terça-feira, 13 de agosto de 2013

Considerações sobre a estátua ao Cónego Melo

Não se tem falado de outro assunto nos últimos dias que não seja da colocação da estátua ao Monsenhor Melo e das reações que tal empreitada provocou. Até aquela imprensa que não se sujeitou a colocar cá os pés no maior evento da cidade, veio agora feito Madalena arrependida dar destaque a um assunto que talvez lhes traga mais ganhos na audiometria...e que não minoriza o que se passa no Porto.
A minha opinião pessoal, sustentada desde 2002, é que esta estátua não deveria ser colocada. Sou contra, portanto. Não pelo que se diz da pessoa em causa ou pelo que ela significa para algumas facções políticas, mas simplesmente porque entendo que uma cidade como Braga deve homenagear primeiramente muitos outros cidadãos que a honraram até chegar ao Monsenhor Melo. É uma questão de justiça histórica. Não posso entender esta homenagem, quando falta dignificar a memória de D. Diogo de Sousa, D. Rodrigo Moura Telles, Lopes Gonçalves, André Soares, Manuel Monteiro, entre outras figuras a quem esta cidade tanto deve.
Também não aceito que a oportunidade desta estátua seja dada para abafar um assunto incómodo para o atual executivo, retirando-lhe o mediatismo que deveria ter merecido.
Conheci pessoalmente o Monsenhor Melo e do contacto que tive apenas posso bendizer a pessoa. Esta opinião é partilhada - com irrefutáveis demonstrações - por muitos amigos meus que com ele partilharam relações pessoais. Do outro lado, daqueles que o maldizem, aparecem apenas suposições, especulações e o "ouvir dizer que". Muitos dos que vandalizam a sua memória nem sequer eram nascidos à altura das polémicas que agitaram o verão quente de 1975.
É certo que ninguém é perfeito e o Monsenhor Melo também teria aspectos menos positivos da sua conduta, alguns mais públicos que outros. Não sou, contudo, ninguém para o julgar.
Concordo, apesar disso, que é legítimo que muitos bracarenses sintam que esta homenagem não é justa e se queiram manifestar. Estão no seu direito de cidadãos e democratas.
Recordo que a maior prova da democracia é a tolerância perante quem pensa de forma diferente, desde que essa opinião não se revele uma ataque pessoal ou corporativo. Portanto, o direito à manifestação é legítimo e salutar, porém o insulto, a agressividade ou a violência já não são caminhos legítimos de quem se diz democrata.
Pessoalmente não sou a favor da colocação da estátua, mas tenho absoluto respeito por quem a defende. Repudia-me tanto a colocação prematura desta homenagem ao Monsenhor Melo, como a avenida dedicada a Álvaro Cunhal recentemente inaugurada em Lisboa. Ambos são figuras controversas, um por supostamente lutar contra a instauração em Portugal de uma ditadura comunista, outro por supostamente o promover.
Se queremos fazer leituras históricas, há que não esquecer que a mesma história tem sempre dois lados e quanto a espírito democrático, muitos representantes de certas facções políticas não podem dar lições a ninguém.
Haja bom senso!

1 comentário:

  1. Esta pretensa igualdade de sentimentos sobre as figuras da nossa história não se sustenta para além da pusilanimidade. As figuras que merecem ou não merecem estátuas em Braga estão sempre a tempo de verem cidadãos puxar da carteira pessoal para desencadearem movimentos de interesse ou apetrecharem os seus aposentos interiores e exteriores. Braga é uma cidade onde haverá mais estátuas polémicas do que consensuais - estudem-se as histórias e a História de cada uma - mas o que importa sublinhar é o processo democrático que esteve na base do licenciamento público da exposição desta estátua concreta que foi paga com dinheiros privados. Por em causa decisões democráticas ou questioná-las a posteriori, está visto de quem parte sempre a iniciativa.

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