo o império e em especial no Brasil, o Santuário do Bom Jesus como Património da Humanidade e inspirador de vários santuários no império, o Estádio Municipal de Braga como símbolo contemporâneo, seriam os principais ícones de um plano alargado de exploração do turismo de Braga, com base no património.

Fontes: 123456


Contudo, todo este património apenas será efetivamente uma mais valia se for explorado economicamente. De nada interessa ter centenas de locais com potencial turístico se estes não estão devidamente divulgados, abertos ao público e rentabilizados.
Uma das hipóteses de exploração passaria pela implementação de um cartão anual para que os bracarenses interessados pudessem aceder aos edifícios classificados abrangidos pelo plano turístico, e a implementação de cartões turísticos parciais ou para a totalidade dos edifícios. Isto, permitiria alavancar economicamente a exploração turística do património da cidade, facilitando a implementação de guias turísticos e roteiros para os diversos períodos, e o alargamento do horário de visita e do número de edifícios visitáveis.

Por muito estranho que possa parecer a necessidade de um cartão para aceder ao interior das igrejas e edifícios da cidade, de nada adianta ter as seguintes obras primas entre muitas outras, se quase ninguém as conhece.