domingo, 25 de agosto de 2013

MAIOR AO DOMINGO: Ricardo Silva

Com papas e bolos…


A Câmara Municipal de Braga apresenta, por estes dias, na Avenida Central, uma exposição sobre os parques verdes da cidade de Braga. Dos painéis em exposição, ficamos a saber que o Parque da Ponte é o único cuja obra física está concluída. De facto, o local está bonito, muito agradável e propício a ser fruído pelas pessoas. Tem dois pormenores menos bem conseguidos, a meu ver, um a nível do mobiliário do espaço e o outro pelo facto de terem empredrado a parte de trás da capela de S.João, onde os grupos folclóricos já não podem dançar convenientemente em terreiro, nas festas da cidade.
Mas nitidamente o balanço é positivo.

Relativamente às obras do Picoto, é curioso que surjam agora como um novo espaço verde da cidade, quando me lembro de ir a uma apresentação pública na Videoteca municipal, onde os técnicos da Câmara Municipal de Braga diziam que o Picoto não seria um espaço verde per si, mas uma continuação do Parque da Ponte. De qualquer forma, fisicamente unido ou separado, ainda que não me parecesse prioritário, a requalificação do Monte Picoto será muito bem recebida pelos bracarenses.

Quanto ao parque Norte e ao Parque Oeste, o primeiro na zona de Dume, perto do Novo Estádio Municipal (Axa) e o segundo na zona de Ferreiros, parecem-me boas apostas, que pecam por tardias e por serem um remate da falta de políticas de ordenamento da cidade.
Se o Parque Norte já é preconizado há vários anos, não se entende a falta de planeamento daquela zona, onde iriam surgir empreendimentos avultados para a franja norte, e onde a franja sul continua na mão de proprietários que meia volta lá limpam os terrenos, vedam, põe placas e lembram que ali são terrenos particulares. Se houvesse real vontade de ter ali um parque verde, tenho a certeza que há muito que a CMB havia delimitado cartograficamente o espaço e dando provas de um ordenamento verde, em vez de condenar a Pedreira à erosão, à colocação forçada de um estádio de futebol caríssimo ( a factura da manutenção do estádio 1º Maio, em pleno Parque da Ponte também fica para a CMB pagar), e à preservação de uma memória infeliz de uma ideia sem raiz, chamada Piscinas Olímpicas de Braga, cujo fosso e armadura em betão custaram 8 milhões de euros sem retorno para o Município nem para os munícipes.

O que podia fazer Braga com 8 milhões de euros pelo desporto, ou pela cultura, ou pela educação, pelo ambiente ou, muito importante, pela acção social???

O Parque Oeste é ainda uma miragem…das fotografias apresentadas nos painéis, assistimos a poucas imagens virtuais genéricas, que não mostram como será o parque. As imagens reais, da actualidade, são, de facto, feias, mas os painéis apenas fazem o contraponto com imagens verdadeiras de pessoas a andar de bicicleta ou a sorrir…mas essas imagens poderão ter sido captadas em qualquer parte do mundo e não mostram aos bracarenses como ficará o parque Oeste.

Fenómeno semelhante…o Parque das Sete Fontes!




















Das doze imagens apresentadas nos painéis (12), apenas duas simulam a realidade virtual do futuro Parque. É pouco para quem pensa este Parque há tanto tempo e diz que o defende com tanto afinco…ora bem, a CMB diz que tem 2 funcionários da AGERE, em 37 anos de gestão, responsáveis pela manutenção de um espaço enorme, bem como estão a fazer, há uma data de anos um plano de pormenor, assente num esquema de perequação, para um parque, que terá um centro interpretativo da água, mas que o CMB não consegue um entendimento com os proprietários devido às elevadas expectativas imobiliárias que criou.
12 imagens em painéis, 2 delas são de realidade virtual, onde se demonstra o Parque de Sete Fontes, com mesas e cadeiras, com circuitos estipulados e com um total arrasamento da topografia do local a nascente, por onde passa a estrada de acesso ao Hospital. Os técnicos da CMB montaram umas imagens do Parque das Sete Fontes numa topografia plana, dando provas de não conhecer a realidade daquele local, monumento nacional. As restantes imagens, mostram a água a correr, e o espaço verde que sobeja, escondendo que aquela água e aquele espaço verde só estão presentes porque a ASPA, a Junta de Freguesia de S. Victor, a JovemCoop, os Peticionários pela Defesa e Salvaguarda das Sete Fontes e muitos milhares de cidadãos lutaram, reivindicaram e fizeram valer a sua postura de querer dar continuidade à obra que nos foi legada pelo D. José de Bragança, arcebispo do Séc. XVIII.

Nitidamente, em ano de eleições, parece que tudo vale…até prometer concretizar o que já havia sido prometido anteriormente.

A exposição na Avenida Central é algo que parece querer enaltecer a cidade. Na verdade, envergonha o executivo camarário porque passa um atestado de incompetência a si próprio, enquanto tenta ludibriar com imagens, os bracarenses. Alguns bracarenses podem sentir-se insultados por mais uma manobra de magia, outros podem ficar maravilhados com um passe de ilusionismo. Já diz o ditado: “Com papas e bolos e bolos se enganam os tolos!” Eu sinto-me, juntamente com outros bracarenses, com mais força e vontade de ajudar a instituir um novo modelo de gestão, que queira, de facto, atender às necessidades da população e queira dar respostas sérias, sem necessidade de artifícios e foguetórios.

Por uma sempre e constante BRAGA MAIOR!

Ricardo P.Silva

1 comentário:

  1. Muito bem Ricardo P. Silva.

    Espero sinceramente que o Ricardo P. Silva, juntamente com o Ricardo Rio, ganhem as eleições, para que haja uma mudança na (atual danosa) gestão de Braga!

    Cumprimentos

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