sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Desvalorizar Braga: Cultura e Património

Câmara Municipal de Braga é das que menos investe em publicações culturais
Apesar das promessas, o teatro romano continua a aguardar a musealização...
Era ontem notícia do Diário do Minho o facto de, segundo as estatísticas oficiais, a Câmara Municipal de Braga ocupar um modesto lugar no que ao financiamento das atividades culturais diz respeito.A Câmara Municipal de Braga tem sob a sua tutela o património arquitetónico e cultural de maior importância dos 14 concelhos do Baixo Minho, mas o investimento que canaliza para sua preservação e divulgação está longe dos valores que os municípios como Barcelos, Guimarães
e Vila Nova de Famalicão afetam aos respetivos patrimónios culturais.

Se é certo que se fizeram significativos investimentos em estruturas físicas (animação para a construção civil...), nomeadamente com a reformulação do Theatro Circo, Mercado do Carandá, Museu da Imagem, entre outros projectos, no que à atividade cultural diz respeito, Braga vê-se ultrapassada por diversos municípios demograficamente inferiores e sem o mesmo legado patrimonial e histórico. Aliás, o teatro romano e a ínsula das Carvalheiras continuam a aguardar que a autarquia avance para a sua musealização, apesar desse objectivo ter estado inscrito em todos os planos de actividade deste mandato e ter sido promessa eleitoral de Mesquita Machado nas últimas autárquicas. Valerá a pena continuar a confiar na palavra desta gente???
Particularmente reduzido também tem sido o investimento da Câmara de Braga em publicações e literatura. Diz-nos o Diário do Minho que «o melhor que Braga conseguiu foi uma terceira posição entre as 14 autarquias do distrito, em 2001, ano em que afetou 457.800 euros a esta rubrica. Em 2009, os 39.400 investidos em publicações e literatura afundaram a capital minhota na décima primeira posição, tendo sido ultrapassada por Barcelos (600.700 euros), Esposende (192.800 euros), Vila Verde (228.700 euros), Fafe (395.500 euros), Guimarães (699.700 euros), Póvoa de Lanhoso (181.300 euros), Vieira do Minho (47.600 euros), Vila Nova de Famalicão (751.400 euros), Vizela (72.400 euros) e Celorico de Basto (195.900 euros). Em 2010 e em 2011, Braga subiu para a oitava posição, com investimentos de 107.300 e 110.600 euros.». Numa cidade onde faltam editoras, apenas a Fundação Bracara Augusta vai sustentando algumas publicações. A revista "Bracara Augusta" está quase adormecida e não faltam trabalhos de investigação sobre Braga arrumados no repositório da Universidade do Minho.
Ou seja, apesar de ser o maior município em termos demográficos e indubitavelmente em termos de património monumental, Braga foi constantemente ultrapassada por outros municípios bem mais insignificantes a vários níveis. O melhor que Braga conseguiu foi um 3.º lugar no capítulo do investimento cultural em 2001. Muito pouco para uma cidade com a valia histórica e patrimonial de Braga... 
Um legado pouco condizente com os pergaminhos de Braga, que nos faz suspirar pelo saudoso Sérgio da Silva Pinto e pelo grande dinamismo cultural que imprimiu na administração municipal das décadas de 50 e 60.
Assim se desvaloriza Braga! 

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