quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Desvalorizar Braga: a Quinta dos Órfãos


O negócio da Quinta do Colégio dos Órfãos de S. Caetano fica para a história como um dos casos mais polémicos da política brácara. A instituição juvenil sediada em Maximinos tornou-se epicentro de uma polémica que fez correr muita tinta nos jornais.
O caso remonta a 2001, altura em que aquela instituição social, na tentativa de obter algum financiamento, se preparava para a permuta de uma propriedade que possuía junto ao colégio.
A permuta de uma parte da Quinta da Madre de Deus (terreno urbanizável) em troca da Quinta da Naia (terreno agrícola), como era conhecida, acabou mesmo por efectivar-se em 2005, às empresas Britalar, Imogreen, MinhoInveste e Alves & Araújo.
O negócio, diz-se, não foi nada favorável à instituição, dado tratar-se de uma permuta com terrenos de uma quinta cujos terrenos ainda não eram urbanizáveis (Quinta da Naia). A instituição fiou-se na promessa de que viriam a tornar-se terrenos para construção e aceitou o negócio. A instituição referiu que Mesquita se comprometera verbalmente com os seus responsáveis. Mesquita negava tudo. Entretanto, os negócios seguiram para a barra dos tribunais.
Segundo afirmava o Diário do Minho na sua edição de 30 de Maio de 2008, “os factos que suportam a sentença judicial advertem que o estudo económico (…) ‘concluíra que o negócio só se tornaria muito vantajoso para a instituição [Colégio] se houvesse garantias idóneas da possibilidade de, a curto ou médio prazo, a referida quinta se tornar urbanizável.
No entanto, prossegue, ‘a advertência é anulada com a prestação de uma informação comprometedora: «foi dito terem sido dadas [essas garantias], no dia anterior, pelo senhor presidente da Câmara Municipal de Braga, em reunião em que a Direcção [do Colégio de S. Caetano] com ele mantivera», sublinha o texto judicial.
Os factos provados em tribunal também dão conta que, na altura dessa reunião, a Quinta de Salgueiró, gerida pela esposa de Mesquita Machado, também estava envolvida no negócio”, conclui.
O envolvimento, directo e indirecto, de Mesquita Machado, a título pessoal e enquanto Presidente da Câmara Municipal de Braga, no negócio da permuta de terrenos com o Colégio dos Órfãos de S. Caetano (que deu origem à primeira Moção de Censura do PSD com que teve de se confrontar em sede de Assembleia Municipal) chegou ao conhecimento público a 28 de Maio de 2008 e arrastou-se durante o ano seguinte.
Novo negócio estava em vista, envolvendo as parcelas ainda não comercializadas, desta feita envolvendo uma permuta de terrenos da Quinta do Salgueiró, pertença de Mesquita Machado. Todavia, a nova direção da instituição travou o negócio em curso.
Como tantos outros processos judiciais que visam escrutinar a responsabilidade de agentes políticos no nosso país, não deu em nada e a verdade ficou sempre por apurar. A este propósito vale a pena ler este artigo escrito na época.
A suspeição instalada então é marca difícil de apagar da memória colectiva de Braga. E os terrenos ainda hoje lá estão à espera de uma resolução.
Assim se desvaloriza Braga...

1 comentário:

  1. Vivi no colégio 5 anos (1938-1943) Conheci a quinta como aluno Tenho uma grande dor ao parar na estrada, agora com os meus 84 anos e ver aquele estado de abandono. Doi-me.

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