segunda-feira, 8 de julho de 2013

O paradigmático caso do parque da Ponte

Novo parque da Ponte está bem melhor, mas precisa de rectificar alguns aspectos
O parque da Ponte, remodelado em 2009 e 2011, apresenta-se hoje como um espaço verde de excelência para os bracarenses. Foi renovado e, no fundamental, essa reformulação foi muito bem conseguida. Há, contudo, alguns aspectos que foram descurados, e que reiteradamente as associações, a junta de freguesia e os cidadãos reclamam justificadamente.
Se alguns políticos cá da urbe respondem às críticas com vitimizações - dizendo que as pessoas nunca estão satisfeitas ou que actuar em certas zonas é sempre merecedor de críticas... - é bom recordar que a Câmara Municipal de Braga decidiu avançar para o projecto de reformulação do parque da Ponte, como se diz na gíria, sem dar cavaco a ninguém...
Por isso mesmo, hoje tenho familiares com dificuldade de movimentos cuja cadeira de rodas dificilmente consegue ter acesso. O pavimento de granito irregular torna a tarefa hercúlea... O mesmo pavimento "estragou" os bailaricos espontâneos que se costumavam efectuar no arraial de S. João.
As historicas pedras de monumentos desaparecidos de Braga foram retiradas, quando bem poderiam ter sido reorganizadas no recinto, valorizando-o sobremaneira do ponto de vista patrimonial. Poderia ser um museu a céu aberto... Porém, em Braga por vezes parece que o património é um empecilho.
A falha mais grave do parque é a não colocação de bancos com encosto, como existe em qualquer parque do mundo (inclusive no Central Park de Nova Iorque). Todos sabemos que um parque pede uma permanência mais demorada, e num banco sem conforto pouco tempo lá permaneceremos. Os bancos da avenida Central estão sempre preenchidos por alguma razão. Em detrimento do conforto escolheu-se o estético: na zona exterior estão alguns cubos de granito e no interior artísticos bancos em ferro... Recentemente foram colocados alguns bancos com encosto junto ao cruzeiro, mas insuficientes para o usufruto que este parque merece. 
O grande problema destas críticas é o facto de na preparação do projecto não se terem escutado os verdadeiros utilizadores do recinto.
No parque da Ponte e áreas adjacentes estão sediadas cinco associações. Pelo menos duas sei que não foram consultadas.
Os moradores das ruas vizinhas ao parque também não foram escutados e veem-se bastante afectados com a reformulação que atirou o estacionamento habitual das áreas do parque para a sua porta de casa... (Recorde-se que o projecto previa a construção da área de estacionamento junto da avenida Viriato Nunes. Não se percebe porque foi transferido para junto da Associação Industrial do Minho).
A Junta de Freguesia de S. Lázaro também não foi tida nem achada, numa falta de respeito pelos responsáveis autárquicos eleitos legitimamente pelos cidadãos da freguesia.
Mas o mais grave foi a autarquia ter intervencionado uma área da qual nem sequer detém a posse. Como é público, a zona envolvente à capela de S. João da Ponte pertence desde sempre à Igreja, estando disponível para usufruto público, como o Bom Jesus ou o Sameiro. A Câmara Municipal, em agradecimento desta cedência, fazia a manutenção do recinto.
Ora, em democracia é preciso escutar as pessoas, nomeadamente quando se intervém num espaço público, utilizado todos os dias por muitos cidadãos. Reformular sem escutar dá asneira, porque não se pesam as consequências de certas medidas e o seu impacto nos ritmos quotidianos.
O que sucedeu na reformulação do parque da Ponte repetiu-se nos projectos A Regenerar Braga. É um paradigma de decidir em política que em nada auxilia ao progresso cívico da comunidade. Estarão os candidatos à Câmara Municipal de Braga dispostos a dar um sinal de uma forma de estar diferente?

3 comentários:

  1. Sou morador a 300 m do parque da ponte e utilizador assíduo do espaço, com os pequenos, para parque, corridas, brincadeiras e até pic-nics. Tudo o que um bom parque pode oferecer. Estando de acordo com as observações feitas, permitam-me destacar 3 bem mais graves: estado de limpeza das casas de banho onde evito a qq custo levar os meus filhos, falta de pontos de água e caixotes de lixo (alguns estão destruídos outros cheios de lixo) e, a mais grave, o enorme lago e o pequeno lago estão ao nível do solo e sem qq proteção de uma queda de uma pesoa que não saiba nadar ou das crianças. E sendo este um parque público, são as crianças que lhe dão vida pois levam as suas famílias para os passearem e brincarem por lá! Um nota positiva para a reestruturação no seu geral pois foi devolvido um espaço nobre da cidade aos bracarenses.

    ResponderEliminar
  2. Frase a reter: o património é um empecilho.

    ResponderEliminar
  3. Frase a reter: o património é um empecilho.

    ResponderEliminar