quinta-feira, 11 de julho de 2013

Bai um chapéu à moda de Braga?

 
Braga não é, nem nunca foi, uma cidade industrial, mas teve também o seu processo de industrialização. Esse processo, longo e demorado, deixou marcas significativas na economia da cidade e na sua própria fisionomia urbana. É o caso da área nordeste da cidade, local de grande concentração populacional a partir do século XVIII, e centro manufactureiro dos tradicionais ‘sombreeiros’, os fabricantes de chapéus, cuja importância comercial se sobrepôs às restantes actividades deste sector.
Com a propagação da moda do chapéu, que era utilizado frequentemente por homens, militares e sacerdotes, mas que também se foi popularizando no vestuário feminino, assistiu-se a uma procura que em Braga haveria de ascender também devido à presença significativa da Igreja, que acabaria por influenciar toda a sociedade bracarense de então. 
O desenvolvimento de muitos mesteirais, oficinas hereditárias que evoluíam na perícia de trabalhar a lã para a transformar nos denominados sombreeiros, haveria de transformar Braga num centro de produção significativo, escoando os seus chapéus para algumas regiões circundantes, entre as quais a Galiza. Calcula-se que a cidade, em particular a freguesia de S. Victor concentraria 370 profissionais de chapelaria, contabilizados nos finais do século XVIII. 
A decisiva concentração de oficinas manufactureiras de chapéus dava-se na então paróquia de São Victor, “entre as ruas Nova da Seara, rua da Régua, rua do Pulo e muito especialmente na hoje de São Domingos (antiga rua do Assento)”. Esta concentração evoluiu com o crescimento demográfico da cidade ao longo do século XIX, tendo evoluído até aos Peões, seguindo o traçado da actual rua Nova de Santa Cruz. 
O surgimento de grandes indústrias de chapelaria ao longo do século XIX vem confirmar esta tendência. Salientamos as três maiores fábricas ‘a vapor’ que conseguiram singrar no tecido económico da cidade: “Taxa”, fundada em 1851; “Social Bracarense” cuja actividade se iniciou em 1866; e finalmente “A Industrial”, fundada em 1921. 
Entretanto desaparecidas, face à quebra da utilização deste tipo de adereço e também à concorrência das indústrias de S. João da Madeira, esta actividade industrial é um inegável testemunho da memória da nossa cidade. Não podemos deixá-la desfalecer!
Bai um chapéu à moda de Braga?
 

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