segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Desvalorizar Braga: praia das Sapatas

O desaparecimento da praia das Sapatas foi o caso "arqueológico" que mais deu brado
A área arqueológica conhecida pela designação de “Praia das Sapatas” situava-se a sul da área vedada da Colina da Cividade. Foi identificada em 1977, tendo sido objecto de trabalhos arqueológicos ainda em 1978. Aí foram encontrados vestígios de uma casa romana, que viriam a ser destruídos em 1992. (Fonte UAUM)
Tendo a CMB conhecimento desde o final da década de 70 do valor patrimonial dos achados nos terrenos em questão, aqui ficam alguns excertos das notícias relacionadas com a destruição da Praia das Sapatas.

Processo-crime com pedido de indemnização de 230 mil contos Empresário acusado de destruir património de Bracara Augusta Por António Arnaldo Mesquita e Carlos Romero
... O terreno em causa foi adquirido por Veloso em hasta pública promovida pela Câmara de Braga em 21 de Março de 1991. O presidente Mesquita Machado aprovou, logo a seguir, o loteamento de parte dos terrenos vendidos. Posteriormente, emitiu o respectivo licenciamento, por considerar haver aprovação tácita do Instituto Português do Património Cultural (IPPC), «após terem decorrido mais de 45 dias, sem que o IPPC se tivesse pronunciado». O processo foi remetido pela Câmara ao IPPC no dia 19 de Abril de 1991 e o parecer desfavorável deste organismo deu entrada na Câmara de Braga em 6 de Junho do mesmo ano, quando esta edilidade já tinha autorizado a construção no terreno. Terreno que seria classificado como «zona especial de protecção», através da Portaria 865/91, de 22 de Agosto. ...
Texto integral

Oposição «intelectual» aposta no afastamento de Mesquita Machado pelos tribunais A batalha de Maximinos 
Por Carlos Romero 
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«Escândalo!», «um péssimo negócio para o município!», proclamou Ademar. E passou a explicar. Em Março de 1991, a Câmara de Braga vendeu ao mesmo Veloso dois lotes de terreno na chamada Praia das Sapatas, «mesmo ao lado» das tais 13 parcelas e «com a mesma viabilidade construtiva», por cerca de 13 contos o metro quadrado. Meses depois, em Novembro de 1991, Veloso propôs-se vender ao Estado, por 28 contos, os mesmos terrenos que tentou alienar à autarquia por 48 contos... Pior ainda: as 13 parcelas de que Veloso se queria livrar foram compradas em 1987 pelo «protegido» de Mesquita a uma empresa do ex-presidente benfiquista Jorge de Brito -- a Soeco --, «por um módico preço calculado à razão, aproximadamente, de 2000 escudos o metro quadrado» ... 
De tudo isto, Ademar conclui, entre outras coisas, que se o terreno fosse expropriado por 45 contos o metro quadrado, Veloso conseguiria a notável proeza de o valorizar 22 vezes, em seis anos, recorde que «seria mais uma originalidade portuguesa». 
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O travão 
O artigo de Ademar no semanário de Rui Lajes, presume o próprio articulista, travou o negócio em gestação. Travou o negócio, mas soltou a língua de Mesquita, que, em conferência de imprensa, apodou de «energúmenos» os mentores da «campanha» em curso. Mas Ademar não desarmou. Continuou a queimar as pestanas no estudo do imbróglio dos terrenos de Maximinos, e deu à estampa, no «Minho», mais textos denunciatórios das embrulhadas com terrenos da Colina. Por pouco tempo. Apertado por dívidas decorrentes de um escasso êxito editorial do semanário, Rui Lajes não só permitiu, à revelia do director do «Minho», Artur Moura, que fossem censuradas, na sua litografia, duas páginas do jornal com artigos subscritos por Ademar, como agarrou com as duas mãos a proposta de compra do jornal, por 55 mil contos, avançada por um grupo dominado por «alguns empresários da construção civil» alegadamente afectos a Mesquita Machado. Daí ao silenciamento do «Minho» foi um passo, caindo em saco roto a intenção, então avançada pelos seus novos patrões, de relançar a publicação «depois do Verão» passado. Conclusão imediata de Ademar e de muito mais gente: os «amigos de Mesquita» investiram 55 mil contos para calar uma voz incómoda
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Perante estas constatações e notícias da época, os depoimentos de Mesquita Machado em relação as escavações no âmbito do projeto regenerar Braga, e a ausência de relatórios por parte do Gabinete de Arqueologia da CMB, o que podem esperar os bracarenses em relação à proteção, estudo e valorização dos achados arqueológicos que sejam encontrados? 

1 comentário:

  1. Caro Rui Ferreira, vou repassar esta excelente peça. Continuação de excelentes posts. Abraço

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