terça-feira, 16 de julho de 2013

Não deixar morrer as viúvas dos Remédios!

O extinto convento dos Remédios era um dos centros de produção de doces em Braga
A gastronomia é um dos ícones das tradições históricas de uma comunidade. Escusado será dizer que o Minho detém uma particular riqueza gastronómica, que bem poderia figurar num roteiro próprio que fomentasse o turismo e a dinamização cultural. Há dias, o Alentejo apresentou um interessante roteiro gastronómico, tendo-se auto-proclamado como a principal região gastronómica do país. Isto porque detém uma única entidade de turismo para o seu território...ao contrário do Minho, sujeito que está à macrocefalia portuense.
Ora, se o Minho é legítimo detentor de uma gastronomia célebre, a cidade de Braga, sua ilustre capital, exibe da mesma forma um cardápio invejável. Poderíamos falar imediatamente do Bacalhau à Braga (ou à Narcisa), dos rojões, do arroz de pato à moda de Braga, da cabidela (não o arroz), das frigideiras ou do "nosso" pudim Abade de Priscos, que conseguiu uma notável promoção nos últimos anos. Não nos esqueçamos do "cartucho" sortido da Doçaria de S. Vicente! Todavia, a lista exclusivamente bracarense parece um tanto despojada, apesar das raízes gastronómicas locais serem bem mais densas.
Um dos âmbitos gastronómicos bracarenses que parece adormecido é a doçaria, apesar das neo-criações locais como são os casos dos sameirinho, bolo romano ou das tíbias.
Como sabemos, os conventos femininos eram pródigos na produção de doçaria. Recorde-se que a produção de doçaria nos conventos era uma forma, quer de financiamento, quer de aproveitamento das gemas dos ovos, já que as claras eram necessárias à engomação dos hábitos das religiosas.
Na cidade de Braga, onde co-existiam tantos cenóbios femininos, o protagonismo ia todo para o convento dos Remédios que, até à sua definitiva extinção em 1908, era responsável pela produção de doçaria tradicional comercializada depois em muitos locais da cidade. O grande destaque da sua produção eram as viúvas, uma espécie de pastel de nata muito apreciado pelos bracarenses.
Este pastel, que continua a ser citado como característico da cidade, desapareceu completamente das pastelarias locais e não há grandes notícias a respeito da sua confecção. Urge, portanto, salvar um dos ícones do património gastronómico de Braga. A receita das viúvas deverá encontrar-se na documentação do arquivo do convento. Precisamos é de pastelarias que se interessem em salvar este fenómeno da doçaria bracarense.
O maior problema destas receitas é facto da sua produção ser exclusiva de um local, não tendo hipótese de popularizar-se a sua confecção entre as famílias.
Quem quer salvar as viúvas dos Remédios?

PS - Além das viúvas, há um outro doce que anda desparecido: as fatias doces à moda de Braga. Contudo, este tem uma receita muito divulgada nos livros da especialidade. E que tal tornar comum a sua confecção na cidade de Braga?

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