quarta-feira, 17 de julho de 2013

Bracarografia: Santo Adrião da Corrica



Santo Adrião da Corrica, que até há cerca de quarenta anos era um arrabalde de Braga, é hoje um lugar plenamente urbanizado da freguesia de S. Lázaro.
Sede de uma unidade pastoral da Igreja (paróquia), cuja fundação remonta a 1983, é marcado pela passagem da antiga estrada de Guimarães, que encaminhava os viajantes para a Falperra e que hoje funciona como via preferencial de acesso ao santuário do Sameiro.
Foi junto a este antigo caminho que, sobre uma pequena elevação, surgiu uma ermida dedicada a Santo Adrião, erigida no ano de 1576 como nos informa a inscrição que se pode observar na porta principal: ANTÓNIO SOBRINHO TEIXEIRA A MANDOU CONSTRUIR ANO DE 1576.
Apesar da referência à construção da capela neste ano, supõe-se que a sua origem possa remontar à Idade Média, segundo nos diz o Cónego Avelino Jesus da Costa. Não nos admiraria que tal hipótese pudesse ser verdadeira, dado que a capela encontra-se construída segundo os cânones que vigoraram até ao concílio de Trento, estando orientada no sentido este-oeste.
A sua construção neste local dever-se-á provavelmente ao facto da principal via da acesso à cidade dos arcebispos até ao século XIX, a antiga estrada de Guimarães (pela Falperra), passar por aqui.
Capela de planta retangular, não terá mais de 20 metros de comprimento. Hojea capela está completamente descaraterizada pelo facto de, há cerca de duas décadas, terem substituído as alvas paredes que recobriam o seu exterior pela rigidez do reboco granítico.
Na frontaria pode ver-se um alpendre semelhante ao que existe na capela de São João da Ponte, o que indica que a afluência a este templo deveria ser significativa. Coroando a fachada encontra-se um pequeno campanário, uma nota que dá alguma animação à sua frontaria.
Através da descrição do padre Luís Cardoso, inserida no “Dicionário Geográfico” datado de 1747-51, sabemos que a capela de Santo Adrião detinha um altar-mor no qual era venerada a imagem de Santo Adrião e a de sua mulher Santa Natália «com sua Confraria», e dois altares colaterais, um com as imagens do Menino Jesus, S. José e Nossa Senhora e o outro com as imagens de S. Vicente Ferrer e de S. Francisco Xavier. Na mesma descrição temos conhecimento que estes dois altares laterais foram mandados fazer por doação testamentária do desembargador da Casa da Suplicação António Carneiro Tinoco, pai da então proprietária da quinta de Santo Adrião, «Dona Francisca».
Atualmente, no interior da capela quase nada há a destacar, apesar de ter recebido dois retábulos de boa qualidade no decorrer do século XVIII, segundo informa Eduardo Pires de Oliveira. O primeiro retábulo seria barroco, sendo o segundo, que veio substituir o anterior, ao gosto do neoclássico, ambos executados por artistas de renome. Ainda assim, sobrevive, numa das dependências da nova igreja, uma interessante imagem barroca de Santo Adrião, esculpida em madeira, que anteriormente era venerada no altar-mor da capela.
A capela de Santo Adrião e o seu recinto envolvente acolhiam, segundo referências dos periódicos nas décadas de 1860-1870, duas romarias anuais. A primeira era devotada a S. Brás, e realizava-se no dia 3 de fevereiro. A segunda romaria, que seria dedicada ao patrono da capela, decorria geralmente em abril, na segunda-feira de Páscoa e, segundo a edição do jornal “O Bracarense” de 23 de abril de 1862, «era muito concorrida». Esta romaria, que terá desaparecido em pleno século XX, já era mencionada nas Memórias Paroquiais de 1758, referindo-se que «concorre muita gente de romage, nos três dias sanctos da Paschoa da Rexureiçam».
Com a fundação da paróquia de Santo Adrião em 1983 este lugar ganhou algum relevo na cidade, todavia com a recente edificação da nova igreja paroquial, erigida mesmo ao lado, a ermida foi votada um pouco ao esquecimento.

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